Welcome to this place, I’ll show you everything

Ufa. Lucas, você fez um mês segunda passada e só agora eu tive um tempinho maior (mais importante ainda, um tempinho com duas mãos livres) pra poder contar como esse mês foi.

Vou começar contando o quão deliciosamente gostoso você é. Já tinha me esquecido como cheiro de bebê é intoxicante, a gente fica te enchendo de cafunés o dia (e noite) inteiro. Mesmo quando meus olhos mal conseguem ficar abertos às 4h da manhã, eu ainda te cheiro muito, e isso me dá uma injeção de ânimo – aposto que é a natureza se incubiu de colocar esse cheirinho nas crianças justamente pra que a gente acorde de bom humor de madrugada. Perpetuação da espécie, claro. Seu pai me olha com os olhos mais esbugalhados quando eu digo que eu quero ter mais um, como tínhamos combinado antes de casar. Ele agora só me responde assim: “podemos combinar isso quando esse aqui estiver dormindo a noite inteira?”. Fair enough.

Agora, você tem refluxo, uma pena. Eu também tinha quando nasci, e sua avó me conta até hoje as estórias de horror que a deixou traumatizada pra vida inteira (oi, mãe!). Mas não liga não, você está em boa compania – a metade da nossa família tem refluxo daqueles pra vida inteira, mas você é capaz de sair como eu e ter isso somente na infância. Felizmente o nosso problema é mais de lavanderia do que médico e isso não o tem incomodado muito –  você tem engordado maravilhosamente bem. Depois conto com mais detalhes sobre a sua alimentação, que é muito complexa, exige um PhD. Mas por agora você está aproveitando bem ficar nos nossos colos mais do que os nossos braços podem aguentar.

Uma coisa que não sei se é peculiar: quando você está com dificuldades de dormir, você aprecia uma massagem na sola do pé e dorme rapidamente. Eu morro de rir, porque você passa de irritadiço e resmungão para o sono mais tranquilo do mundo em um piscar de olhos, assim que eu começo a massagear o seu pezinho.

Seu irmão não acha muito excitante essa sua idade ainda tão pequena. Você ainda leva uma vida deliciosamente chata para uma criança de 6 anos, mas isso não impede que ele te admire e te ame demais. Ele está aprendendo a conversar com você sem esperar resposta – o que é impressionante, já que ele não fecha a boca por um segundo sequer em qualquer outra ocasião, mas fica sem saber o que falar quando está com você.

Agora que os vovós voltaram pro Brasil e seu pai voltou a trabalhar, somos só você e eu na maior parte do tempo. Não vejo a hora de você começar a demostrar que nos conhece, embora você já prefira o meu colinho mais do que o do papai (ha ha!). Também já se acalma quando eu digo “já vai”, porque sabe que vai ser alimentado logo, logo. Pensando bem, não vou correr o tempo não, deixa assim como está. Você cabe certinho nos meus braços e eu não sei como vou fazer pra eternizar esse cheirinho tão bom e essas noites que passo acordada trocando várias vezes as suas roupas (e as minhas roupas) e lencóis que invariavelmente ficam todos sujinhos de leite, xixi e às vezes também, um cocozinho. Ah, que essas noites não acabem nem um minuto cedo demais.