Vem chegando o outono…

Então, as minhas 5 semanas de férias acabaram e voltei a estudar na semana passada, dia 18. Meu horário só não é caótico porque eu não fico sem ter o que fazer enquanto estou na faculdade, mas é terrível estudar de tarde. A minha química só tinha de 3 às 5 da tarde, então tive que colocar física e biologia imediatamente antes de química pra eu não ficar com muitos buracos entre uma aula e outra. Conclusão: Acordo, vou pra faculdade, volto morta e durmo. É um sacrifício enorme ficar acordada de noite pra fazer os trabalhos. Hoje tirei um cochilo de 7 as 8 meio não programado porque eu tive um dia muito pesado, todo em pé no laboratório, das 10:30 até as 5:30. Detalhe: Sem comer nada. Cheguei em casa faminta porque eu só tinha o meu micro café-da-manhã que consistiu em um rolinho (pão) com salada de atum. E água. Ai cheguei em casa e comi outro rolinho com salada de atum. Ô vida!

O que salvou pra quebrar o sistema de estudos foi o show do Elton John no sábado passado. Eu e Robert adoramos! O Robert adorou que ele tocou muitas músicas antigas. Eu fiquei imaginando que saco não deve ser tocar as mesmas músicas por mais de 30 anos. Mas oh well, ele é carismático e simpático e é disso que o povo gosta.

Voltando aos estudos, eu acho que não expliquei exatamente o sistema da faculdade aqui e nem o que eu estou fazendo. Aqui, você não precisa escolher o que você quer fazer antes de começar a estudar. Na verdade, você só precisa mesmo escolher entre o final do segundo ano e o início do terceiro. As matérias normalmente são numeradas em 1xx pra matérias do primeiro ano, 2xx, segundo, 3xx terceiro e 4xx pra quarto ano nos bacharelados. Ai pós-graduação os cursos normalmente começam nos 5xx.

Como resolvi começar do zero sem transferir nada do Brasil (uma escolha ótima, ao meu ver, depois explico), no momento estou fazendo minhas últimas matérias 1xx e algumas 2xx. Mesmo não tendo que escolher o que você quer fazer, é bom que você pelo menos tenha uma ideia da área que pretende cursar. Se vai ser ciências biológicas, exatas, humanas, artes, etc.. Eu, por exemplo, quero continuar em ciências biológicas, mas não decidi se vou fazer microbiologia ou se vou fazer biologia molecular, mas eu não preciso me estressar porque os dois primeiros anos de ambas são bem parecidos.

Eu preciso cursar dois anos de química (um de inorgânica e um de orgânica), um ano de física e um ano de biologia. Fora outras matérias, mas essas 3 são as mais importantes. Cada ano é composto de 3 períodos (a maior parte das faculdades aqui utilizam quarter como período que são 10 semanas cada, em vez de semestre), mas a faculdade permite que você ainda curse o período de férias se quiser, totalizando 4 períodos por ano. Isso faz com que uma pessoa consiga acelerar pra terminar logo. Os períodos são de acordo com a estação do ano. Agora comecei o período de outono, dia 2 de janeiro começo o meu período de inverno e por aí vai. Ano que vem, somente, começarei as matérias “de verdade” aquelas que vão começar com “MICROM” ou “BIOC”, ou quem sabe ambas! No final de 2008, estarei me formando e provavelmente emendando numa pós-graduação, mas eu ainda não sei exatamente o que, ainda tenho muitas experiências pra fazer até eu me decidir se realmente quero continuar em Pesquisa ou se quero seguir uma carreira clínica ou quem sabe até acadêmica.

Agora, minhas matérias têm nomes inofensivos, mas de inofensivas elas não tem nada. No Brasil, a gente já pisa na faculdade já cursando matérias próprias do que você vai se formar. Por exemplo, quando eu fazia medicina veterinária, logo no primeiro semestre tive anatomia comparativa, embriologia, histologia, genética. Aqui só vou poder pensar em cursar uma dessa matérias depois que eu tirar essas “inofensivas” e básicas do caminho. E apesar de eu ter tirado A em praticamente todas as materias (exceto no meu segundo período de inglês, que a vaca me deu B+, ela não gostou das minhas críticas, vejam só), e apesar de eu já ter visto muita coisa do que eu estou vendo agora, eu tenho que confessar que não é mole não. O que me salva é que eu encaro isso como meu trabalho. Eu vejo aplicação pra tudo o que eu aprendo de novo ou de velho.

Nesse último ano, eu aprendi a fazer relatórios científicos e gráficos como ninguém. E pasmem, eu NUNCA tinha aprendido a usar uma calculadora científica e agora eu não consigo me separar da minha amiguinha. Eu me lembro de estar no laboratório contando os zeros pra colocar um exponente até eu finalmente aprender como fazia pra entrar os exponentes na calculadora. Eu NUNCA usei calculadora! Como é que a gente fazia tudo de cabeça, meu deus!

Eu finalmente aprendi os conceitos de física que eu nunca tinha muito claro na minha cabeça, e até ensino pros meus colegas de sala. Eu consigo calcular quanto tempo um remédio se dissolve no meu estômago, e o efeito da temperatura numa solução. Eu aprendi a analisar TUDO a minha volta, e eu acho que analisar é a palavra-chave no sistema de ensino americano. Eles te ensinam as ferramentas e você tem que saber empregá-las e adaptá-las conforme o caso. Eu nunca tinha aprendido isso antes. Hoje, eu realmente entendo química, eu realmente entendo biologia, e eu realmente entendo física. Antes era só decoreba. Hoje eu entendo.