Thomas jogando futebol

Eu ía fazer um trocadilho do nome dele com um nome de jogador brasileiro, mas só consegui me lembrar dos que só são conhecidos pelo primeiro nome. O mais perto de um sobrenome que eu cheguei foi Ronaldinho Gaúcho, deprimente!

thomas

Na sexta foi a Copa do Mundo da escola do Thomas. Saí da faculdade mais cedo pra poder assistir os jogos do time dele no horário marcado. Infelizmente as fotos ficaram podres, já que a mamãe babona esqueceu de programar a câmera pra um dia chuvoso e nublado (e muito escuro)  e acabei perdendo tudo. Mas tudo bem, isso aqui é só pra dizer que meu filhote adora futebol.

Cheguei lá e o primeiro jogo já tinha começado (eram duas partidas com o time do Thomas, do Egito) mas fiquei assistindo a criançada ensopada correndo de um lado pro outro. O vento estava cortante, ainda mais porque eu só estava de moleton. A criançada pingando e correndo atrás da bola e o Thomas às vezes corria, às vezes parava e olhava a multidão, sem pressa. Aí quando a bola chegava perto ele tomava e saia correndo com ela.  O primeiro jogo terminou e ele veio correndo todo feliz dizendo "ganhamos" e eu concluí que alguém tinha então feito um gol antes de eu chegar.

O segundo jogo começa – as partidas têm somente 10 minutos – e faltando uns 30 segundos pra terminar, o Thomas faz um gol, assim, de longe, como quem não quer nada. Tipo, eu não seria capaz de fazer o que ele fez. Minha relação com bolas nunca foi das mais prazeirozas então fiquei vendo boquiaberta que ele pudesse por exemplo, sair da muvuca de crianças e se concentrar o suficiente pra acertar uma bola num gol de menos de um metro de largura.

Após os jogos, fomos pra sala de aulas onde as crianças ganharam sorvete (sempre que passo por essas situaçõe fico que nem aqueles adesivos de carro "o que Jesus faria?", só que eu sou "o que um brasileiro faria?" – certamente, uma mãe brasileira jamais deixaria uma criança correr num frio de uns 5-10 graus celsius e na chuva e ainda dar um picolé no final. Incrível como nenhuma criança ficou doente, não? ) Mas como eu sou uma mãe relapsa para padrões brasileiros, meu filho voltou ensopado pra casa e chupando um picolezão bem melecante. As professoras distribuiram diplomas de bom espírito esportivo e quando eu já me desvencilhava das outras mães pra ir embora, a professora assistente vem falar comigo.

Bom, quando isso acontece, eu já abro um olhão esperando o pior. O que será que o Thomas aprontou dessa vez? Mas não, foi assim: "Oi Luciana, eu queria te perguntar uma coisa, o Thomas joga futebol?" E eu, pensando "ué, você não acabou de ver o gol maravilhoso que ele fez?", mas falei "Não, ele só joga aqui mesmo". E ela "Nossa, eu achei que ele jogasse, porque ele parece que sabe o que está fazendo, ele tem uma habilidade natural!" E eu "É mesmo, eu também fiquei boba com isso, vou ter que botar ele numa aula". E ela: "Ele marcou os dois únicos gols de hoje". E eu: "DUAS VEZES?". Ela balançou a cabeça que sim.

Viemos embora e eu dizendo pro Thomas o quanto eu estava orgulhosa dele, mas que mesmo que ele não tivesse marcado gols que ele tinha jogado direitinho e que isso só já era ótimo. E ele vira pra mim e diz: "É mamãe, eu estou muito orgulhoso de mim mesmo". E ficou com um sorrisão enorme o dia inteiro.