Testamento

Nunca imaginei que eu fosse querer escrever um testamento com menos de 30 anos. Imaginar que na eventualidade de eu e o o Robert morrermos simultâneamente, o Thomas iria pra uma casa de um desconhecido, me dá calafrios. A gente nunca imagina o quão importante esse documento é até alguem da família morrer e o mundo desabar a sua volta. Eu acho importante não só ter a certeza que o Thomas (e futuros filhos) vão estar bem cuidados por alguem que nós escolhemos, que por enquanto ficou decidido que vai ser a minha mãe e o meu padrasto, Paulo. E que todo o nosso bem material seja guardado por eles para que o Thomas (e futuros irmãos) usufruam quando completar 18 anos.

Não sei como isso fica quando se trata de dois países diferentes, mas é claro que o Thomas iria morar no Brasil. Onde o dinheiro ficaria, eu não sei, talvez numa poupança em nome dele aqui nos Estados Unidos. Teria que ter um jeito da minha mãe poder movimentar a conta, mas e se tiver dor de cabeça por estar tão longe e não dominar o inglês?

Eu entrei em paz com o processo de morte quando vi a carne do meu pai se deteriorar na minha frente. Mas imaginar que não tem ninguém da sua família que vai poder tomar a frente quando você não estiver mais aqui me dá muito medo. Se me enterrarem num caixão baratinho eu não me importo, mas para o meu filho eu quero que ele herde absolutamente cada centavo que deixarmos e eu e o Robert queremos que ele seja criado pelos seus avós maternos (mãe e padrasto). Mas mesmo assim. Me incomoda saber que ele ficará absolutamente sozinho por semanas ou meses com alguma família estranha ou instituição até que todos os detalhes legais sejam resolvidos e ele possa embarcar para o Brasil.

Acho que isso que querem dizer com ” ser mãe é padecer no paraíso”.

P.S.: já fica aqui registrado o meu desejo. Se a Luciana Misura puder tomar conta do Thomas e entregá-lo para a minha família no Brasil seria assim, uau.
P.S.2: Não estamos doentes nem nada, batam na madeira, mas o Robert dirigindo do jeito que dirige, todo cuidado é pouco.