Ser adulto é uma droga

Essa semana eu tive que tomar uma decisão bem séria. Cancelei formalmente todas as minhas aplicacões para o doutorado que passei os últimos meses de 2008 me preparando. Eu já estava pensando nisso há um tempo, porque estou passando muito mal fisicamente a ponto de querer desistir de viajar pra fazer as entrevistas. Eu me arrepiava toda só de pensar em ficar dentro de um avião por 6 horas, acordar 3h da manhã (quando eu tenho dormido tranquilamente 11 horas por dia), e ainda ter que participar de 3 dias intensos de seminários, passeios pelo campus – isso sem contar de horas de entrevistas onde eu tenho que não só parecer viva, mas também inteligente. A julgar pelo meu estado nas últimas semanas, ía ser perda de tempo total. Eu não queria pagar um mico desses sabendo que eu não ía poder dar 100% de mim.

Mas o que piorou e o que botou um ponto final pras aplicacações desse ano, foi receber minhas notas das primeiras provas desse período. Eu só tenho até junho pra estudar, mas em uma das matérias que eu estou fazendo agora eu tirei uma nota horrível, basicamente por não estar com o menor saco de estudar passando mal. Isso não seria tão crítico se eu não tivesse marcado uma entrevista na Carolina do Norte no mesmo dia da próxima prova. Explico: nessa matéria eu tenho quatro provas, mas só as três notas mais altas contam pra média. No início de janeiro, eu pensei que seria um risco bem grande faltar a prova do fim de fevereiro, mas eu não tive outra escolha. Dessa forma, eu faltaria uma prova, mas teria as outras três pra compensar. Mas quando recebi a minha nota da primeira prova, não tive como questionar mais nada. Se eu for pra entrevista e perder essa próxima prova, eu não vou ter nem chances de me formar em junho, e acredite, não quero repetir essa matéria de jeito nenhum, é o terror.

Então é melhor eu dar uma parada e avaliar o monte de coisas acontecendo na minha vida pra colocar tudo em ordem de prioridade. Me formar em junho e ter o bebê em agosto, são as minhas prioridades. Na verdade, embora tenha sido uma decisão difícil cancelar as entrevistas, eu me senti bastante aliviada, porque eu estava me estressando demais por algo que não precisava fazer agora. Ao meu ver, é melhor fazer poucas coisas bem, do que um monte de coisas mal.

A parte boa da minha decisão é que vou poder ficar tranquilamente em casa com o bebê por bastante tempo (estou querendo ficar por 1 ano) e posso aplicar de novo no final desse ano (para entrar em setembro de 2010) usando o mesmo material – não preciso mandar nada adicional (a não ser o meu histórico atualizado) porque vai estar tudo guardado nos arquivos deles. Então nada de ter que procurar por carta de recomendação, estudar pras provas doidas de admissão e nem escrever folhas e mais folhas falando sobre minha vida e experiências. Pelo menos não foi tudo em vão.

Enfim, pelo menos agora eu estou tendo menos pesadelos.