Saldo de três gravidezes

Estou nos finalmentes da vida reprodutiva que eu imaginei pra mim. Em um pouco mais de 48 horas, estaremos no hospital (e ainda deve nevar aqui hahah) pra receber nosso terceiro menino e começar aquela fase bebê toda de novo. Thomas está um rapazinho, Lucas com certeza não é mais bebê e eu só consigo imaginar como essa casa vai ficar com três molequinhos correndo pra lá e pra cá. E a reação do Lucas quando vir o irmão mais novo pela primeira vez? Isso eu não estou me aguentando de curiosidade!

Foram três gravidezes relativamente saudáveis, mas doloridas pra mim. Valeu cada minuto porque resultaram em crianças saudáveis e é isso que importa. E eu provavelmente teria mais filhos se não fosse pela vozinha sensata que me diz que simplesmente não posso arcar fisicamente com mais de três. Isso, e pelo fato de que meu marido teria um colapso nervoso se eu o fizesse passar por essa montanha-russa emocional mais uma vez hehehe. Então, resolvi escrever um post agora pra eu não me esquecer dessa fase da minha vida que está acabando e talvez ajudar alguém que passar pelos mesmos problemas. Esse post é chato porque fala de coisas chatas, mas essa foi a parte que me coube nesse latifúndio, então deixo os posts felizes pra quando eu não estiver mais grávida.

Quero falar de condições que eu experienciei enquanto grávida. Nada muito preocupante e como disse, todas terminaram bem e as crianças nasceram saudáveis. Tive a sorte (sim, sorte!) de nunca ter perdido uma gravidez ou não saber que perdi, e nunca ter tido um bebê com problemas, então espero que esse post não soe como mal-agradecimento. Mas é porque às vezes eu sofri desnecessariamente e só a experiência me ajudou a levar a gravidez de uma forma melhor, porque abri a boca pra exigir que eu não deveria sofrer mais, então acho o post válido se for ajudar àquela grávida que por acaso esteja sofrendo da mesma forma.

Então lá vai:

Placenta Prévia – Tive com o Thomas mas foi leve o suficiente que se resolveu com 28 semanas de gravidez. Acontece quando a placenta cobre parte ou inteiramente o colo do útero (abertura por onde o bebê vai sair) e é detectada logo na primeira metade da gravidez. Em alguns casos mais sérios, a placenta está implantada (com vasos enraizados) no colo do útero e não vai sair de lá por nada, mas na maioria esmagadora das vezes, se resolve pelo simples fato do útero crescer e puxar a placenta pra cima, desobstruindo a passagem. Então se você recebeu esse diagnóstico, não fique nervosa MESMO, é super comum e não significa muita coisa. Um bom link pra entender melhor sobre Placenta Prévia (em inglês) é esse aqui.

Rinofaringite – Tive nas três gravidezes, que delícia! Excesso de muco nas passagens aéreas, basicamente. Durou bem do inicinho de cada gravidez e foi embora miraculasmente no dia do nascimento. Em certas situações eu não sentia cheiro de nada mas o irritante foi a congestão pesada na garganta e nariz todos os dias ao acordar. Em questão de minutos, essa congestão me fazia tossir, tossir, tossir até vomitar… bile + ácido gástrico to-das as manhãs. Não tem solução, só com o fim da gravidez. Mas você se acostuma.

Depressão pré-natal – Leia sobre ela aqui. Acredita-se que a depressão durante a gravidez é tão ou mais comum que a depressão pós-parto, mas é pouco documentada e pouco diagnosticada. O motivo eu não sei. Algumas pessoas já estavam tomando anti-depressivos antes de engravidar e não notaram, outras ficaram com medo de dizer que estavam deprimidas e outras tiveram o azar de ter um médico que não estava preparado pra trabalhar com esse tipo de coisa. Muita gente fica pra baixo quando está grávida, mas você poder ter uma boa idéia que é mais do que um mero sintoma da gravidez quando o seu corpo não obedece o seu cérebro quando diz que você poderia estar fazendo coisas legais e você se torna uma reclusa. Existem muitas facetas pra depressão, ela acontece de formas diferentes pra pessoas diferentes, mas se você se sentir estranha demais, converse com um médico e se você não estiver convencida com a falta de tratamento, procure outra opinião. Muita gente não gosta de tomar remédio enquanto grávida pra não machucar o bebê, mas depressão faz muito mais mal do que esses remédios.

Gastroparese (digestão muito lenta, principalmente enquanto dorme) – também tive com as três gravidezes, da metade pro final. Não queira ter a combinação de rinofaringite e gastroparese como eu tive, mas se tiver, tenho poucas dicas pra aliviar, mil perdões. Eu só notei quando em algumas situações em que eu *dormi* pouco, ou seja, a rinofaringite atacou a tosse/vomito antes que eu tivesse digerido a comida do jantar. A minha solução não foi apenas comer mais cedo porque claramente 14 horas depois eu ainda tinha comida dentro do meu estômago, mas sim ficar deitada mais tempo de manhã até eu ter certeza que o estômago não estava pesado. Jantares leves não me ajudaram, infelizmente.

Refluxo – O normal é ter refluxo no final da gravidez, quando o seu estômago está esmagadinho pelo útero, mas com o Lucas eu comecei a ter um refluxo ridículo com 17 semanas de gravidez. Eu sentia o ácido subindo na minha boca várias vezes durante cada hora do dia e nenhum remédio permitido sem prescrição adiantou. Felizmente, minha médica prescreveu um remédio mais forte e eu consegui levar a gravidez tomando esse remédio até o final.

Diástase da Sínfise Púbica – Leia aqui em inglês. Também só tive com o Lucas, e comecou por volta dos 4 meses de gravidez. Quando a mulher está gravida, essa sínfise, ou ligação de dois ossos, começa a amolecer se preparando para o parto. Mas quando se tem DSP a dor começa muito cedo e é insuportável. O que acontece é que você não consegue separar uma perna da outra nem por um milímetro sem uma dor horrível. Falei com o meu médico da época mas não fui insistente o suficiente e ele era muito natureba. Hoje eu sei que poderia ter usado bola de ioga pra aliviar a dor, fisioterapeuta ou quiroprata especialista em gravidez. Não fiz nada disso e acho que eu sofri à toa. A dor, mesmo intensa, nessa área, é normal em gravidez, mas na DSP você mal consegue andar, não consegue entrar e sair do carro sem quase chorar e nem virar na cama de noite. Sentar e levantar também são uma tortura. Felizmente, não tive com essa gravidez.

Diabetes Gestacional – fiz um post pra explicar e era isso mesmo. Não tem muito o que fazer, independe se você é gorda ou magra, se gosta de açúcar ou não. Não faz diferença nenhuma, por isso todas são testadas quando se engravida. O que estimula a intolerância à glicose são hormônios da placenta e às vezes tem que entrar no remédio ou insulina. Pelo o que eu sei, no Brasil os remédios ainda não são aprovados pra serem usados em grávidas, restando apenas insulina. Mas aqui nos EUA usa-se Metformin e Glyburide como opção. Eu, felizmente, escapei da medicação e só controlei calculando um número máximo de carboidratos por cada refeição. Mas isso também escapa ao meu controle. Por acaso eu tive uma controlável, mas tem situações que você pode reduzir o número de carboidratos ao mínimo possível e ainda estar com glicose alta. Lembre-se que você precisa se nutrir e não passar fome – eu fui cair nessa enrascada e me vi com cetonas altas na urina, o que muito ruim também. Eu vejo algumas meninas recusando o teste de diabetes porque são magras e se alimentam bem (ou porque nunca tiveram em gestações passadas), mas essas são as que geralmente ficam mais doentes. Então, vista as suas calças de menina grande e faça o teste.

Trombocitopenia ou plaquetopenia – Essa eu descobri no exame de sangue que fiz pra diabetes gestacional só nessa última gravidez. É um número reduzido de plaquetas (o que faz o seu sangue coagular) no sangue. O número normal de plaquetas numa pessoa não grávida é de 150 mil a 400 mil, mas quando estamos grávidas, nosso volume de sangue quase dobra criando um fator de diluição das plaquetas – então é normal que o número esteja mais reduzido do que o normal. Mas às vezes esse número continua caindo ao longo da gestação e pode causar sangramentos durante o parto, vaginal ou cesáreo. Existem outras causas pra trombocitopenia como os seus anticorpos atacarem as plaquetas e casos mais graves com tratamentos diversos. Em alguns casos, o bebê pode herdar essa baixa de plaquetas então indica-se a cesariana pra evitar que a pressão vaginal na cabeça do bebê cause hemorragia cerebral, mas esses são casos muito, muito raros. Eu tive um caso moderado e passei uma semana inteira há duas semanas atrás com o rosto do meu médico me assombrando, super preocupado com meu número que tinha chegado a 82 mil. Passei uns dias tendo pesadelo que ía ter hemorragia durante o parto. Meu médico já tinha entrado em contato com um hematologista e com o anestesologista do hospital e eu estava sendo monitorada bem de perto fazendo exames de sangue todas as semanas. O meu caso não era horrível, mas estava horrível pra mim e meu médico também não estava muito feliz. Mas no meu último exame de sangue meus números subiram pra 113 mil e respiramos aliviados. Se você tiver isso, pergunte sobre transfusão de plaquetas. Às vezes você pode receber as plaquetas do seu marido ou de outro conhecido, mesmo que o tipo sanguíneo seja diferente.

 

 

Esse post precisa de revisão.