Riiiiiiiiiiiiiiing

A Gwen finalmente foi castrada na semana passada. Aproveitamos e tiramos dois cistos de gordura que ela coçava muito (um atrás da orelha e outro no pescoço) e viviam infeccionando.Também aproveitamos e fizemos a limpeza nos dentes pra aproveitar a anestesia. A fofinha está cheia de pontos ainda mas muito feliz (até que enfim, mamãe!) ainda mais que eu comprei uma cama nova (a número 928394902) e um monte de comidinhas gostosas.

Essa estória da cama é muito engraçada, porque a Gwen é muito calorenta. Os cães Berneses (no Brasil são chamados de Boiadeiros de Berna) foram criados pra viver na neve e carregar carros de leite pelas montanhas da Suíça. Até hoje existem competições dos melhores cães Bernese-puxadores-de-carroça. A Gwen não é diferente. Apesar de ter nascido no Brasil, ela não está nem um pouco acostumada com o calor. O lugar favorito pra ela dormir era atrás da privada do banheiro, embora agora ela seja muito grande pra caber lá atrás. Eu tenho sempre que ter o cuidado de ter a porta do banheiro aberta, pois é o lugar mais fresco pra ela se esticar.

Então comprar cama pra ela sempre foi um desperdício. Comprei várias de todos os tamanhos e tipos, até as camas que são pra “esfriar” – não é à toa que as companias que fazem essas cama pra esfriar tem um Bernese no logotipo. “Mamãe, eu prefiro o azulejo mesmo”. Ok, OK, filha, você venceu! Mas depois da cirurgia a mamãe aqui ficou preocupada e queria dar algo gostosinho pra ela deitar. Comprei uma cama enorme e bonitona e coloquei na sala de televisão. Tive que forçar ela a deitar na cama (vai, experimenta só um pouquinho!) mas qual não foi minha surpresa em descobrir que ela estava usando a cama como ninho.

Explico: como ela tinha entrado no cio (que aliás durava 1 mês, dai-me paciência) há pouquíssimo tempo antes da cirurgia, o nível de progesterona dela ainda estava bem alto. Com a remoção dos orgãos reprodutivos, o nível desse hormônio caiu bem rapidamente como acontece quando as cadelas têm filhotinhos. Ou seja, ela acha que é mamãe. Eu notei que ela estava trazendo seus bichinhos de pelûcia (que estavam largados há meses, sem ela nem ligar) pra cama e se enroscando em cima deles como mamães cadelas fazem.

No dia seguinte, dois bichinhos de pelúcia do Thomas (um Panda Webkin e um sapão verde enorme, que a gente ganhou numa state fair) também faziam parte da prole, o que me faz pensar que ela foi até o quarto dele e procurou bem no meio dos outros brinquedos até achar o filhote adequado. No terceiro dia, ela saiu do meu armário carregando uma meia bem grossa de esqui do Robert e eu prontamente tirei da boca dela e joguei em cima da minha cama enquanto saíamos de casa. Quando voltamos, eu fui conferir o que eu já sabia: Quando foi tirar a meia-filhote do ninho dela – gargalhadas – “Gwen, agora você foi longe demais”, o TELEFONE sem fio da casa estava lá também. Se eu chamo ela de filha conscientemente, porque ela não pode chamar o telefone de filhote? 😉 Fico aqui pensando se o telefone tocou e ela achou que era parecido com um filhotinho chorando.. 😉

A pobrezinha agora parte a maior parte do tempo em posição fetal em cima dos filhotes – menos o telefone – e não deixa nem a Mia (as duas são apaixonadas uma pela outra e se lambem o tempo inteiro) chegar perto do ninho. Com a gente ela está mais grudenta, chora quando a gente sai de casa, mas fora isso está comendo muito bem (Orijen de salmão e pasta de fígado que ela adora – eita combinação horrorosa)  e se recuperando totalmente.