Quando as perguntas são mais importantes do que as respostas

Aceitei (obviamente) hoje a posição de estudante pesquisadora de um laboratório famoso de Patologia na Universidade de Washington. Esse "emprego" vai me ajudar muito a decidir se a vida de cientista é realmente pra mim e a identificar as áreas que eu quero pesquisar no futuro. Fiquei muito feliz com essa escolha, já que é muito difícil achar um laboratório que dê muitas oportunidades para estudantes que ainda não terminaram o bacharelado, e quando existem são poucos os que são o pacote completo.

Esse laboratório me soou ótimo desde o primeiro contato, quando respondi a um anúncio para um projeto (que é diferente do que eu vou realmente fazer) e gostei do jeito que o anúncio foi escrito. Fui conversar com o professor/investigador ("dono" do laboratório e chefe das pesquisas) e ele simplesmente deixou em aberto pra eu escolher um dos projetos, e ainda por cima, nos meus termos. Eu quase caí pra trás conversando com ele – lembram-se de Wayne’s World? "I’m not worthy, I’m not worthy!". Eu fiquei assim, completamente petrificada porque achava que tudo o que ía ter disponível pra mim, uma mera estudante, era limpar vidro e preparar soluções. Obviamente, o nervosismo era tanto que eu não absorvi nem metade das coisas que ele falou.

Mas adorei o laboratório. Ele me levou para um pequeno tour e sentei com pesquisadoras pós-doutorandas pra elas me dizerem em que estão trabalhando. Eu demostrei interesse em um dos projetos e foi o que eu consegui. O pessoal que trabalha lá é super atencioso e eles me deixaram bastante à vontade,  saí de lá querendo ficar pra sempre.

À propósito, vou usar esse projeto pra escrever a minha monografia, então vou estar bastante ocupada até dia 22 de agosto. Esse laboratório pesquisa os mecanismos de envelhecimento que são conversados genéticamente por meios evolucionários e assim desenvolver terapias para doenças que são ligadas à longevidade, como as doenças de Alzheimer ou de Parkinson. O foco principal é a relação entre restrição calórica e longevidade. O meu projeto vai ser parte do quebra-cabeças do que exatamente na restrição calórica aumenta a longevidade. Projetos com vários organismos, fungo, mosca, e vermes (que vivem no solo e têm 1mm), estão sempre sendo feitos, porque esses organismos tem o genôma bem pequeno e já inteiramente conhecido, e é possível que os genes que condificam para o envelhecimento sejam conservados, sejam os mesmos, no genôma humano. Eu escolhi trabalhar com os vermes, então vou tomar onde a última publicação parou – os vermes demostraram aumento significativo de longevidade com restrição calória após serem alimentados com a bacteria E. coli. No meu projeto, vou testar se o mesmo ocorre com outros tipos de bacteria, e assim ficará mais fácil investigar o que exatamente na alimentação, um amino ácido por exemplo, aumenta ou diminui consideravelmente o tempo de vida dos vermezinhos. Eu tinha a opção de trabalhar com fungo também, mas os vermes são bem mais simpáticos.

Depois conto mais!