Pós-graduação

 

Não posso comparar com o Brasil porque eu nunca cursei uma pós lá, mas por aqui é relativamente comum continuar os estudos logo após a conclusão do bacharelado. Dizem as estatísticas que muitos estudantes decidem continuar estudando pra ir empurrando com a barriga os empréstimos que fizeram ou ainda, que não encontraram emprego quando se formaram.

Não sei dizer se na área médica é mais comum ou não continuar estudando, mas a impressão que eu tenho é que sim, não necessariamente pelos motivos que citei acima. Na verdade, acredito que a mente de quem gosta de ciências sempre fica querendo mais conhecimento, tentando criar mais oportunidades e expandir mais o horizonte. Até hoje, todo mundo que eu conversei quer fazer pós-graduação, alguns imediatamente, mas outros querem trabalhar por um tempo pra decidir exatamente o que querem.

Na Universidade de Washington quase não existem mestrados na área de ciências médicas – existem mestrados clínicos como o de Enfermagem e de Physician Assistant, mas o resto todo é somente doutorado. Ou seja, você sai do bacharelado e vai direto pro programa de PhD sem passar pelo mestrado.

A parte boa é que os programas que me interessam são patrocinados pelo governo o que significa não só uma bolsa total de 100% do valor do curso inteiro, mas ainda um estipendo mensal (um salário) e benefícios como plano de saúde. Outra parte boa é que você sai de lá com um PhD e aí realmente o mundo fica sem barreiras.

E eu, se quiser aplicar pra um desses programas, preciso começar a  mexer meu derrière pra montar uma aplicação com um bom nível. Felizmente todas requerem praticamente as mesmas coisas. Cerca de 3 cartas de recomendações de professores ou de algum doutor com quem você tenha trabalhado; Notas excelentes; Prova GRE com nota boa; um documento de cerca de 5 páginas escrito por você dizendo o porque você quer entrar pra tal programa (normalmente você escolhe um laboratório que tenha a pesquisa que você queira fazer) e porque quer ir pra tal Universidade; Declarar toda a experiência de laboratório pertinente seria um adicional que conta muitos pontos. A partir daí é só aplicar pra umas 20 universidades só pra se garantir e esperar alguns meses pelas respostas. Como deve ser difícil receber 19 (ou pior, 20) nãos.

Eu preciso me mexer, porque posso começar a aplicar esse ano: primeiro, tenho que ler todas as pesquisas disponíveis em todas as Universidades dos EUA que eu me interesso; depois, tenho que pedir as cartas de recomendação (que podem demorar semanas pra serem entregues) e depois porque tenho que arrumar algum laboratório pra trabalhar pra pelo menos entrar pra esse programa com conhecimento de causa.

A parte ruim, é ficar em suspensão sem saber se você quer mesmo sair do estado e carregar a família junto pra perseguir algo que você nem sabe realmente bem o que significa. Esse é um papo que já tenho com o Robert antes mesmo de eu começar a estudar – porque a minha neurose não me permite embarcar em nada que eu já não tenha visto todos os passos na minha cabeça um milhão de vezes – e ele não vê o menor problema em me acompanhar, se for isso mesmo que eu quiser fazer. O problema é que eu não sei se EU quero ir pra conchichina do oeste.  Talvez a parte que me cabe nesse latifúndio seja mesmo a de assistente. Vou aplicar pra um monte e ver no que dá. Será que consigo lidar com a decepção de não ser aceita pra onde queria? Será que existe mesmo eu ser aceita pra um lugar que não quero ir e eu não aceitar – ou será que vou acabar sendo coagida pela minha mente?