Pro dia nascer feliz!

Cara, se tem uma coisa que tem povoado a minha mente nos últimos meses é o que vou fazer após a minha graduação no dia 13 de junho de 2009. Parece muito tempo pra me preocupar, não? Você pode achar isso, mas eu tomei as rédeas da minha educação desde os dia 4  (ou seria 6?) de abril de 2006, quando pisei numa faculdade novamente depois de muito, muito tempo. Pra que tudo desse certo, eu tive que cronometrar e medir cada passo que eu dei, pois as escolhas de cada matéria foram todas minhas. Eu tive que escolher minhas matérias com um ano de antecedência, não porque sou neurótica, mas porque eu sabia que um erro nas minhas escolhas faria a diferença entre me graduar em 3 anos e meio (meu caso) e 5 anos (média de alunos da UW). Escolhi matérias que faziam papel duplo, preenchiam dois requerimentos, escolhi matérias que íam fortalecer meu currículo acadêmico pra caso eu quisesse expandir meus horizontes após o fim do bacharelado.

Rewind pra março de 2006. Eu conversava com o Robert e perguntava “devo escolher o caminho mais difícil ou o mais fácil?”. O mais fácil seria pegar um diploma técnico em alguma área de meu interesse, mas minha vida profissional ía ficar completamente limitada. Eu estaria trabalhando agora e ganhando muito bem. Eu teria finais de semana livre pra curtir com o meu marido e filho. Eu estaria indo ao Brasil duas vezes por ano e teria um carro novo (só quem já ficou na mão tantas vezes como eu com carro velho no passado, sabe a importância de se ter um carro novo). Se eu escolhesse o caminho mais difícil, eu teria vários anos pela frente de muito sacrifício, mas no final, teria a oportunidade de crescer indefinidamente. O limite seria imposto por mim e por mais ninguém. A educação é algo que ninguém nunca vai poder tirar de mim.

Como vocês sabem, escolhi o mais díficil, e acreditem, tem dias que eu quero voltar pra 2006 e mudar tudo. Felizmente, na maior parte do tempo eu só tento planejar o futuro incluindo o resto da minha família e não fico me lamentando (muito) que eu poderia estar tendo uma vida de adulto agora. É muito fácil estudar quando é só a sua vida que conta, mas ser uma boa estudante, dona de casa e mãe de família, ao mesmo tempo, não é mesmo pra qualquer um. Não quando as minhas ambições são maiores do que qualquer sonho que eu posso ter tido na minha vida.

Esse ano, vou aplicar pro meu doutorado. Em Genética e Ciências do Genoma.

O Ph.D. é a norma nessa área e dura cerca de 5 anos. Você pode pedir por um diploma de mestrado se no meio do caminho se você não aguentar ou precisar desistir. Algumas universidades dão, outros não. Eu preciso mandar minha aplicação pra muitas universidades espalhadas pelos EUA, porque a competição é ferrenha, como é de se esperar. Não sei nem se vou ser aprovada pra alguma delas, mas quanto mais eu escolher, mais chances terei. A notícia boa dessa manhã é que uma professora que adoro muito (lembram da minha professora iraniana?) se ofereceu pra escrever uma carta me recomendando pro meu Ph.D. Eu preciso de mais duas, mas essa notícia me fez MUITO feliz.

Então o que eu estava tentando dizer era isso: o que tem povoado a minha mente nos últimos meses é o que vou fazer depois que eu me graduar, igualzinho ao que eu senti em março de 2006. Eu me pego ME perguntando de novo “devo escolher o caminho mais difícil ou o mais fácil?” Mas se você me conhece, já sabe da resposta. Não tem nada melhor pra mim do que um bom desafio, ou uma boa aventura. Pode ter certeza, que de novo, vou escolher o caminho mais díficil.