Pingos de Dor

Até ontem se você me perguntasse, eu responderia: “Estou muito feliz!”, e ontem era para ter sido um dia feliz. Dia 12 de
outubro. Há dois anos atrás tive que segurar minha barriga imensa porque eu soluçava de felicidade, a Isabella nasceu. Ainda
faltavam duas semanas para o Thomas vir, mas eu já estava considerando a Isabella como minha filha também.

Os dois últimos anos foram tudo, menos parados, chatos. As crianças cresceram, são melhores amigos. Se eles estiverem se
jogando no chão, é só pronunciar o nome do outro que a choradeira acaba e obedecem rapidinho, porque querem ficar brincando o
dia inteiro. Consideram o outro a melhor pessoa do mundo.

Sem entrar no mérito da questão, a família Meyer vai voltar ao Brasil antes do final do ano. Depois de 10 anos morando
aqui, minha amiga viu que tinha muito em suas costas. Seu marido americano não sabe o que esperar, mas não vê a hora de
abandonar os problemas e recomeçar a vida. Isabella estará longe do seu melhor amigo. Thomas não vai mais receber beijinhos
sapecas da Belinha.

E eu, que devo a minha felicidade àqueles três, sento inconformada e conformada, pensando que dias melhores virão, mas
sabendo que este inverno vai ser mais frio e molhado do que os meteorologistas prevêem.