O fim

Hoje foi meu último dia de aula na BCC. Dois anos letivos passaram voando, vocês lembram quando comecei? Parece que foi ontem! Era uma primavera, mas uma bem ensolarada. Nas primeiras semanas de aula, eu estava tão nervosa que morria de dor de barriga, todos os dias. Fui me acostumando, re-aprendendo a interagir e a estudar… estava tão feliz que fiz questão de agradecer a todos os meus professores por essa oportunidades que eles me deram. Eles abriam um sorrisão enome, mas tenho certeza que nenhum deles entendeu o que eu queria dizer. Eu me sentia como se tivesse ganho na loteria, mas o resto do pessoal estava lá só pra estudar.

E hoje foi o dia mais agridoce da minha vida. Essa semana foi de provas finais, mas porque é um período muito intensivo, a matéria acumulou bastante. Eu e minhas amigas fizemos tudo ao extremo nessa última semana: estudamos até a última gota, dormimos muito pouco, reclamamos exaustivamente das notas dos trabalhos, falamos muito palavrão e rimos de chorar e doer a barriga. Parece até que era um rito de passagem, já que não vamos mais nos ver diariamente. Foi a semana mais corrida, doida, mas também a mais gostosa, mais engraçada.

Uma pena que tenhamos nos despedido no meio de uma prova – eu fui a primeira a terminar e tive que sair da sala e vim pra casa. Mas não sem antes pelo menos dizer um tchau pras amigas e sem antes agradecer a minha professora iraniana de química orgânica que por um ano inteirinho gritou com a gente o tempo todo com o sotaque pesadíssimo: “Gente! Gente! Vocês tão fazendo tudo errado, começa tudo de novo!” e que sempre dizia que nossas provas eram muito ‘simples’ (pra ela, claro) e já sabíamos que de simples não tinha nada, mas quando as notas chegavam ela sempre dizia que todo mundo tinha tirado nota alta. Ela é séria durante a aula, mas tem um humor irresistível, seco, perfeito. Uma vez ela me fez vestir um jaleco dela quando na única vez que fui com uma roupa decotada pro laboratório; enquanto olhava pros meus peitos disse como quem não quer nada: “sabe, Luciana, acho melhor você cobrir isso daí, né? Porque vai que você derruba um desses ácidos aí, vai doer bastante…”

Hoje ela me mostrou minha notas numa salada separada e disse “você agora pode me dar aula!” . Eu ri e a agradeci por esse ano que ela dedicou nos ensinando e ela abriu um sorrisão enorme. Fui embora morrendo de vontade de ter lhe dado um abraço, mas eu nunca vi ninguém abraçar professor de faculdade, então me contive. Hoje me senti ótima por ter terminado essa fase da minha vida, mas ao mesmo tempo me senti péssima, como quem vende aquela primeira casa comprada com o suor do trabalho pesado. Me despedi também no elevador, da biblioteca e da garagem… quantas memórias legais eu tive desde abril de 2006.