Meu aniversário agridoce

Já passa de meia-noite no Brasil e como nasci aos 5 minutos do dia 1 de dezembro de 1976, parabéns pra mim! Como posso estar completando 31 aninhos se ainda me sinto com 21?

Mas olha só que coisa.: amanhã (dia 1) vamos ter a primeira neve do inverno 2007-2008… amanhã vai ser o último sábado que eu vou dormir aqui… pronto, já estou começando a ficar nervosa e já a mudar de assunto. Essa casa é a única que o Thomas conheceu na vida (ele era muito pequeno vendemos a outra), essa casa foi a primeira que eu comprei junto com o Robert, essa casa foi a primeira de muitas coisas, não consigo não me apegar.

Essa semana vai ser difícil, mas mais difícil vai ser dar tchau pra ela no sábado que vem. Por mais que a outra casa seja ótima, eu não tenho nenhuma relação afetiva com ela, mas com essa daqui, sim.

Pintei (ou pedi pro Rob pintar) essa casa um trilhão de vezes. Desde 2006, a sala de estar foi pintada 3 vezes, o quarto do Thomas 3 vezes, o quarto de visitas 4 vezes e o lavabo umas 5… Agora que eu acertei na cor, estou indo embora! Fizemos e refizemos o jardim outras milhões de vezes, plantei tanta coisa que já perdi a conta. Na verdade começamos aquele jardim do zero, desde os 20 centímetros de terra que carregamos num calorão terrível com carrinho de mão até as madeiras pro deck e pra pérgola. Cada grão de terra foi trazido e colocado lá pelas nossas mãos. Até a grama foi plantada por semente: logo no ínicio eu reguei tanto pras malditas brotarem que quando fui desligar o regador, afundei na terra até quase o joelho. Fizemos passarela de concreto e um ano depois a quebramos. Tivemos um Salgueiro Chorão lindo, que cresceu demais e tivemos que cortar quase chorando. Colhemos nossas primeiras cerejas.

Mais um capítulo que se acaba. Vamos ver o que o próximo vai trazer!

Por enquanto, sento na sala com minha família e amigos, comemorando o último “Calincão” – como eram conhecidas as festinhas na minha casa no Brasil – tentando não ficar mais triste do que deveria.