How do I live without you, I want to know

Agora eu deveria estar dentro de um avião rumo à cidade de Seattle, mas não foi assim que aconteceu.

As minhas coisas já estavam praticamente todas arrumadas, mas minha ída ao hospital ontem fez com que eu mudasse os planos.

Na verdade tudo começou na sexta de noite, depois que eu já tinha saído de lá. Meu pai estava muito sonolento, não queria falar muito, mas os sinais vitais continuavam bons. No dia seguinte, sábado, eu não fui mas ele estava pior, xingando as enfermeiras e fisioterapeutas, sem querer sentar na cadeira ou andar. Reclamou de dor nas costas.

No domingo, leve o Thomas lá e notei ele muito caidinho, mas feliz por ver o Thomas, conseguiu falar bem fraquinho, mas eu notei uma grande diferença entre sexta e domingo e não conseguia manter a cabeça ereta.

Na segunda ele estava pior ainda. Pouco falava, e quando falava era com muita dificuldade. Não quis mais fazer fisioterapia, mexia só as pernas, mas não mexia os braços e nem conseguia endireitar o pescoço. Tentei dar sopa pra ele, mas ele não engoliu e ficou com a boca caída. Saí de lá arrasada ontem de noite. O médico já sabia das mudanças no quadro dele mas só falava que era depressão. Aumentou até a dose do anti-depressivo. Mas eu notei que tinha algo muito estranho, aquilo não parecia depressão, parecia algo físico, neurológico. Os olhos dele não paravam pra olhar pra nada, só ficavam se mexendo de um lado pro outro sem parar.

Ontem de noite pedi pro Rob ligar pra United nos EUA porque eu não tinha conseguido nada aqui no Brasil no sentindo de aumentar a minha estada sem ter que comprar outras passagem. O Robert conseguiu falar com o supervisor que por motivo de doença aumentou a minha permanência em mais 90 dias, o que quer dizer que eu posso ficar até dia 19 de janeiro. Mas eu não vou ficar isso tudo não, devo voltar antes do Natal no máximo.

Hoje chego no hospital e meu pai está completamente inerte, sem responder a nada e a ninguém. Mal abre os olhos, que continuam mexendo de um lado pro outro, pupilas dilatadas. Não fala, não come, não se mexe. A neurologista e um outro médico fazem a avaliação (finalmente!!!!) e ordenam uma tomografia e depois disso CTI de novo. Ficamos esperando o resultado até umas 18h, mas o médico que estava lá disse que nada tinha sido encontrado na tomografia de crânio. Ele vai fazer uma ressonância magnética amanhã de manhã que deve mostrar algo muito pequeno que não pode ser detectado pela tomografia de hoje. As possibilidades são AVC, metástase ou outra infecção.

Dia 8 de novembro meu pai fará 4 meses de hospital.