Gwen (2 de julho de 2003 – 15 de outubro de 2009)

Nossa filhota de quatro patas se foi há  pouco mais de uma semana atrás por causa de um câncer chamado hemangiosarcoma. Esse tipo de câncer cresce nos vasos sanguíneos de órgaos ricos em sangue: baço, coração e fígado. É super agressivo e cresce muito rapidamente pela abundância de sangue, seu “alimento” principal. Não existe nenhum tipo de sintoma até que um ou mais tumores se rompam, fazendo o animal sangrar até morrer.

Naquela manhã ela estava normal, correndo e latindo pros cachorros na rua. Mas de tarde, ironicamente (por falta de palavra melhor), eu e Thomas estávamos assistindo a um programa infantil que tinha um cachorro igual a ela. Eu cheguei a falar “olha lá, quando a gente se mudar pra uma casa maior vamos comprar outra cadelinha pra fazer compania pra ela?”, e aí chamei ela pra fazer um carinho.

Ela olhou pra mim mas não levantou nem a cabeça. Só balançou o rabinho muito fraquinho. Ela conseguia dar uns passos e se jogava no chão. Vi que suas gengivas estavam brancas. Nem pensei em mais nada, peguei o Lucas e o Thomas e enfiei no carro. Peguei ela e não sei como consegui sozinha colocar ela dentro do carro, porque ela não tinha forças pra andar. Passamos o resto da tarde no veterinário de emergência, fazendo testes, até entendermos que mesmo fazendo cirurgia pra estancar o sangue, que ela não viveria muito tempo. A média de vida nesse caso seria de apenas uns 20 dias, visto que todos os órgãos dela já estavam rodeados de tanto sangue que ela perdeu tão rapidamente.

Foi com muito pesar e depois de muito chorar que vimos que não queriamos que ela passasse pelo o que ela já estava passando, por uma segunda vez, talvez até pior. O coraçãozinho dela trabalhando tão pesado, todos os órgãos sobrecarregados, a barriga distendida de sangue solto…

O Robert chegou pra nos encontrar e eles nos levaram para uma salinha à meia luz, onde sentamos no chão com ela. E ficamos lá por uma boa meia hora fazendo carinho nela. Ela tinha acabado de tomar soro e tinha um pouco mais de forças, mas não demorou muito pra ela começar a ficar fraca de novo e voltar a ficar sem levantar a cabeça do chão.. o rabinho ficando cada vez mais fraco.

O Robert e as crianças saíram da sala quando a hora chegou. Ela chegou a se levantar quando eles saíram da sala, mas desabou de novo. A veterinária chegou, me explicou o procedimento e o que poderia acontecer. Pra falar a verdade, eu pouco escutei o que ela falou. Nós, sentadas no chão da sala escurinha, fizemos muito carinho e eu só dizia pra ela “Good girl, you’re a good girl, Gwen“, porque era o que ela mais gostava de escutar, o que a deixava mais feliz.

Naquele momento eu só queria deixar a lembrança dela pra mais uma pessoa, e fiz questão de dizer à veterinária que a Gwen era uma cadela maravilhosa. Se a Gwen tocou tantas vidas pela docilidade, eu queria que mais uma pessoa soubesse naqueles últimos minutos.

A veterinária deu a injeção e antes mesmo da dose acabar a nossa filhota já tinha ído, estava tão fraquinha. Eu fiz carinho nela por mais alguns minutos e fui encontrar o resto da família na sala de espera.

Foi, disparado, a coisa mais difícil que eu já tive que fazer e nunca vamos nos esquecer da melhor cadelinha que já tivemos o prazer de dividir a vida.