Fim de ano

Ahhhh, o fim do ano é tão divertido!

No Brasil, era a certeza de ter dois ou três meses de férias de verão pra quem estuda, ou no mínimo uma ou duas semanas de recesso pra quem trabalha, sem contar com o Carnaval que é a cereja no topo do sundae. Praia, solzão, camarãozinho frito e churrasco fazem parte do dia-a-dia.

Aqui, o inverno está chegando. Em alguns lugares ele não perdoa quem se atreve a sair de casa, em outros significa apenas uma jaqueta mais grossinha e bochechas vermelhas. Faz sentido que as pessoas, em seu modo natural de auto-preservação, tentem compensar o fim de mini-saias e chinelos transformando esses meses de fim de ano numa época festiva, com muita fartura, muitos excessos, muitas compras…

Aqui em casa não é diferente. Uma pena que nos últimos dois anos eu estivesse tão pra baixo – na verdade acho que até rolou uma depressãozinha – por conta da morte do meu pai. Aliás, semana que vem vão fazer dois anos que ele morreu; parece que foi ontem que estava acordando lá no Rio, em choque por ter sido informada às 6 horas da manhã que ele tinha falecido cerca de 2h da manhã. Fiquei com muita raiva de não terem me acordado às 2h da manhã, mas a raiva na verdade é por ele ter morrido, não pelo tardiamento da notícia.

De certa forma, o fim do ano traz essas lembranças sempre. Eu revivo tudo de novo, todo ano. Talvez por causa disso as festividades sejam, mais do que nunca, importantes pra mim. São essas as lembranças boas que quero que o Thomas tenha enquanto cresce, não de uma mãe que fica deprê todo final do ano. Já bastam o tempo cinza e a chuva.

Então finalmente esse ano e saí daquele funk que eu passei e estou curtindo muito minhas músicas natalinas, que canto quase ensurdecendo os homens aqui de casa. Também tenho curtido imaginar a ceia de Ação de Graças e já pensando nas ceias de Natal e ano novo. Na árvore de Natal que quero comprar uma de verdade esse ano só pra sentir o cheirinho de pinheiro dentro de casa. Esse ano, por incrível que pareça, não quero presentes e nem estou pensando em excessos (de comida, de gastos); estou fatigada mentalmente e quero coisas simples como encher uma garrafa térmica com chocolate quente e ir brincar na neve. Quero mesmo é compensar a falta do Thomas e do Rob no dia-a-dia. A presença deles, as gargalhadas, os abraços e beijinhos que trocamos quando não existem preocupações, e aquela caneca de chocolate quente são as únicas coisas que importam pra afastar qualquer tristeza e aquecer o meu espírito.

Não vejo a hora de me mudar logo – final de semana do dia 7 de dezembro – pra poder ir correndo montar a árvore!