Decoração

Eu amo decorar. Desde pequenininha tinham duas coisas que eu fazia muito que chamava a atenção dos adultos: eu adorava desenhar plantas (eu acho que re-arrumei a casa de praia em Saquarema umas 20 vezes) e adorava mudar os móveis da nossa casa de lugar. Vira e mexe eu achava que do jeito que estava já tinha cansado e lá ía eu recrutar as empregadas pra me ajudar a arrastar sofás, buffets, etc.

Meu fascínio por decoração, porém,  sempre foi só isso. Nunca tive uma vontade muito grande de transformar isso na minha vida profissional. Vocês sabem que eu gosto é de ciências, genética, sanguinhos. Mas eu sempre fui antenada.  Nunca estudei decoração, nem design, nem nada gráfico e até hoje eu sofro com cores, mas sou auto-didata. Não me importo de errar e de persistir no erro, e meu gosto muda como eu mudo de roupa. Sou muito eclética. Apreciso do tradicional ao mais moderno minimalista, mas sempre acabo no meio termo.

E esse ecleticismo é que me dá dor de cabeça.  Tá, você pode alegar que não é ecleticismo e sim falta de formação acadêmica no assunto, e muito, muito medo de errar se eu optar pelos extremos. É, talvez você esteja certa. Mas a realidade é que eu quando a decoração é dos outros, eu consigo apreciar sim qualquer estilo. Consigo ver um quarto bem composto, onde tudo se encaixa perfeitamente, e admirar um quarto super ornado ou sala toda retinha. E sei criticar.

O problema todo começa a surgir quando eu tenho que fazer isso pra mim, começar do zero, ter a página em branco. É que nem escrever, não? Olha pro papel, faz-se um corte com navalha e deixa o seu sangue escrever as palavras. As milhões de opcões me dão um nó na cabeça, porque eu gosto de tudo.

Então eu resolvi fazer como os profissionais: guardar tudo o que eu realmente gostar e tentar avaliar o que realmente eu gosto, qual é o meu estilo – será que tenho que me preocupar em não deixar a moda influenciar no que eu posso achar que é meu estilo, ou é assim mesmo? Bom, de qualquer forma, ler artigos e blogs ad nauseam tem ajudado. MUITO. Sabe-se lá se daqui a alguns anos eu vou olhar pra trás e ficar toda arrepiada, mas a minha impressão é que não: Não concordo que existe mau gosto, acho que o que existe é uma sala mal decorada.

E eu falei isso tudo porque estou tendo a oportunidade de vender a maior parte dos meus móveis e começar do zero. A nova casa com certeza vai ser muito diferente das anteriores porque eu estou num outro estado de espírito, assim como o Robert. Eu, que gostava de cores sóbrias, preto, marrom, vermelho e tecidos pesados, agora me vejo adorando branco, leveza, o feminino, rosa, amarelo, laranja e muito mais linhas simples do que antes.

Decidi que o modus operandi ideal pra gente envolve procurar e pesquisar bastante antes de gastar 1 centavo sequer, reciclar coisas de segunda-mão e fazer outras coisas em casa mesmo. Já tenho uma idéia boa do que eu quero fazer. Ainda estou muito insegura, mas bem mais cuca fresca do que há alguns anos. Transformar móveis me dá mais segurança que eu posso transformá-los de novo quando eu bem quiser.

Assim, declaro aberta a estação de decoração aqui. Minha cabeça está a mil com muitos projetos além da decoração – parece até que o nascimento do Noah me deu um chute no traseiro e as idéias estão fervilhando. E vou precisar muito da ajuda de vocês!

P.S.: E parece que hoje baixou o santo do latim, então pra completar a regra de três de decoração, vou jogar mais uma palavra para o seu deleite: Argentum. Pronto!