Cheirinho de mar

Hoje eu estava lendo meus emails e tomando meu café com leite quando de repente eu senti, juro por deus, aquele cheiro de mar. Olhei pros lados e a única que poderia ter sido culpada de liberar qualquer tipo de aroma era a Gwen, mas dúvido muito que maresia-do-oceano-atlântico seja um dos ingredientes da sua ração.

Engraçado que o cheiro do mar daqui, ou o dos outros lugares do oceano pacífico que visitei, no Canadá, em Oregon e na Califórnia, não tem o mesmo cheiro que o mar do Brasil. Mas em Miami tinha. Talvez seja somente a minha impressão ou minha lealdade com o Atlântico. Sabe aquele cheiro de maresia mesmo, meio azedo até, que você vai chegando perto da praia e não tem como confundir? Aquele cheiro que fica entranhado na areia, que te acompanha no corpo até em casa? Pra mim, praia só tem dois cheiros, esse de maresia, e o dos biscoitos Globo. Nada como ficar com os dentes todos grudados com a maçaroca do biscoito e ainda por cima ouvir os crec-crec das areínhas que, não se sabe como, foram parar lá dentro da sua boca. Mas o cheirinho de mar, que nunca me fez a menor falta – talvez por ter crescido com tanta abundância de oceano – agora me faz lembrar que biscoitos de polvilho deviam fazer parte de qualquer infância assim como o cheiro de Coppertone, de picolés chinês pigando na perna, de camarão com casca, e de tatuís fazendo cosquinha na palma do pé.

Talvez seja difícil achar as mesmíssimas coisas aqui no hemisfério norte, talvez o picolé seja de outra marca, o biscoito seja “falsificado” e com certeza não vai ter camarão. Mas só o cheirinho de maresia vai me bastar um tantão. Ô, se vai.

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Tenham um bom dia dos pais (pra quem mora aqui em cima)!