Cartas do leitor

Eu adoro ler as “cartas do leitor” do meu jornal “The Seattle Times“. É super interessante ver o que o povão está pensando independente do que somos forçados a engolir pela televisão.

Moro num estado ultra-liberal (hippies e abraçadores de árvore, é por aqui mesmo) mas tem, claro, gente com todas as ideologias possíveis.

O maior tópico desta semana aqui (como no resto dos Estados Unidos), tem sido a proibição da maconha medicinal pela suprema corte. Os jornais locais estão tomados de estórias tocantes de velhinhos que precisam da maconha (prescrita pelo médico) para que não vomitem durante o tratamento de quimioterapia e assim consigam se alimentar adequadamente.

Não me levem a mal, sou contra a “maconhização” da sociedade, mas banir maconha medicinal é simplesmente cruel demais pro meu gosto.

Claro que lendo as cartas eu encontro os dois lados da moeda, mas eu não consigo levar a sério uma pessoa que manda uma carta assim:

“A corte suprema decidiu a favor das crianças americanas. Não existe maconha medicinal. A maconha não é um remédio, e é ilegal. Fim da discussão.

Fato: A maconha é pelo menos 30 vezes mais tóxica e 30 vezes mais perigosa do que há 30 anos atrás.

Fato: A maconha causa dano cerebral e faz aprender ser impossível por semanas ou meses depois de ter sido usada.

Fato: A venda da maconha suporta terroristas como Saddam Hussein, que planejou ataques como o de 11 de setembro.

A américa deve cair em cima dos usuários, incluindo aqueles que insinuam que usam drogas responsavelmente e parecem ser bem sucedidos. Se você usa maconha, você é um criminoso, e você deveria estar atrás das grades.

Aqueles que mandam esta mensagem a crianças de que a maconha é inofensiva ou que é um remédio devem ser interrogados.(…)”

Argh!

Mas aí sempre tem alguem pra fazer piada de toda esta situação, e eu acho até que foi proposital terem colocado esta carta logo depois da que vocês acabaram de ler:

“Como um cidadão que se preocupa, eu li a reportagem “Marcas de sangue não impedem entrada nos EUA”, na qual a imigração americana permitiu que um homem canadense(1) entrasse no nosso país após terem confiscado dele uma serra elétrica cheia de sangue, espada feita em casa, artigos de artes marciais, facas e um machado. Tudo o que eu posso dizer, é o seguinte: Graças a Deus que ele não tinha nenhuma maconha medicinal com ele!”

E eu só posso dizer uma coisa: tem muita gente usando antolhos por aí, mas pra cada um deles, sempre tem um sensato pra equilibrar.

(1) na verdade o homem era um americano que morava no Canadá e mais tarde foi preso por terem descoberto, quem diria, que ele tinha matado e esquartejado um casal com aquela mesma serra elétrica.