Brasil em Seattle

Quando eu já estava saindo pra ir pro jogo, a Luciana me liga de Austin pra dizer “Olha, a Heliene está sem seu telefone e disse pra te avisar que não estão deixando MESMO entrar com câmera lá no estádio.” Isso só confirmou o que a gente já desconfiava – nós ligamos pro departamento de segurança do estádio e eles disseram que se a câmera se parecesse profissional, ou se a lente saísse, que não íam deixar entrar. Droga ao cubo, né? Mas tudo bem, só o Blackberry salva!

Meu coração começou a sair pela boca quando estávamos chegando lá. Eu gosto de ver jogo pela televisao (ou seja, jogo de Copa) mas eu fico MUITO nervosa assistindo, numa ansiedade danada. Só quem já me viu numa situação dessas sabe: fico balançando as pernas o tempo todo, mexendo os dedos, RANGENDO e TRINCANDO os dentes (tem mais essa, né? Descobri recentemente que eu tenho essa mania, estou tentanto parar), cara, o que tem de errado comigo?

Tentei disfarçar o nervosismo quando estávamos ainda no carro, explicando ao Thomas sobre o jogo, sobre o que íamos ver no estádio, cantando os hinos do Canadá e do Brasil e brincando de descobrir quem estava indo ao jogo. Essa última não foi difícil já que as ruas próximas ao estádio estavam tomadas de brasileiros, canadenses e americanos. Durante o jogo, declaram no auto-falante que 47 mil pessoas estavam lá naquela noite, mas como vocês podem ver pelas fotos muitas cadeiras ainda estavam vazias.

Chegamos lá e os times estavam no gramado se aquecendo. Faltavam 8 minutos pro jogo começar. Um grupo de brasileiros batucaram um samba bem perto da gente durante o jogo inteiro, fazendo a vez de uma trilha sonora “de estádio”. Cornetas urravam o tempo todo. Depois cantamos os hinos, dos EUA, do Canadá e por último o do Brasil, todos com a mão no peito (a pedido do Thomas): que maravilha fazer parte de três comunidades diferentes e nos orgulhamos muito de serem  a identidade do Thomas. Mas mais tarde eu disse pra ele que eu o admirava muito por saber adorar os três países por igual, que não é qualquer pessoa que conseguiria fazer isso. Mas o Thomas estava lá naquela noite pra torcer pro Brasil.

O jogo começa e eu digo pro Thomas “sabe aquele de chuteira vermelha, é o Robinho. Um dos melhores jogadores do mundo. Talvez ele faça um gol pro Brasil hoje” E pronto. Robinho virou ídolo número 1 do Thomas, que passou EM PÉ o primeiro tempo inteiro com os olhos grudados na bola e nos dribles e na mágica que o time brasileiro fazia a cada jogada. Quando se distraia um pouquinho, depois voltava com os olhos procurando e perguntando “Cadê o Robinho, mamãe, cadê o Robinho?” As chuteiras vermelhas ajudaram bastante..

O jogo foi bem legal. Longe de mim fazer comentários contra um dos times, já que eu não entendo muita coisa de futebol. Mas eu estava lá pra ver os gols e saí satisfeita. O Thomas que o diga. Pulamos muito a cada gol, cantando “Olê, Olê, Olê, Olá, Brasil, Brasil!” e ele curtiu muito fazer o “ôla” (onda, wave) com o estádio inteiro. Ficou meio chateado com os gols do Canadá, abaixou a cabeça, mesmo explicando que ele era 50% canadense. Se foi difícil pro Robert conciliar a idéia dos dois países jogando um contra o outro, imagina pro Thomas. O Rob, coitado,  vestido com a camisa oficial da seleção que a minha mãe fez questão de mandar do Brasil justamente pra esse jogo, com uma cartola verde amarela (eu devia ter tirado foto, ele parecia o Tio Sam brasileiro), mas roendo as unhas pros dois times. Hilário.

Mas uma lição deve ter ficado pro Thomas, agora que ele tem participado de vários esportes: aquela velha estória de que não importa quem ganhe, o que importa é o espírito esportivo. E eu já notei que o esporte é o que vai me ajudar a moldar o caráter dele, pois já carrega um forte instinto de liderança e a última coisa que quero é que seja do tipo arrogante.

 

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