Aprendendo a dirigir o Motorhome – Parte 3

Antes que pudéssemos falar A,  estávamos na casa do amigo do Robert entrando no motorhome pela primeira vez.  Vou falar especificamente dos motorhomes Classe A, que são aqueles que parecem um ônibus mesmo. Existe também classe B, C (o C é maior que o B, não me pergunte..).  Eu já tinha dado uma olhada boa no que poderia ser tão diferente mas realmente só estando lá dentro pra entender a dimensão do problema. Antes de ir, eu estava confiante de que eu ía dirigir 39 pés (quase 12 metros) de carroceria, mas depois disso não fiz mais questão não. Claro que numa emergência eu não teria problema em dirigir mas, sinceramente, fico mais à vontade sentada no meu banco de co-piloto, dando pitaco na direção do Robert (no meu caso era mais aquele barulho de prender a respiração em desespero) e outras co-pilotagens.

O amigo do Rob logo nos entregou 4 ou 5 folhas impressas de cada passo de tudo que se pode imaginar. Então era algo assim:

Antes de Sair (fazer todas as vezes antes de sair)

1. ligue o pré-aquecimento do motor 2 antes antes de sair.

2. verifique a pressão dos pneus (110-116 na frente, 94-100 atrás)

3. cheque o óleo, nível hidráulico, nível de água, filtro de ar.

4. verifique se não tem nenhum animal no compartimento de baterias.

5. prepare o reboque (quando a gente ainda pensava que rebocar seria mamão com açúcar)

Saída

1. remova o cabo da televisão

2. remova a água e ligue a bomba elétrica

3. conecte a mangueira de enxague

4.  lubrifique a mangueira de água do banheiro com alguma água da cozinha.

5. esvazie o tanque de água do banheiro.

10. adicione o líquido azul dentro da privada

11. adicione meio galão de água na privada

12. desligue o equipamento de alta voltagem

….

21. verifique a carga

22. feche a extensão do quarto

24. retraia os suportes de nivelamento retráteis.

25. infle a suspensão

28. pode sair.

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Quatro horas depois  de  ver como se fazer cada uma dessas coisas (mais as outras páginas) duas vezes e como fazer se algo der errado, nós finalmente ligamos o troço e fomos pra rua. Agora é fácil pra eu dizer que é tudo tranquilo, mas dessa primeira vez eu estava confinada atrás dos bancos da frente não consegui ver muita coisa. Estava tudo ok até ele decidir ensinar o Rob como usar as marchas (que na verdade são botões perto da janela) e os freios de compressão descendo numa ladeirona em semi-alta velocidade. O que acontece é que, por causa do peso do motorhome e assim como caminhões e ônibus, você não pode usar o freio de pedal por longos períodos de tempo. Se você o fizer, pode ser que não exista mais freio pra próxima ladeira, e isso é importante se você estiver descendo uma serra, por exemplo. Então você tem que ir reduzindo a marcha e usar dessa forma, e se a marcha não for suficiente, usa-se o freio de compressão. O ponto do teste era realmente chegar numa velocidade tal que você consiga controlar o motorhome só com essas alternativas, e foi tudo do tipo “muito raramente você vai se encontrar numa situação dessa, mas você precisa estar preparado E confiante na máquina”. Posso dizer que o Rob passou pelo teste de fogo com a melhor nota possível, mas nessa altura do campeonato a supracitada lista que ele nos deu e que eu segurava já tinha virado uma bola amassada com meu nervosismo.

Depois fomos praticar estacionar no pátio de uma escola que estava fechada. Quer dizer, o Rob foi aprender a fazer umas manobras mais apertadas e eu fui aprender como me comunicar com ele do lado de fora, já que é praticamente impossível estacionar de costas sozinho. Bom, pelo menos se você prezar a integridade do seu RV. A julgar pelos pedaços de silver tape que vimos no pára-choque traseiro, nem os mais experientes escapam. Então eu fiz aqueles sinais que a gente aprende com os flanelinhas do Rio de Janeiro e foi tudo bem.

Voltamos pra casa dele e demos uma olhada no reboque mas o Rob já tinha falado que não se sentia confortável em rebocar dessa primeira vez pra ir pra Walla Walla e que ía pensar se ía querer pra viagem da Califórnia, dependendo de como fosse na primeira viagem. Eu concordo que foi a decisão mais sensata por vários motivos, mas os mais importantes são: 1) fazer curva (assim como dar arrancadas pra passar pra outra pista) já é uma dificuldade sem reboque e muitas vezes requer colocar o motorhome na contra-mão por uns instantes, xingar deus e a mãe, imagina com mais vários pés atrás pra calcular; 2) rebocar acrescentaria um tempo considerável (1 h mais ou menos, pelo menos das primeiras vezes) pra fazer todas as conexões toda vez que a gente tivesse que mudar de “hotel”; 3) não são todos os carros que podem ser rebocados com as 4 rodas no chão (chamado de flat-towing ou  dinghy-towing) por causa do fluido de transmissão, principalmente em carros automáticos e com tração nas rodas da frente. Então você tem que procurar saber se o modelo do seu carro tem lubrificação suficiente (pra não acabar com a transmissão, claro!) pra isso. Infelizmente descobrimos que nenhum Toyota (os nossos dois carros são Toyota, infelizmente), Lexus ou Scion *automático* tem lubrificação suficiente pra isso, porque o motor precisa estar rodando pra lubrificar a transmissão. Alguns manuais podem e outros não, mas tipicamente um veículo pode ser rebocado com as quatro rodas no chão se tiver tração nas duas rodas de trás e transmissão manual, ou tração nas quatro rodas com caixa de transferência manual que possa ser colocada em ponto morto. Existem dispositivos que podem ser adicionados pra fazer o carro ser rebocável, como uma bomba de lubrificação, mas eles são caros e não necessariamente confiáveis. Como não nos interessa gastar dinheiro com isso, vamos alugar carro quando precisar.

Depois disso nos sentimos preparados, um pouco nervosos e super ansiosos pra começar logo a aventura!