A moleza acabou

Primeiro tenho que contar a última do Thomas:

Eu, vendo um comercial que dizia que daria mil dólares pra quem fizesse algo (não lembro o que): “Olha lá Thomas, temos que ganhar mil dólares…”

Ele me interrompendo: “Não mamãe, temos que ganhar um milhão de dólares!!!”

Leia sobre o meu primeiro dia de aula abaixo:

O primeiro dia de aula foi tranquilo. Estou começando a perceber um padrão desde que eu comecei a estudar aqui: quando no primeiro dia de aula tudo dá errado, o resto do período inteiro é uma droga. Acho que é um bom sinal então, que eu tenha tido um dia excelente hoje no meu primeiro dia.

Eu comecei o dia meio mal, quando saí um pouquinho atrasada mas errei a entrada do Park and Ride (estação de ônibus locais com estacionamento) e demorei um tempão até achar uma vaga, o que me fez achar que ía perder a primeira aula. Sem contar que a via expressa estava parecendo um estacionamento, nada andava. No entanto, mesmo pegando o ônibus que passa 15 minutos mais tarde, consegui chegar 1 minuto antes da aula começar.

As paradas dos ônibus não podiam ser melhores, não preciso andar muito, o que significa que não preciso morrer de frio e nem sair mais cedo de casa. Os ônibus que eu tenho que pegar estão com um horário excelente também (não são um atrás do outro como Brasil e eles tem horário certinho) e nunca preciso ficar esperando mais do que 5 minutos no ponto. Acho maravilhoso não ter que dirigir em Seattle, que é tumultuado como qualquer centro de cidade.

Foi uma sensação no mínimo diferente, chegar na minha aula de Bioquímica sem estar zonza de sono, eu até entendi tudinho! Olha que beleza! Consertaram o sistema de som do auditório (de 700 lugares, com uma acústica horrível) e consegui escutar o que o professor falava. Adorei o professor, muito eloquente e te prende no assunto – no período passado tivemos 3 professores pra Bioquímica e achei todos péssimos, dava vontade de dormir na aula.

Esse período não tenho tempo vago entre uma aula e outra (somente 10 minutos pra andar de um prédio pra outro) então saí pro prédio de ciências de saúde onde tenho todas as outras matérias. A aula seguinte, de bacteriologia médica, foi interessante. O professor é um médico e ele é o esteriotipo de médico americano, beirando o agressivo, mas isso não me incomoda nem um pouco. Gostei dele porque, como o primeiro professor, é muito eloquente (detesto professor que fica fazendo pausa, pensando no que vai falar, sem passar muita certeza ou sem explicar direito) e a aula dele é impecável. Achei engraçado que apesar de ser jovem e bonitão, estava com uma gravata borboleta.

A última aula é uma combinação de teoria e prática, microbiologia médica, e a professora é muito fofa. Daquelas que te pega na mão e ensina tudo mastigadinho. O conteúdo do curso meio que decepcionou, porque tem muita gente na minha turma que não está cursando microbiologia e alguns nunca tiveram aula de microbiologia, como pode??? Puxa, esses vão se descabelar memorizando tudo! Hoje mesmo não vi ninguém anotando o que a professora dizia, coisas importantes que vão estar no teste de semana que vem. Tá bom, né…

Achei a primeira aula igual a primeira aula de introdução à microbiologia, mas vamos ver o que vem pela frente. No primeiro dia de aula nós sempre recebemos o roteiro do período inteiro, então já sei que a segunda metade da matéria vai ser bem mais interessante do que a primeira, porque vamos analizar amostras de cocô, xixi, catarro, sangue, essas coisas. Mas por enquanto vamos ficar só acumulando conhecimento sobre os bichinos que vivem lá, muitos deles eu já estudei bastante.

Amanhã tenho mais uma matéria que é de genética, e o laboratório dela com certeza vai ser divertido apesar de que é a que eu tenho menos experiência com as técnicas.

Espero que o resto do período seja tão bom quando o primeiro dia. Eu detesto o período de outono (o passado) porque eu fico toda melancólica que o verão acabou além de demorar a pegar no tranco depois de 5 semanas de férias. Mas no inverno eu já estou no embalo e já esperançosa que a linda primavera logo estará por aqui, antes mesmo do período acabar.

Os nossos invernos são chuvosos, mas nunca apreciei tanto o Sol e as flores como depois que vim morar aqui. Acho legal tem essa variação de estações porque amo todas igualmente. Tá, podia ter mais Sol no inverno (o que me chateia não é nem a chuva, mas o céu cinzento e os dias curtos), mas pelo menos os nossos frios não são tipicamente muito mais rigorosos do que no sul do Brasil. Adoro quando fevereiro e março chegam e os primeiros brotinhos começam a sair da terra, os animais todos tendo seus filhotinhos (no maior estilo Bambi) e o Sol aparecendo mais. Mas o inverno também é uma estação fantástica pra quem sabe aproveitar em vez de choramingar a falta do Sol e do calor. Não existe ar mais puro (que parece que limpa todo o seus aparelho respiratório cade vez que você inspira), Sol mais desejado esquentando as bochechas e as pontas do dedos, aromas mais prazeirosos (de café, de pão quentinho, de sopa de abóbora, do chocolate quente), paisagens mais impressionantes, visão mais esplendorosa (da neve caíndo, que ainda me encanta) do que aqueles de uma linda manhã de inverno. Se tenho que aturar o céu cinzento pra ter que experienciar isso tudo, BRING IT ON!