A casa, a água e a luz

Nós finalmente temos uma oferta pela casa – após abaixar o preço semana passada – uma pena que é contingente, o que significa que a pessoa precisar vender a casa dela primeiro. Seguimos esperando uma oferta pra ontem, mas com essa de garantia. Ofertas contingentes pelo menos são pelo valor total da casa, porque ninguém é doido o suficiente pra dizer: “Olha, vou comprar a sua casa quando a minha vender, tá? A propósito, só vou pagar 95% do valor que você está pedindo”. Se bem que, com o mercado do jeito que está, tudo é relativo.

E nós também achamos a nossa nova casa, depois de meses procurando algo que unisse o útil ao $agradável$. A não ser que a pessoa esteja indo prum lugar mais desvalorizado ou pra uma casa menor, mudar de casa, invarialmente, significa gastar mais dinheiro. Pensamos até em alugar uma casa temporária bem pertinho da universidade pra gente poder ficar até eu me formar (daqui a 17 meses hehehe), mas como surgiram vários incentivos por parte do governo depois da queda vertiginosa do mercado imobiliário, resolvemos aproveitar a onda e pegar o bom dinheiro que essa casa rendeu (no tempo das vacas gordas) e aplicar numa outra que pelo menos, é mais perto de tudo.

A casa tem seus defeitos, claro. A casa é uma graça, mas o jardim é quase negativo de tão pequeno. O Robert está super feliz, eu nem tanto, mas também não estou tão preocupada porque realmente não tenho tido tempo nem paciência pra cuidar. Como sei que essa casa não é a nossa casa dos sonhos – a que a gente já tá planejando há anos que vai construir do zero – eu não reclamo. Mas vou sentir saudades das minhas cerejeiras.

Já a parte de dentro é enorme, é 50% maior do que a minha atual. E a rua é pequena, somente de 18 casas construídas em 2002, sem saída. Ela fica dentro de um outro condomínio aberto de casas mais antigas mas caríssimas, cada um mais linda que a outra. O tempo pra eu chegar na UW vai cair de 1h40min pra 35 minutos, e vou economizar bastante gasolina já que o ponto de ônibus é 5 minutos de distância (e não 50 minutos de distância como agora).

Vai ser uma experiência diferente, mas achamos que esse momento é apropriado pra essa mudança. Não sei se vou ficar lá por vários anos, mas sei que vou ficar pelo menos até eu me formar. Dessa forma, vamos poder começar a botar em prática o sonho de construir a nossa casa do zero com um jardim bem grande e sem nenhum vizinho chato pro perto pra implicar com futuras ovelhas e galinhas.

Eu tenho ficado tão ansiosa com a mudança que o Thomas tem sido o meu melhor amigo pra conversar sobre a casa. Pro Robert tudo o que eu fizer está bom com relação a decoração da casa, então nem é legal conversar com ele. Já o Thomas adora conversar sobre as cortinas, a cor da cama que preciso comprar pra ele, onde vamos colocar os sofás, etc… só que até ele fica cansado da minha insistência com o assunto:

Estávamos deitados na cama juntos e conversando até que não mais que de repente: 

Eu: Thomas, vamos falar sobre a casa?

Ele: Ah, não, vamos falar de outra coisa. De que é feita a água?

Eu, pensando “ah que maravilha, meu cientistazinho puxou a mãe” –  Bom, a água é formada de dois hidrogênios e um oxigênio. Eles ficam no ar e são muito pequenos que a gente não pode ver (ele já conhece vírus e bactéria, então esse conceito não é tão complicado agora) e os dois hidrogênios ficam assim colados no oxigênio que nem as orelhas do Mickey (eu mostrando com os meus punhos fechados). Isso é chamado de molécula da aguá. Quando elas estão no calor, como quando a gente ferve a água ou toma banho muito quente, elas olham uma pra outra e falam “ai, tá muito quente, chega pra lá” e assim elas ficam separadas uma das outras como no vapor que a gente vê. Quando elas não estão nem com calor nem com frio, elas ficam perto um do outro e assim é a água que a gente bebe. Quando eles estão com muito frio, eles ficam assim: “Aiii, brrrr que frio, chega mais pertinho de mim, vai!” e ficam muuuuito pertinho uma da outra e assim é o gelo.

Ele vai e repete tudo o que eu disse, feliz da vida e continua: E de que é feita a luz?

E eu, com lágrimas quase rolando de emoção, não sabia que ía invocar o Einstein tão cedo: Bem, a luz é formada por pacotinhos de energia chamada fótons e …

 Thomas, me interrompendo: Mamãe, vamos falar sobre a casa?

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Isso só me diz uma coisa: Quando um homem estiver recusando conversar sobre coisas de mulher, comece a falar sobre coisas muito mais chatas e enjoativas, que assim ele fala de cortina rapidinho!