Gwen (2 de julho de 2003 – 15 de outubro de 2009)

Nossa filhota de quatro patas se foi há  pouco mais de uma semana atrás por causa de um câncer chamado hemangiosarcoma. Esse tipo de câncer cresce nos vasos sanguíneos de órgaos ricos em sangue: baço, coração e fígado. É super agressivo e cresce muito rapidamente pela abundância de sangue, seu “alimento” principal. Não existe nenhum tipo de sintoma até que um ou mais tumores se rompam, fazendo o animal sangrar até morrer.

Naquela manhã ela estava normal, correndo e latindo pros cachorros na rua. Mas de tarde, ironicamente (por falta de palavra melhor), eu e Thomas estávamos assistindo a um programa infantil que tinha um cachorro igual a ela. Eu cheguei a falar “olha lá, quando a gente se mudar pra uma casa maior vamos comprar outra cadelinha pra fazer compania pra ela?”, e aí chamei ela pra fazer um carinho.

Ela olhou pra mim mas não levantou nem a cabeça. Só balançou o rabinho muito fraquinho. Ela conseguia dar uns passos e se jogava no chão. Vi que suas gengivas estavam brancas. Nem pensei em mais nada, peguei o Lucas e o Thomas e enfiei no carro. Peguei ela e não sei como consegui sozinha colocar ela dentro do carro, porque ela não tinha forças pra andar. Passamos o resto da tarde no veterinário de emergência, fazendo testes, até entendermos que mesmo fazendo cirurgia pra estancar o sangue, que ela não viveria muito tempo. A média de vida nesse caso seria de apenas uns 20 dias, visto que todos os órgãos dela já estavam rodeados de tanto sangue que ela perdeu tão rapidamente.

Foi com muito pesar e depois de muito chorar que vimos que não queriamos que ela passasse pelo o que ela já estava passando, por uma segunda vez, talvez até pior. O coraçãozinho dela trabalhando tão pesado, todos os órgãos sobrecarregados, a barriga distendida de sangue solto…

O Robert chegou pra nos encontrar e eles nos levaram para uma salinha à meia luz, onde sentamos no chão com ela. E ficamos lá por uma boa meia hora fazendo carinho nela. Ela tinha acabado de tomar soro e tinha um pouco mais de forças, mas não demorou muito pra ela começar a ficar fraca de novo e voltar a ficar sem levantar a cabeça do chão.. o rabinho ficando cada vez mais fraco.

O Robert e as crianças saíram da sala quando a hora chegou. Ela chegou a se levantar quando eles saíram da sala, mas desabou de novo. A veterinária chegou, me explicou o procedimento e o que poderia acontecer. Pra falar a verdade, eu pouco escutei o que ela falou. Nós, sentadas no chão da sala escurinha, fizemos muito carinho e eu só dizia pra ela “Good girl, you’re a good girl, Gwen“, porque era o que ela mais gostava de escutar, o que a deixava mais feliz.

Naquele momento eu só queria deixar a lembrança dela pra mais uma pessoa, e fiz questão de dizer à veterinária que a Gwen era uma cadela maravilhosa. Se a Gwen tocou tantas vidas pela docilidade, eu queria que mais uma pessoa soubesse naqueles últimos minutos.

A veterinária deu a injeção e antes mesmo da dose acabar a nossa filhota já tinha ído, estava tão fraquinha. Eu fiz carinho nela por mais alguns minutos e fui encontrar o resto da família na sala de espera.

Foi, disparado, a coisa mais difícil que eu já tive que fazer e nunca vamos nos esquecer da melhor cadelinha que já tivemos o prazer de dividir a vida.



Welcome to this place, I’ll show you everything

Ufa. Lucas, você fez um mês segunda passada e só agora eu tive um tempinho maior (mais importante ainda, um tempinho com duas mãos livres) pra poder contar como esse mês foi.

Vou começar contando o quão deliciosamente gostoso você é. Já tinha me esquecido como cheiro de bebê é intoxicante, a gente fica te enchendo de cafunés o dia (e noite) inteiro. Mesmo quando meus olhos mal conseguem ficar abertos às 4h da manhã, eu ainda te cheiro muito, e isso me dá uma injeção de ânimo – aposto que é a natureza se incubiu de colocar esse cheirinho nas crianças justamente pra que a gente acorde de bom humor de madrugada. Perpetuação da espécie, claro. Seu pai me olha com os olhos mais esbugalhados quando eu digo que eu quero ter mais um, como tínhamos combinado antes de casar. Ele agora só me responde assim: “podemos combinar isso quando esse aqui estiver dormindo a noite inteira?”. Fair enough.

Agora, você tem refluxo, uma pena. Eu também tinha quando nasci, e sua avó me conta até hoje as estórias de horror que a deixou traumatizada pra vida inteira (oi, mãe!). Mas não liga não, você está em boa compania – a metade da nossa família tem refluxo daqueles pra vida inteira, mas você é capaz de sair como eu e ter isso somente na infância. Felizmente o nosso problema é mais de lavanderia do que médico e isso não o tem incomodado muito -  você tem engordado maravilhosamente bem. Depois conto com mais detalhes sobre a sua alimentação, que é muito complexa, exige um PhD. Mas por agora você está aproveitando bem ficar nos nossos colos mais do que os nossos braços podem aguentar.

Uma coisa que não sei se é peculiar: quando você está com dificuldades de dormir, você aprecia uma massagem na sola do pé e dorme rapidamente. Eu morro de rir, porque você passa de irritadiço e resmungão para o sono mais tranquilo do mundo em um piscar de olhos, assim que eu começo a massagear o seu pezinho.

Seu irmão não acha muito excitante essa sua idade ainda tão pequena. Você ainda leva uma vida deliciosamente chata para uma criança de 6 anos, mas isso não impede que ele te admire e te ame demais. Ele está aprendendo a conversar com você sem esperar resposta – o que é impressionante, já que ele não fecha a boca por um segundo sequer em qualquer outra ocasião, mas fica sem saber o que falar quando está com você.

Agora que os vovós voltaram pro Brasil e seu pai voltou a trabalhar, somos só você e eu na maior parte do tempo. Não vejo a hora de você começar a demostrar que nos conhece, embora você já prefira o meu colinho mais do que o do papai (ha ha!). Também já se acalma quando eu digo “já vai”, porque sabe que vai ser alimentado logo, logo. Pensando bem, não vou correr o tempo não, deixa assim como está. Você cabe certinho nos meus braços e eu não sei como vou fazer pra eternizar esse cheirinho tão bom e essas noites que passo acordada trocando várias vezes as suas roupas (e as minhas roupas) e lencóis que invariavelmente ficam todos sujinhos de leite, xixi e às vezes também, um cocozinho. Ah, que essas noites não acabem nem um minuto cedo demais.



Geek in training

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Mais fotos no Flickr ou Orkut.



Lucas

IMG_0347Nosso fofinho chegou ontem, dia 14 de agosto de 2009, à 1h e 8 min da tarde (horário do Pacífico), pesando 7lbs 12oz (3.504kg) e medindo 21 polegadas (53,34 cm) – praticamente as mesmas medidas do Thomas. Tudo correu muito bem, o hospital está sendo ótimo e devo estar indo pra casa amanhã.

Estamos muito felizes e apaixonados, apesar do pouquíssimo sono, mas eu pessoalmente estou radiante de ter tido a experiência de parto que eu planejei e melhor ainda do que eu esperava, minha recuperação está sendo ótima e os médicos e enfermeiras têm sido excepcionais. Lucas se parece com Thomas, mas não exatamente um clone; seus olhos são diferentes, tanto a cor, quanto o formato e os cílios. O nariz é um pouquinho mais larguinho, mas a boquinha é exatamente igual ao do Thomas, assim como o queixo.

Thomas está completamente encantando com o irmãozinho e ficou surpreso, por exemplo, ao ver que ele não tinha dentes. Verificou todo o corpinho dele assim que chegamos no quarto e fez mil perguntas pra gente e pras enfermeiras. Ficou fascinado no Lucas e pouco piscou, não queria perder nem um momento. Depois chegou pra mim e disse “mamãe, obrigado por nos dar um bebê”. Tem coisa mais preciosa?

É só clicar na foto pra ver o restante das primeiras fotos que o Rob tirou nas primeiras horas de vida do mais novo Svilpa.



Chá de bebê

 

IMG_5735No final de semana do dia 20 de junho, a minha amiga Luciana veio do Texas com a sua família pra organizar o meu chá de bebê. O restante das fotos está aqui. Foi uma tarde muito especial, uma pena que algumas meninas não puderam vir! Muito obrigada, Lu, estava tudo muito lindo!! O tema da festa foi “Menino do Rio”, então tudo na decoração remetia à praia. A Luciana até comprou água de coco pra completar o clima de verão praiano e tivemos peixinhos dourados de verdade decorando a mesa.

Foi tudo feito com muito carinho e capricho, as comidinhas estavam deliciosas e o jogos também. O calor que estava nos matando deu uma trégua naquele final de semana e foi ótimo reunir o mulherio aqui em casa pra muitas gargalhadas, contar “causos” e claro, falar muito de bebê, gravidez, essas coisas. Foi muito gostoso!

Depois de vários meses cansativos demais, evitando sair de casa e furando sempre com as amigas, pude finalmente dar uma trégua nisso tudo, botar as dores, os inchaços e mal-estar de lado e ficar rodeada daquelas que tem tudo a ver comigo – meninas, sem vocês a vida aqui seria muito menos feliz!

Enquanto a nossa turminha de Seattle (e desgarradas como a Luciana hehehe) toda entra na década dos 30, podemos olhar pra trás e ver como é bom ter certeza que tomamos decisões certas e erradas, mas que independente disso, todas as decisões foram válidas. Nada como sentar no banco do carona da vida pela primeira vez em muito tempo e saber que somos bem resolvidas, bem amadas, completas, com famílias lindas e saudáveis e melhor ainda, saber que o futuro só vai ficar mais brilhante. A nossa década de 30 é mais calma, menos apressada, menos falante e mais ouvinte, nunca diz nunca e tem muito menos certeza das coisas, como costumávamos ter. Deixamos de tentar ganhar as coisas no grito e de “ter aquela opinião formada sobre tudo".

A nossa felicidade está nas coisas mais simples, como um beijinho do filho dizendo “mamãe, você é maravilhosa!” assim que você abre os olhos de manhã ou no maridão que massageia suas pernas todas as noites antes de dormir pra evitar as temidas cãimbras de gravidez e que diz que você é linda mesmo estando enorme e cheia de espinhas.

Só posso dizer que depois dessa tarde festiva, não tenho nada do que reclamar ou pedir da vida, nada mesmo. Só posso agradecer por ter amigas tão queridas que me acompanham ao longo dos anos desde 2001 e que me deram o privilégio de dividir a vida delas comigo formando a família que a gente pôde escolher aqui no Norte.

Pensando bem, gostaria de pedir menos dores durante a noite, pra que eu não precise acordar todas as vezes que eu me virar na cama. Obrigada desde já! ;)



O irmão mais velho

Semana passada, levamos o Thomas numa aulinha que explica como a vida vai ser quando o bebê nascer. Na verdade, eu nunca tive a preocupação que ele fosse ficar com ciúmes ou algo do tipo, mas achei que ía ser interessante ver como ele se portava.

Era um grupo de 8 crianças e o Thomas era o mais participativo, não largou o boneco durante todo o tempo (1h e meia), deu beijinho, olhou olhos nos olhos, enrolou no cobertorzinho com todo o cuidado (enrolou e desenrolou umas 3 vezes até sair perfeito), colocou fralda e vestiu (engraçado a sua persistência em descobrir como a fralda se encaixaria antes da professora mostrar) e aprendeu a fazer brincadeiras com o rosto para interagir com o bebê. Também ouviu 9 minutos de um bebê chorando no gravador pra ver como é barulhento e pode ser estressante. Enquanto o bebê chorava, as crianças tentavam adivinhar o que poderia estar causando o desconforto no bebê.

Viram um filminho que mostrava como irmãos mais velhos são importantes e como são amados “just the same”, mas que o bebê demandará mais atenção o que é tudo bem. No final, nós fizemos um tour pela maternidade e as crianças fizeram perguntas. Imagina um monte de criança carregando as bonecas todas enroladinhas pelos corredores – as enfermeiras acharam uma gracinha. Voltamos pra essa sala e fizemos colagens de papel com as cores que os recém-nascidos identificam melhor, com contrastes, e colamos adesivos em um ímã de geladeira como presentes do Thomas para o bebê. Saímos de lá satisfeitos e confiantes de que o Thomas vai ser um ótimo irmão mais velho.

 

 

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Aquela tarefa chata..

Estou upgradeando o WordPress, então vai ficar bagunçadinho por um tempo.



Nesting?

Nesting é a palavra em inglês pra quem está fazendo o ninho. Dizem que quando a mulher fica grávida, o instinto de nesting fica bem aguçado do meio pro final, quando surge uma energia do nada e a mulher fica meio doida arrumando as coisas em casa esperando pelo bebê. A Heliene começou cedo – do outro dia ficou até altas horas da madrugada arrumando temperos em ordem alfabética!

Com o Thomas eu só me lembro mesmo de ter pintado a casa inteira por dentro *sozinha* e o Robert chegava em casa e eu coberta de tinta falando “olha amor, acabei de pintar o teto!!!”.

Dessa vez, nada parecido aconteceu ainda. Ou melhor, aconteceu sim. Na minha cabeça. No meu mundo de conto de fadas, eu teria a disposição de um leão e estaria agora mesmo fazendo altas coisas. Mas mesmo a menor delas, que é passar numa florália da vida pra comprar milhares de flores pra plantar do lado de fora, me dá vontade. E quem me conhece sabe que essa é uma das minhas atividades preferidas.

No entanto, o telefone serve pra isso. No meu nesting meio capenga, eu já tive a faxineira hoje cedo deixando a casa perfumada, já chamei o limpador de janelas que também lava as calhas de chuva e o telhado e agora só fica faltando o cara que lava os carpetes. Foi um longo e tenebroso inverno, daqueles que não se levanta nem um dedinho do pé pra arrumar a casa. Mas logo, logo, ela vai ficar prontinha e limpinha esperando o nosso filhote mais novo chegar.

Semana que vem a gente começa a pintar o quartinho. A gente é meio piada, eu já volto toda quebrada só de usar o microscópio, imagine pintar uma parede..



BFF

Thomas ganhou um par de óculos na semana passada e eu *preciso* tirar uma foto dele pra vocês verem que gracinha que ficou. Ele tem usado e cuidado direitinho, mas ontem foi o primeiro dia que ele apresentou a nova imagem na escola. Nunca poderia imaginar que fosse fazer tanta diferença no dia-a-dia dele, pra melhor!

Chegando da escola, o seguinte diálogo aconteceu:

Eu: E aí, Thomas, como foi o primeiro dia de óculos na escola?

Thomas: Foi legal, a Erica e a Katie agora são minhas amigas.

Eu: Ué, elas não eram suas amigas antes?

Thomas: Mais ou menos, mas agora elas disseram que eu estou muito fofinho de óculos. E agora eu também faço parte do clube secreto.

Eu: Clube secreto? Quem faz parte desse clube?

Thomas: A Erica, a Katie, a Diana, e agora, eu.

Eu: Ah, que legal!

Thomas: É, mas eu ainda não sou o BFF* delas.

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* BFF: best friend forever; gíria usada pela maioria dos adolescentes por aqui. Acho que começou com a Paris Hilton.



O parto

Gostaria de deixar bem claro que dispenso “conselhos” de quem quer que seja, de como devo ou não devo parir. Eu acho hilário que gente que nunca passou por um parto vir me dizer o que fazer com o meu corpo. Hilário não – nojento.

O fato é que ninguém passou pelo o que eu tive que passar, ninguém esteve no meu lugar quando eu achei que meu filho não ía sobreviver e ninguém pode me dizer que eu não fiz as minhas pesquisas. Como boa pesquisadora da área médica, eu leio MUITOS artigos científicos todas as semanas e sei distinguir o que é válido ou não. Eu não leio website de autoria duvidosa pra tirar minhas conclusões, nem livros escritos por alguém que tem uma agenda a cumprir. Cientificamente, existe muito mais entre um tipo de parto e outro que uma mente leiga pode imaginar. Eu sou uma mulher das ciências, e como tal, não tiro conclusões assim tão facilmente. Tudo é relativo.

Finalmente, não faço parte da estatística brasileira de quem faz cesárea pra não perder a hora com a manicure ou porque me é mais conveniente; chegar no meu blog pra subir num pedestal e esperar que fique tudo por isso mesmo, é um tanto presunçoso. Meu primeiro parto acabou numa sala de cirurgia pra salvar duas vidas, a minha e a a do meu filho. Existe um risco maior em tentar um parto vaginal agora, embora pequeno, que eu pretendo não correr, especialmente quando o risco é de vida do meu filho, não minha.

Por isso escolho um milhão de vezes a cesárea repetida – porque qualquer médico vai te dizer que uma cesárea marcada é infinitamente mais segura que uma de emergência.

O parto é um momento glorioso, não pela maneira como foi feito, mas porque uma vida se inicia. Mas é assim mesmo: nós mulheres tentamos de tudo pra ter a festa de casamento perfeita e o parto perfeito, mas às vezes nos esquecemos que tem sempre um dia seguinte, quando a festa já acabou. É aí que a gente tem que se concentrar. Mas a vida ensina, ah se ensina.

De qualquer forma, não sou daquelas que dizem que a sua religião é pior que a minha. Espero que cada mulher do mundo tenha a sorte de ter o parto que ela se sentir mais segura, seja lá como ele for feito. Porque de 20%-30% das mulheres não têm essa chance, assim como eu não tive. E me dizer que meu parto é menos humano porque quero que dessa vez seja diferente não só é covardia, mas como também é ignorância de sua parte. Eu espero que ninguém jamais tenha que passar pelo medo que eu passei – eu não tive medo da dor e aguentei ela por 36 horas em trabalho de parto. Tive medo da morte, e ninguém deveria dar a vida assim.



Sexto sentido (o meu santo resolveu fazer algo por mim)

Update do post anterior é chocante! Eu não sei maiores informações, mas como conheço um monte de gente que está grávida e está indo na mesma obstetra do que eu (a que eu quero sair), acabei de receber notícias de uma delas dizendo que a tal médica NÃO vai mais trabalhar nessa clínica e pediu pra ela arrumar outro médico!!! Ninguém sabe pra onde ela vai.

*queixo cai no chão*

Eu felizmente arrumei um médico excelente que fez o parto de um monte de gente que eu conheço, mas ainda não tinha postado nada depois do meu dia pity-party que me fez escrever o post anterior. A única coisa que faltava era que eu ainda tinha muita pena de deixar a médica atual que vem me acompanhando há 7 anos. Depois dessa notícia de hoje, me senti TÃO aliviada, mas TÃO aliviada! Se foi sexto sentido eu não sei, porque eu tinha a singela impressão que ela iria sair de férias em agosto e isso (junto com outros fatores) me moveu a procurar outro médico que fosse com certeza estar aqui. Assim daria tempo pra eu me adaptar e conhecer o novo médico. Eu não queria de jeito nenhum que ela me desse a notícia na reta final e me deixasse a ver navios. Até porque eu não vou muito com a cara de nenhum dos outros médicos da clínica dela, e odiei ter feito o parto com uma outra médica que nem abriu a boca pra falar comigo entre o push e a cesárea de emergência do Thomas.

Foi a notícia mais chocante, mas tranquilizadora, que eu recebi nos últimos tempos. Agora mesmo não tem como eu olhar pra trás e ficar preocupada. Esse médico novo é um senhor fofo que tem a reputação impecável por essas bandas. Agora sim, estou feliz. Muito feliz que isso acontece agora e não quando já fosse tarde demais pra mim. Acho que vou jogar na loteria também, pra aproveitar a boa sorte. :)

Mas ainda continuo chocada, pois um monte (um monte!) de brasileira vai nessa médica e agora estão todas órfãs.



:~(

Desde que escolhemos um novo pediatra para o Thomas e pro novo bebê – um que eu adorei logo de cara – resolvi trocar de obstetra e de hospital também por muitos motivos. O problema é que fui recomendada para um hospital que eu AMEI e pra 5 obstetras que parecem ser ótimos. Agora, não só nenhum desses 5 médicos está aceitando novos pacientes, ou porque a clínica já está lotada ou porque já passaram do número de nascimento do mês de agosto, como nenhum outro médico das mesmas clínicas está aceitando também. Isso é coisa de mais de 10-15 médicos e eu estou completamente frustrada.

Até existem outros médicos que eu poderia tentar, mas eu não sei nada sobre eles e não me sinto confortável em fazer a mudança dessa forma. Eu queria um cirurgião experiente, então recomendação pra mim é super importante. O pior é que eu montei o caso tão forte na minha cabeça de que não queria voltar pra minha antiga obstetra e muito menos pro meu antigo hospital, que agora estou super triste porque não vou ter outra opção. Eu gostaria muito que essa nuvem saísse de cima da minha cabeça quanto a isso, mas sei que vou ficar muito irritada daqui pra frente toda vez que tiver que esperar 1h na sala de espera pra ver minha médica antiga por 5 minutos e ainda nem saber se ela vai estar de férias ou não em agosto. (Eu acho que se esse dia chegar dela me avisar que não vai fazer meu parto, eu acho que vou sair da sala e nunca mais voltar) Só mandando todo mundo pro raio que os parta pra poder aliviar essa angústia, viu? Enquanto todo mundo planeja o parto ideal, eu não consigo nem achar alguém que eu confie pra abrir a minha barriga.



Jiboiando depois do almoço

Se tirassem uma foto da minha cama hoje de manhã, eu provavelmente colocaria num porta-retratos.

Fui a primeira a abrir os olhos, ainda meio zonza, e joguei meu braço pra abraçar o Robert. Só então percebi uns grunhidos vindos debaixo do edredon. Como o Thomas e a Chloe se enfiaram num espaço quase milimétrico eu não sei, mas está mais do que óbvio que precisamos comprar uma cama maior. A cena era a seguinte: Robert numa ponta virado pra beirada do colchão, roncando que era uma desgraça. Aí vem o Thomas, todo espaçoso, pernas e braços pra tudo quanto é lado. Chloe, coitada, de barriga pra cima, nem se abalou em ser amassada e nem abriu os olhos. E eu, com uma barriga que só dá pra dormir de lado, estava quase caindo da cama e praticamente sem travesseiro. Eu tive que cutucar o Robert pra ele ver a cena, o que foi bom, porque pelo menos começamos o domingo rindo.

E hoje faço 24 semanas de gravidez, que é uma data importante já que marca o ponto de viabilidade do neném. Ou seja, se ele nascesse hoje teria chances de sobreviver. O menino mexe bastante, acho que ele sofre de insônia, só espero que não nasça todo enrolado no cordão umbilical como foi o caso do Thomas. Vai ver terei dois jogadores de futebol? O que não tem mexido nada ultimamente é o meu estômago, que acha que é apenas repositório de comida e esqueceu de fazer a digestão, me fazendo rever o jantar logo antes do café da manhã. Por conta disso meus jantares têm (me recuso a tirar o acento) sido não depois de 6 horas da tarde e passo longe de carne depois do almoço. No entanto, tenho certeza que isso tudo era culpa do Omeprazol que eu estava tomado pra evitar o refluxo. Sinceramente, eu prefiro o refluxo.

É aquele negócio, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.



Não fale de comida perto de mim

Minha mãe ficou falando tanto nos crepes maravilhosos que eles comeram na festa dos aniversários da minha tia e do meu irmão, que eu tive que comentar com o Rob que eu agora *precisava* comer crepe. O gostinho tava na minha boca o dia inteiro. Ele aceitou na hora e disse que ía passar no mercado e ele mesmo ía cozinhar. Ele cozinha bem e tem nos alimentado nos últimos meses, mas confesso que fiquei apreensiva com a estória do crepe. Procurei uma receita pra massa e lá foi ele fazer. “Não se preocupe!” disse ele. Disse que cresceu vendo a mãe fazendo uma sobremesa lituana de nome impronunciável que consiste da massa do crepe com recheio de ricota e blueberries. Ai, ai, ai. Todo mundo sabe que quando homem diz “não se preocupe” é quando você realmente precisa ficar preocupada.

Mas ele me surpreendeu. Fez com pedacinhos de frango de padaria (daqueles que desmancham na hora de cortar), tomates, cebola, queijo ou cream cheese e cebolinha picadinha. De sobremesa, tinha de banana com canela e açúcar e de morango com nutella, esse último devidamente devorado pela minha pessoa sem dó nem piedade. Nunca fiquei tão feliz depois do jantar!

Já que ele está indo tão bem, quem sou eu pra tirá-lo da cozinha, não?



Os medos

Eu estava lendo um pouco sobre medos e como tem muita criança que toma atitudes drásticas a experiência negativa, as famosas fobias. Achei engraçado a professora explicando que os medos de vomitar e de trovão são os mais comuns entre crianças, mas que também já tinha visto casos de crianças com fobias de soluço, de alga e de pessoas fantasiadas…

Mas peraí, como ela pode colocar no mesmo saco fobia de algo ridículo como alga com fobia de pessoa fantasiada? Eu tenho pavor de pessoa fantasiada até hoje e conheço outras pessoas que tem o mesmo medo e não acho nem um pouco surreal. Até hoje não entendo como acharam que ía ser divertido colocar na televisão o Bozo e o Fofão pra gente ver…