O parto

Gostaria de deixar bem claro que dispenso “conselhos” de quem quer que seja, de como devo ou não devo parir. Eu acho hilário que gente que nunca passou por um parto vir me dizer o que fazer com o meu corpo. Hilário não – nojento.

O fato é que ninguém passou pelo o que eu tive que passar, ninguém esteve no meu lugar quando eu achei que meu filho não ía sobreviver e ninguém pode me dizer que eu não fiz as minhas pesquisas. Como boa pesquisadora da área médica, eu leio MUITOS artigos científicos todas as semanas e sei distinguir o que é válido ou não. Eu não leio website de autoria duvidosa pra tirar minhas conclusões, nem livros escritos por alguém que tem uma agenda a cumprir. Cientificamente, existe muito mais entre um tipo de parto e outro que uma mente leiga pode imaginar. Eu sou uma mulher das ciências, e como tal, não tiro conclusões assim tão facilmente. Tudo é relativo.

Finalmente, não faço parte da estatística brasileira de quem faz cesárea pra não perder a hora com a manicure ou porque me é mais conveniente; chegar no meu blog pra subir num pedestal e esperar que fique tudo por isso mesmo, é um tanto presunçoso. Meu primeiro parto acabou numa sala de cirurgia pra salvar duas vidas, a minha e a a do meu filho. Existe um risco maior em tentar um parto vaginal agora, embora pequeno, que eu pretendo não correr, especialmente quando o risco é de vida do meu filho, não minha.

Por isso escolho um milhão de vezes a cesárea repetida – porque qualquer médico vai te dizer que uma cesárea marcada é infinitamente mais segura que uma de emergência.

O parto é um momento glorioso, não pela maneira como foi feito, mas porque uma vida se inicia. Mas é assim mesmo: nós mulheres tentamos de tudo pra ter a festa de casamento perfeita e o parto perfeito, mas às vezes nos esquecemos que tem sempre um dia seguinte, quando a festa já acabou. É aí que a gente tem que se concentrar. Mas a vida ensina, ah se ensina.

De qualquer forma, não sou daquelas que dizem que a sua religião é pior que a minha. Espero que cada mulher do mundo tenha a sorte de ter o parto que ela se sentir mais segura, seja lá como ele for feito. Porque de 20%-30% das mulheres não têm essa chance, assim como eu não tive. E me dizer que meu parto é menos humano porque quero que dessa vez seja diferente não só é covardia, mas como também é ignorância de sua parte. Eu espero que ninguém jamais tenha que passar pelo medo que eu passei – eu não tive medo da dor e aguentei ela por 36 horas em trabalho de parto. Tive medo da morte, e ninguém deveria dar a vida assim.