Quando eu comecei a programar essa viagem eu estava num mindset “preciso voltar pra Disney urgentemente” mesmo tendo ído 6 meses antes e mesmo sabendo que o Rob não curte tanto quando eu (ele gosta, mas eu gosto demais). O mais lógico era voltar na mesma época que fomos em 2012, nas duas últimas semanas de agosto porque foi a experiência que mais deu certo pra gente: foi ótimo pra comemorar o aniversário do Lucas (que é disneymaníaco como eu), as filas já estavam bem menores, mas ainda tinha uma vibe gostosa de verão. Além disso, o meu espetáculo de fogos favorito, o Magical, acontece – acho que só – no verão. Então a viagem toda foi programada em torno dos dias que queríamos estar na Disney.

Mas claro, quando resolvemos que a viagem seria de motorhome e não de avião como eu imaginava inicialmente, uma série de problemas foram criados os quais eu apresentei nos posts anteriores da viagem pra Walla Walla. Ter muitos meses pra pesquisar nesse caso foi essencial: fiz o roteiro nos mínimos detalhes mas sabendo que como eram mares nunca d’antes navegados, que tudo, absolutamente tudo poderia acontecer. Ainda bem que meus problemas com ansiedade se resumem a dar uns gritos com o Rob de vez em quando, e ainda bem que ele tem uma paciência de Jó.

Faltando 1 semana pra viagem ou menos, eu ainda resolvi que faria uma festa de aniversário pro Lucas porque embora a viagem fosse desculpa pra comemorar o aniversário dele, eu tinha reparado – muito tardiamente – que além do primeiro ano, ele nunca tinha tido festinha de aniversário daquelas com bolo e amiguinhos. Falei com as amigas pelo Facebook pra ter uma idéia de quem ía poder vir assim tão em cima da hora, consegui um mágico que trazia até um coelhinho, resolvi que ía fazer o bolo em casa com fondant em forma de planeta Terra e um churrasco brasileiro. Minha mãe com N problemas pra resolver no Brasil sucumbiu com a pressão de vir ajudar na festa e decidiu enfim, comprar a passagem e vir pra cá num espaço de uns 3 ou 4 dias. Pronto: a festa foi um sucesso no estilo brasileiro com caipirinhas e coração de galinha, terminou no final do dia no domingo e adivinha: botaríamos o pé na estrada na manhã seguinte.

Como eu já tinha deixado quase tudo arrumado, a faxineira já tinha vindo no dia anterior, já tínhamos passado no Costco e sem precisar necessariamente arrumar malas ou escolher o que levar, não foi tão difícil assim. Simplesmente usamos caixas de papelão e cestas de roupas para carregar tudo pra dentro do motorhome que estava estacionado na frente de casa. As roupas dos adultos foram nos cabides mesmo, as roupas das crianças eu arrumei nas prateleiras e em organizadores de gavetas da Ikea. O resto foi enfiado onde dava, a geladeira abarrotada, assim como os armários da cozinha e os armários do porão da carroceria. Ainda bem que tem muito espaço porque nessa altura vocês já sabem que nada, mas nada mesmo, pode ficar solto enquanto o motorhome está em movimento.

Ainda assim, nós saímos tarde, muito mais tarde do que planejávamos e eu nem lembro porque.  A primeira decepção foi logo nesse primeiro dia, onde íamos encontrar com uma amiga que trabalhou comigo no Brasil e mora perto de onde íamos dormir em Eugene, OR. Mas com 7 pessoas dentro desse motorhome e cada um com seu próprio horário, eu aprendi rapidinho que não importa o quão organizados nós estivéssemos e quão cedo acordássemos, nós nunca íamos conseguir estar na estrada às 8 ou 9 da manhã como eu antecipava.

 

 

 

Viagem de Motorhome em Agosto de 2013 – Estados de Washington, Oregon e Califórnia

1) De Washington até Petaluma, CA

2) Norte da Califórnia – São Francisco, Petaluma, Napa, Gilroy e Monterey.

3) Solvang e Buellton

4) Disneyland e caminho de volta

 

Claro que essa lista é só das minhas primeiríssimas impressões, então provavelmente vou adicionar mais no futuro.

Desvantagens:

  1. Você fica um pouco limitado e preso a um planejamento, sem muito espaço pra novidades de última hora. Quanto maior for o RV, maior é a sua limitação.
  2. Tudo sacode bastante e muitas coisinhas se soltam durante a viagem, desde suas coisas, coisas da cozinha, até parafusos, sistema elétrico…
  3. Nem todos os motorhomes/RVs são confortáveis e tem as coisas que eu mencionei no posts passados.
  4. O espaço é limitado mesmo em um motorhome classe A.
  5. É meio nojento lidar com a parte do esgoto. Com o nosso motorhome era possível atarrachar a mangueira de esgoto diretamente no chão, então você nunca precisa se preocupar com isso, mas sei que muitos vc tem que esvaziar enquanto a segura a mangueira com os pés.
  6. Gasta MUITA, MUITA gasolina ou Diesel. O nosso modelo tem a “economia” de 8 milhas por galão (ceca de 3,38 km por litro) ou 7 (2,96 km por litro) se estiver rebocando um carro.
  7. Nem todo posto de gasolina acomoda um motorhome grande, nem todo viaduto é alto o suficiente pra você passar por baixo e você não pode parar em qualquer lugar.
  8. Os nossos cartões (não sei se todos, mas pelo o que eu vi é muito comum) não aceitam passar mais do que um certo valor, o nosso não dá pra fazer uma transação de mais de $125 (ou algo assim) em posto de gasolina, o que complica bastante quando você tem um tanque que comporta $300 dolares de Diesel. Claro que RVs menores não vão ter tanto problema, mas na nossa viagem da Califórnia vamos fazer um cartão de fidelidade com postos de gasolina comerciais que extendem a mordomia pra donos de RV.
  9. Existe um limite de quantas coisas elétricas podem estar ligadas ao mesmo tempo, mas mesmo com somente 30 amp foi tranquilo pra gente. Menos do que isso ía ficar complicado.
  10. Só o aluguel de um acaba sendo mais caro do que muitas viagens de avião ou de carro (e aí você adiciona a gasolina, mais dias na estrada pagando mais rv parks, etc).
  11. Você pode se sentir meio claustrofóbico dependendo da sua viagem, quantas pessoas e do tamanho do RV.
  12. Você não pode ir tão rápido quanto um carro em alguns trechos e dirigir em cidade é chato.

 

Vantagens (depois do que leram acima, será que tem?)

  1. O mais importante pra mim era poder ter esse tempo em família, sem nenhuma outra obrigação ou outra coisa pra fazer do que interagir um com o outro durante as viagens. O foco passa a ser 100% na família.
  2. E você pode carregar mais gente que um carro comum com bastante conforto.
  3. Poder passar uma viagem com muitas paradas sem precisar fazer a mala o tempo todo pra ficar mudando de hotel.
  4. Poder usar suas coisas como roupa de cama e toalhas e menos chance de esquecer algo em casa (ou no hotel depois de dar check-out!)
  5. Poder cozinhar na sua própria cozinha sem ficar escravo de restaurante, ainda mais por longos períodos de tempo. Isso pra mim é importante porque na grande parte dos restaurantes americanos o cardápio infantil é péssimo e limitadíssimo.
  6. Ter disponibilidade das suas comidas, ainda mais se você tiver restrições alimentares ou crianças chatinhas pra comer. Eu gosto de poder simplesmente abrir a geladeira e pegar um leite ou fruta qualquer pras crianças sem aquela enrolação de isopores e gelo derretendo. Poder guardar insulina de quem é diabético com segurança, por exemplo, deve libertar muita gente.
  7. Não precisar me arrumar pra tomar café da manhã (haha) ou gastar uma grana de serviço de quarto.
  8. Poder ter acesso a qualquer coisa, desde que organizado antes da viagem, com maior facilidade do que “no fundo da mala”. E poder pendurar roupas em vez de usar mala, (e ter uma cesta de roupa suja) é bem interessante pra mim.
  9. Uma visão mais legal e ampla das coisas ao redor da estrada.
  10. Não precisar usar banheiro público e no nosso caso, não precisar usar lavanderia pública (não que seja um problema, mas uma noite o Lucas vomitou bem tarde da noite e ter a máquina alí do lado foi ótimo)
  11. O assento do motorista é mais comfortável do que de carro, então uma viagem mais longa não é tão cansativa.
  12. Não ter o stress de fazer check-in e passar por segurança de aeroporto, correrias, horários, filas, documentos, líquidos, mau humor de terceiros, malas perdidas, blá blá blá e pra quem tem medo como eu, não precisa nem dizer que o o stress passa pra zero.
  13. Você pode viajar com seus animais de estimação sem muitos problemas, até os grandes e múltiplos.
  14. Ter a chance de levar seu carro sem precisar alugar.
  15. Mesmo o espaço sendo limitado, dá pra levar BEM mais do que em algumas malas.
  16. Ter várias tomadas comuns se precisar ligar alguma coisa durante o trânsito, como um laptop, sem gastar energia. Algumas pessoas até cozinham na crock pot dentro do pia enquanto dirigem.
  17. Muita gente faz isso em tempo integral, ou semi-integral, mas mesmo que não façam existe um certo elo que te liga a eles quando você fica num estacionamento de RVs. É verdade que a maioria das pessoas que viajam de RV é aposentada, mas tem muita gente jovem com filhos pequenos também e seus filhos acabam fazendo amiguinhos. E você acaba conhecendo muita gente legal de todas as idades.
  18. Poder acampar em lugares mais rústicos e ter mais contato com a natureza, mas com mais conforto do que com uma barraca.
  19. Os donos dos RV parks normalmente moram no próprio local e fazem de tudo, muitas vezes sozinhos. O serviço no geral me parece mais caloroso e verdadeiro do que de pessoas empregadas em hotéis.
  20. Muitos RV parks e campgrounds são voltados especialmente pra crianças e tem muitas atividades pra elas: Ice Cream Social, Karaoke, passeios de trator, infláveis, além da piscina e sala de jogos são alguns exemplos.

 

E aí, animou ou desanimou? :)

 

 

 

E o grande dia chegou. Rob foi buscar o motorhome sozinho enquanto eu arrumava as últimas coisas pra viagem. Uma grande vantagem é não necessariamente precisar de malas e é até melhor mesmo ir sem elas. Arrumei as coisas de cozinha numa caixa e um cooler só mesmo pra poder levar pra dentro do motorhome, as roupas das crianças numa mala de mão porque eu não tinha outra coisa e as nossas roupas foi numa cesta de lavanderia mesmo, assim como coisas de banheiro. Na nossa viagem da Califórnia eu vou me organizar melhor e preparar caixas tipo aquelas da Ikea pra colocar em gavetas.

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Ele chegou lá prás 11 da manhã, carregou alguns galhos das árvores do vizinho, mas sem maiores problemas. Esse dia estava QUENTE e o ar condicionado estava a todo vapor.

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Um pouco antes de sair, com as crianças já em seus lugares. Esse motorhome tem uma cama Queen dentro do quarto do casal, que fica no final dele. Dentro desse quarto  a primeira vista, você só vê a cama, uma pia daquelas redondas pequenas, espelho, e o armário dessa pia. Tem também duas janelas, alguns armários retangulares parecidos com os que aparecem na foto acima das cabeças das crianças e uma parede de armários. Dentro dessa parede de armários tem uma lavadora/secadora de roupa pequena e bastante espaço pra guardar roupas, cabides, prateleiras, etc. Esse quarto também se expande (assim como a sala/cozinha) quando vamos passar a noite, então fica bem espaçoso.

Além disso, o sofá onde o Thomas está sentado abre como uma outra cama queen que você pode usar com um colchão que já está nele, mas também pode fazer mais fofinho enchendo um colchão de ar que vem acoplado. O sofá onde o Lucas está vira uma cama de solteiro. A mesa de jantar vira uma cama que teoricamente daria pra duas pessoas, mas eu não acho que daria pra dois adultos. Do jeito que está, o motorhome tem 10 conjuntos de cintos de segurança.

As configurações de motorhome mudam muito. Quando as pessoas compram um elas geralmente escolhem a planta do jeito que elas querem, realmente tem muitas maneiras de se configurar um. Eu achei que nessa configuração tinha pouco espaço pra guardar coisas de cozinha, mas eu também acho que tem jeito pra tudo e uma boa organização é essencial. A geladeira é dessas side-by-side parecidas com as normais de casa, com bastante espaço, mas as prateleiras são mais rasas, então não é qualquer coisa que vai caber. As prateleiras também são aparafusadas, então mudar a posição delas demora um pouco. No geral, eu achei o freezer bem razoável, mais ou menos do tamanho de um freezer daquelas geladeiras de uma porta só. Nós levamos dois galões de leite, sucos, comidas em geral, sorvetes, e sobrou bastante espaço. Com certeza não deixa muito a desejar a uma geladeira side-by-side comum de casa.

A cozinha também tem um microondas e um fogão com forno. O motorhome também conta com um sistema de aspirador de pó central, então é só acoplar a mangueira nos buraquinhos que tem espalhados perto do rodapé que ele começa a funcionar, facilitando bastante na hora de limpar. Antes de chegar no quarto temos o banheiro de um lado com vaso sanitário, outra pia e bastante lugar pra guarda coisas. Do outro lado do corredor fica o chuveiro com bastante espaço também.

Como já estava ficando tarde, não arrumamos muita coisa antes de sair, só aquilo que poderia ser danificado se caísse, etc. Tudo balança muito durante a viagem. A pia tem uma “tampa” pesadona, então é um bom lugar pra deixar certas coisas. Eu fiz a grande besteira de colocar o vidro enorme de detergente de pratos em cima da pia que eu achei que estaria  seguro atrás de 2 galões e meio de água (cerca de 9 litros e meio). No meio da viagem o galão de água *E* o detergente cairam no chão. Não tivemos maiores problemas com o a água, mas a tampa do detergente quebrou e espalhou gosma azul pelo chão da cozinha toda. Foi fácil limpar com papel porque não caiu no carpete, mas realmente não dá pra confiar em deixar nada que não esteja muito bem guardado.

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Esse é um dos painéis de controle, basicamente o território do co-piloto: moi. Durante a viagem eu fico de olho na parte elétrica ou alguma luzinha significante de problema. Quando estacionamos pra passar a noite, mudo a energia das baterias pra energia da “rua”, ligo o aquecedor de água, aciono os suportes de nivelamento do motorhome (depois de chegar se está tudo desobstruído embaixo da carroceria), checo o nível das águas e ligo o segundo ar condicionado se tivermos mais do que 30 ampéres. 

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O Robert achou o assento bem confortável pra longas viagens, é super fofinho e com bastante suporte pras costas. Uma coisa ruim: rádio dos tempos das cavernas. Eu crente que ía conectar meu bluetooth nele mas vou ter que fazer de outro jeito na próxima vez.

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E pé na estrada! Essa paisagem ainda é razoavelmente perto da minha casa, mas bem no alto da montanha. Note que ainda tem neve e muitos pinheiros.

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E a paisagem muda abruptamente quando se passa pro outro lado das cadeia de montanhas Cascades e a vegetação é de deserto. Foi uma boa hora pra conversar com o Thomas (e com o Lucas) sobre a geografia do lugar, a vegetação e o relevo do estado e ouvir as observações dele.

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Não reparem a bagunça, estávamos bem cansados, mas isso foi logo que chegamos. As duas extensões da sala foram acionadas e agora temos bastante espaço para  as crianças. Você pode fechar todas as cortinas se quiser ter privacidade. As janelas também tem apenas aquela cortina meio transparente que proporciona certa privacidade, mas nós fechamos tudo mesmo porque nesse RV park as vagas eram bem próximas uma da outra.

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Walla Walla é uma cidade bem pequena mas muito simpática. A principal economia da cidade são as vinícolas, então se você gosta de wine tasting e está no estado de Washington, esse é O lugar pra se estar. Se vocês pintarem por lá, passe na vinícola Tertulia Cellars, cujo Enólogo é nosso amigo Ryan Raber. Ele é casado com uma querida amiga brasileira. O meu vinho favorito da Tertulia é o Viognier.  Nacionalmente, além do vinho, a cidade é conhecida pelas cebolas Walla Walla que são enormes e doces, algumas pessoas mordem ela inteira e crua mesmo.

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E as lojas e restaurantes simpáticas subiram a altura do tipo de gente que vai pra lá, adicionando muitas opções gourmet: até a pizza – essa era de uva com queijo de cabra, uma das melhores pizzas que já comi! Em Walla Walla você vê ao mesmo tempo restaurante de comida vegan e gente com chapéu de cowboy, e pelo o que pude notar, é uma cidade bem jovem, com muitas famílias com crianças pequenas. Vi muitas galerias de arte e uma vibe bem moderna com prédios históricos. O USA Today selecionou Walla Walla como a cidade pequena mais amigável dos EUA e ela também está em uma lista das melhores cidades pequenas do país.

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Eu queria achar uma fazenda de queijos que era mais afastada do centro de Walla Walla então fomos procurar. Não achamos, então resolvemos dirigir e ver onde dava. Não deu muito em lugar nenhum não, então voltamos.

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Essas fotos de celular não fazem justiça a paisagem, a amplidão e a solitude desse lugar. As colinas são simplesmente incríveis, cada uma com uma forma mais bonita que a outra.

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Mas nós viemos pra ver o Balloon Stampede de Walla Walla. Esse tipo de festival acontece em outras cidades nos Estados Unidos, mas eu realmente não sabia o que me esperava. Foi muito legal e as crianças amaram. O evento mesmo é de graça e você só paga pelas comidas e bebidas e tickets pras criancas irem em brinquedos. Eu ainda preciso ter tempo pra colocar as fotos feitas com a câmera, porque essas de celular realmente deixam muito a desejar. A foto de cima é do Night Glow, onde eles inflam vários balões (acho que mais de 10) assim que a noite cai e os acendem ao som de uma banda ao vivo e de um locutor bem carismático estilo locutor de rodeio.

Depois do Night Glow fomos aproveitar o que mais tinha lá, vários brinquedos infláveis, laser tag, etc. O Thomas foi subiu num touro mecânico (pequeno pra crianças), foi em outro onde ele colocava um macacão cheio de velcro e se jogava numa parede também de velcro, imagina a diversão! O Lucas e o Noah pularam e desceram nas escorregas dos infláveis até depois das 11 da noite e todo muito capotou assim que nós chegamos “em casa”.

No dia seguinte, às 6h da manhã, estávamos na continuação do festival onde eles sobem com os balões durante o dia. É muito interessante ver todo o processo de encher e eu fiquei fascinada. Eu só estava achando que eles fossem subir todos meio que ao mesmo tempo pra poder tirar umas fotos legais, mas nunca tinha mais do que um ou dois no céu. Eles subiam assim que acabavam de encher, não esperavam muito não. Apesar de estar marcado pra começar a subir às 6:30, a nossa amiga já tinha avisado que era bom chegar às 6 porque eles começam bem cedo mesmo. Depois disso eles ofereceram café da manhã com panquecas, mas a gente resolveu voltar pra arrumar as coisas e botar o pé na estrada de novo.

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E foi isso. A viagem de volta foi bem mais longa, fizemos várias paradas no meio do caminho pra esticar as pernas, pra comer, pra fazer xixi – o tanque de água do banheiro já estava todo vazio e com as solucões de limpeza e digestão!

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Quando chegamos em casa o Rob deu mais uma geral no motorhome antes de devolver, mesmo a gente já tendo deixado um brinco antes de sair de Walla Walla. Foi tudo muito legal, as crianças curtiram a novidade, e essa nossa viagem teste nos deu mais confiança pra descer até o sul da Califórnia. Muita gente não se sente confortável com esse tipo de viagem e essa era uma preocupação do amigo do Rob, mas eu prefiro do que viajar de avião (ainda mais com 3 crianças). Outra coisa importante foi ver o quanto de trabalho está envolvido em levar essa casa sobre quatro rodas (acho que tem umas 6, mas tudo bem) de um lado pro outro. Não é só ligar, dirigir e desligar: leva-se um tempo considerável preparando pra partir e pra passar a noite e realmente tudo precisa ser bem planejado e metódico. Claro que com a prática as coisas ficam mais fáceis e achamos que a viagem maior vai acontecer sem maiores problemas.

Agora eu que quero comprar um motorhome e sair por aí com a família!

 

Antes que pudéssemos falar A,  estávamos na casa do amigo do Robert entrando no motorhome pela primeira vez.  Vou falar especificamente dos motorhomes Classe A, que são aqueles que parecem um ônibus mesmo. Existe também classe B, C (o C é maior que o B, não me pergunte..).  Eu já tinha dado uma olhada boa no que poderia ser tão diferente mas realmente só estando lá dentro pra entender a dimensão do problema. Antes de ir, eu estava confiante de que eu ía dirigir 39 pés (quase 12 metros) de carroceria, mas depois disso não fiz mais questão não. Claro que numa emergência eu não teria problema em dirigir mas, sinceramente, fico mais à vontade sentada no meu banco de co-piloto, dando pitaco na direção do Robert (no meu caso era mais aquele barulho de prender a respiração em desespero) e outras co-pilotagens.

O amigo do Rob logo nos entregou 4 ou 5 folhas impressas de cada passo de tudo que se pode imaginar. Então era algo assim:

Antes de Sair (fazer todas as vezes antes de sair)

1. ligue o pré-aquecimento do motor 2 antes antes de sair.

2. verifique a pressão dos pneus (110-116 na frente, 94-100 atrás)

3. cheque o óleo, nível hidráulico, nível de água, filtro de ar.

4. verifique se não tem nenhum animal no compartimento de baterias.

5. prepare o reboque (quando a gente ainda pensava que rebocar seria mamão com açúcar)

Saída

1. remova o cabo da televisão

2. remova a água e ligue a bomba elétrica

3. conecte a mangueira de enxague

4.  lubrifique a mangueira de água do banheiro com alguma água da cozinha.

5. esvazie o tanque de água do banheiro.

10. adicione o líquido azul dentro da privada

11. adicione meio galão de água na privada

12. desligue o equipamento de alta voltagem

….

21. verifique a carga

22. feche a extensão do quarto

24. retraia os suportes de nivelamento retráteis.

25. infle a suspensão

28. pode sair.

—-

Quatro horas depois  de  ver como se fazer cada uma dessas coisas (mais as outras páginas) duas vezes e como fazer se algo der errado, nós finalmente ligamos o troço e fomos pra rua. Agora é fácil pra eu dizer que é tudo tranquilo, mas dessa primeira vez eu estava confinada atrás dos bancos da frente não consegui ver muita coisa. Estava tudo ok até ele decidir ensinar o Rob como usar as marchas (que na verdade são botões perto da janela) e os freios de compressão descendo numa ladeirona em semi-alta velocidade. O que acontece é que, por causa do peso do motorhome e assim como caminhões e ônibus, você não pode usar o freio de pedal por longos períodos de tempo. Se você o fizer, pode ser que não exista mais freio pra próxima ladeira, e isso é importante se você estiver descendo uma serra, por exemplo. Então você tem que ir reduzindo a marcha e usar dessa forma, e se a marcha não for suficiente, usa-se o freio de compressão. O ponto do teste era realmente chegar numa velocidade tal que você consiga controlar o motorhome só com essas alternativas, e foi tudo do tipo “muito raramente você vai se encontrar numa situação dessa, mas você precisa estar preparado E confiante na máquina”. Posso dizer que o Rob passou pelo teste de fogo com a melhor nota possível, mas nessa altura do campeonato a supracitada lista que ele nos deu e que eu segurava já tinha virado uma bola amassada com meu nervosismo.

Depois fomos praticar estacionar no pátio de uma escola que estava fechada. Quer dizer, o Rob foi aprender a fazer umas manobras mais apertadas e eu fui aprender como me comunicar com ele do lado de fora, já que é praticamente impossível estacionar de costas sozinho. Bom, pelo menos se você prezar a integridade do seu RV. A julgar pelos pedaços de silver tape que vimos no pára-choque traseiro, nem os mais experientes escapam. Então eu fiz aqueles sinais que a gente aprende com os flanelinhas do Rio de Janeiro e foi tudo bem.

Voltamos pra casa dele e demos uma olhada no reboque mas o Rob já tinha falado que não se sentia confortável em rebocar dessa primeira vez pra ir pra Walla Walla e que ía pensar se ía querer pra viagem da Califórnia, dependendo de como fosse na primeira viagem. Eu concordo que foi a decisão mais sensata por vários motivos, mas os mais importantes são: 1) fazer curva (assim como dar arrancadas pra passar pra outra pista) já é uma dificuldade sem reboque e muitas vezes requer colocar o motorhome na contra-mão por uns instantes, xingar deus e a mãe, imagina com mais vários pés atrás pra calcular; 2) rebocar acrescentaria um tempo considerável (1 h mais ou menos, pelo menos das primeiras vezes) pra fazer todas as conexões toda vez que a gente tivesse que mudar de “hotel”; 3) não são todos os carros que podem ser rebocados com as 4 rodas no chão (chamado de flat-towing ou  dinghy-towing) por causa do fluido de transmissão, principalmente em carros automáticos e com tração nas rodas da frente. Então você tem que procurar saber se o modelo do seu carro tem lubrificação suficiente (pra não acabar com a transmissão, claro!) pra isso. Infelizmente descobrimos que nenhum Toyota (os nossos dois carros são Toyota, infelizmente), Lexus ou Scion *automático* tem lubrificação suficiente pra isso, porque o motor precisa estar rodando pra lubrificar a transmissão. Alguns manuais podem e outros não, mas tipicamente um veículo pode ser rebocado com as quatro rodas no chão se tiver tração nas duas rodas de trás e transmissão manual, ou tração nas quatro rodas com caixa de transferência manual que possa ser colocada em ponto morto. Existem dispositivos que podem ser adicionados pra fazer o carro ser rebocável, como uma bomba de lubrificação, mas eles são caros e não necessariamente confiáveis. Como não nos interessa gastar dinheiro com isso, vamos alugar carro quando precisar.

Depois disso nos sentimos preparados, um pouco nervosos e super ansiosos pra começar logo a aventura!

 

A primeira coisa que fizemos quando surgiu a oportunidade de alugar o Motorhome pela metade do preço do que alugam por aí, foi exclamar: “a viagem da costa da California!!”, que era uma coisa que já queríamos fazer há muito tempo. Depois explico porque essa decisão não foi a mais acertada. Por agora digo que passamos semanas, acho que desde fevereiro, sofrendo em decidir se íamos fazer isso ou não.

Os números não batiam. Mesmo pagando a metade do preço, sairia mais caro, e bem mais caro, ir de motorhome do que de carro ou de avião. Quando falo motorhome, estou falando daqueles que são de um tamanho de um ônibus, depois explico as diferenças. Mesmo colocando hotel e voo, o preco da gasolina (no nosso caso é Diesel que é mais carinho), o aluguel do motorhome e as diárias dos RV parks (espécie de hotel para motorhomes e trailers; RV é recreational vehicle, um termo geral pra motorhomes e trailers), ficaram bem acima. Ir de carro, claro, sairia bem mais barato do que voar e nao precisariamos alugar um carro, mas sempre tivemos vontade de viajar de motorhome e a oportunidade simplesmente caiu no nosso colo. Como recusar? Algumas semanas nós resolvemos que não valia a pena, só pra logo em seguida ficar morrendo de pena. Então resolvemos ter uma conversa séria e bater o martelo que sim, ía sair mais caro mesmo, mas dane-se. E viramos a página.

O Itinerário:

A decisão de fazer a viagem não quer dizer que a idéia de todo é razoável. A viagem que eu montei com certeza vai ser ótima, mas acabou que não vai ser totalmente pela costa como queríamos. O meu primeiro itinerário, aquele dos sonhos, era completamente impossível fazer com um ônibus, logo vi que precisava cortar muitas cidades (eu queria ir pela costa do Oregon também, por exemplo) e adicionar mais dias. E mudar rotas. Pelas minhas leituras e participações de foruns online especializados, a idéia de levar um motorhome de 39 pés (quase 12 metros) pela maior parte da costa seria possível, mas fortemente não aconselhável pela quantidade de curvas e rodovias estreitas. A resposta foi unânime: muito tenso e não aconselhável pra um motorista experiente, incrivelmente mais tenso pra um motorista não experiente. Não faça.

Com a decisão de cortar as cidades de Oregon e deixar só a California mesmo, ficou mais fácil focar a viagem num período de tempo adequado: 2 semanas. Isso seria o mínimo, mas acho que uns dias a mais ficaria ainda melhor. Percebi que quase todos os donos de motorhome, ou aqueles que viajam neles em tempo integral, usavam Microsoft Street & Trips pra planejar porque funciona com GPS, tem todas as paradas necessárias dentro dele, você pode calcular/planejar gasolina, paradas, tempo e também se tem algum viaduto que é mais baixo do que o tamanho do seu motorhome. Claro que dá pra fazer tudo isso sem esse programa, mas como eu posso pegar ele de graça, foi isso que fiz e não me arrependi. Também baixei, só pra garantir que o Streets não era vacilão, uma lista de Low Clearance (passagens com o teto mais baixo do que o padrão, que é 14 pés de altura) da Califórnia pra saber se tinha algum lugar que teríamos que evitar, já que o motorhome tem 13 pés de altura.

Pesquisei o que o pessoal considera aceitável dirigir por um dia. A primeira coisa que surgiu na minha cabeça foi que devia ser diferente a sensação: será que cansa mais? Menos? E o óbvio é que em algumas situações você vai estar dirigindo mais devagar que um carro, mas felizmente dá pra acomapnhar bem o fluxo na maior parte dos lugares. O consenso é que 4 a 6 horas por dia é provavelmente adequado – muito mais do que isso começa a ficar perigoso porque realmente o motorhome sente qualquer buraquinho na estrada, então a atenção é redobrada como quem viaja numa moto, por exemplo.

O dono do motorhome nos deu dicas ótimas de postos de gasolina, RV parks que ele gostou e disse: “Essa é a primeira vez que vou deixar alguém usar meu motorhome e é só porque é pra vocês, mas vocês precisam ir numa viagem menor antes dessa grande pra ver onde vocês estão se metendo. E vou dar aula de direção e mecânica pra vocês.” Feito. Conto pra vocês mais tarde sobre a viagem para Walla Walla, WA que acabamos de fazer.

Então com a ajuda do Street and Trips, eu fui marcando as cidades com as informações que eu já tinha. Fiquei algumas semanas olhando pro trajeto e pesquisando o que queríamos fazer, e não mudei quase nada desde a primeira vez que eu usei o programa. Exceto adicionar alguns dias em alguns lugares e mudar um específico RV park que tinha que fazer muita manobra pra estacionar, ficou tudo igual mesmo depois de me aprofundar mais no itinerário, o que foi bom.

O que quero dizer com me aprofundar no itinerário? Além do óbvio de ver onde queríamos ir, tínhamos que prestar a atenção em alguns detalhes. Uma prioridade pra mim é que o local do RV park fosse de fácil acesso. Por incrível que pareça (e agradeço aos foruns especializados e ao Google Maps) alguns tem umas entradas bem complicadinhas pra um RV desse tamanho, tipo, uma pista só, super estreita e com uma inclinação que me deixa desconfortável.  Outros são em localização não desejáveis, ou muito barulhentos, ou sem muita segurança. Felizmente, existem muitos sites de reviews de RV park na internet e dá pra saber com certeza quais são os bons e quais são ruins. Existem RV parks que não tem nada e outros que são super luxuosos.

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Onde ficar?

Você pode estacionar o seu RV em RV parks, que são propriedades privadas como um hotel. Muitas vezes o dono mora no próprio local e supervisiona tudo, e geralmente eles oferecem todos os hook-ups (conexões de eletricidade, água ou esgoto) e quando isso acontece eles tem full hook-ups. Às vezes alguns sites, ou vagas, tem todos os hook-ups e outros do mesmo park tem só alguns. Existem campgrounds, que são os famosos campings, que tem lugar pra barraca e trailers/motorhomes, que também pode variar bastante como os RV parks e também existem os parques nacionais que são disputadíssimos no verão mas muitas vezes não oferece eletricidade, agua ou esgoto, então você tem que resolver com o que o teu RV é capaz de fazer. Você também pode optar por fazer Boondocking, ou Dry Camping, que basicamente é ficar num lugar, geralmente público sem hook-up nenhum, como um estacionamento do Walmart (depois de pedir permissão!), ou rest area ou truck stop, ou onde a sua imaginação levar, mas certifique-se que pode antes de dormir num lugar desses. Normalmente quem só vai passar uma noite pra continuar viagem gosta dessa opção por economizar dinheiro e já que não vai precisar de nenhum hook-up mesmo.

Eletricidade: A maior parte dos RV parks oferece hook-ups de 30 ou 50 ampéres. Se você se lembra das suas aulas de física, amperagem é a contagem de força da corrente elétrica, então se você se conecta num lugar de 30 amp, você vai poder ligar menos aparelhos dentro do RV do que 50 amp. Como vamos viajar no final de agosto, temos que garantir vagas que oferecam 50 amp, porque já notamos pela viagem da semana passada que 30 amp só deu pra um ar condicionado (o motorhome tem dois) e não deu muita vazão com temperaturas acima de 90F e poucas árvores em volta. Lembre-se que a geladeira também suga eletricidade e fica ligada o tempo todo. Uma manhã, quando liguei a televisão, algumas luzes, o microondas e o fogão ao mesmo tempo, a geladeira começou a apitar avisando que ela tinha desarmado e estava usando as baterias e propano que existem no porão do motorhome e funcionam sempre que ele não está conectado.

O esgoto: Há! Essa é a parte mais divertida. Pode ser uma coisa muito nojenta, mas felizmente o dono do motorhome já foi dizendo que eles não fazem o número 2 no motorhome e que seria melhor se não fizéssemos também. Claro que se precisasse era diferente.  Ele era piloto militar e bem metódico nos costumes deles e obviamente o motorhome dele é muito limpo. Os motorhomes tem dois compartimentos de sujeiras: Black Water – água que vem das privadas, e Grey Water, que vem do chuveiro e das pias. No RV park que nós ficamos, o grey water fica conectado o tempo todo, e só quando você quer despejar a black water que você muda uma alavanca. As nossas intruções são para despejar sempre gray water depois da black e depois enxaguar a mangueira por dentro com água limpa pra manter tudo sempre limpo antes de guardar. Existem outros detalhes e aditivos que temos que adicionar, mas isso não interessa muito agora. O Robert fez tudo sozinho e rapidamente, não se sujou e foi tudo ótimo, mas eu sei que existem dois problemas pra futuros motoristas por aí: nem todo RV park vai ter o hook-up de esgoto no seu próprio site, alguns tem um só no park inteiro e outros não tem nenhum e você tem que procurar um posto de gasolina ou rest area que tenha (internet tem listas). Não necessariamente a mangueira do seu RV alugado vai estar limpa, eu espero que sim, mas verifique antes.  Tudo isso é fácilmente contornável, mas como existe de tudo nesse mundo, é bom saber pra evitar.

Como escolher um Site:

Dentro de um RV Park tem uma variedade de vagas, e dando uma olhada em sites de reviews e fotos do próprio park você pode ter uma idéia de onde você quer ficar. Sempre tem um mapa no website deles também. Existem tipos de vagas diferentes: Pull-thru é uma vaga que você pode estacionar de frente, Back-in é uma vaga que você tem que estacionar de costas. No nosso caso, optamos por sempre estacionar de frente. Estacionar de costas requer que eu saia do motorhome e dê indicações pro Robert, é muito complicadinho mesmo e o próprio dono do motorhome teve que fazer vários reparos de batidas que ele deu fazendo manobra. Algumas vagas são enormes a ponto de você pode estacionar qualquer carro que você esteja rebocando, e outras vagas são bem curtinhas. Na hora de fazer a reserva, é só você informar alguns detalhes no próprio site deles ou ligando pra fazer a reserva, como o tamanho do RV, se tem Slide-outs (expansões da carcaça do RV que deixa o espaço interno bem maior quando estacionado), se tem carro rebocando, etc.

Muitos RV parks funcionam mesmo como um hotel, você consegue informações turísticas na recepção, eles tem banheiros públicos e na maior parte das vezes muito limpo, e também lavanderia daquelas de moedas. Muitos tem amenidades como piscina, sala de jogos, lanches, café etc. Pra você ter uma idéia, um dos que a gente vai ficar tem karaoke toda sexta, outro tem ice cream social pras crianças, pula-pula gigante e passeio turístico organizado por eles.

A vasta maioria dos parks aceita animais de estimação, mas alguns tem limites do tamanho de cachorro, ou a quantidade ou raça. Uns são tão bons nesse quesito que até oferecem pet sitting! Teoricamente você pode deixar seu animal dentro do RV com o ar condicionado ligado se você for sair – o ar pode ficar ligado o dia inteiro – mas ouvi muita gente dizer que é comum o ar desarmar e que é perigoso pois a temperatura pode ficar altíssima em pouquíssimos minutos. No inverno pode ser uma boa, ou de noite, mas no nosso caso não vamos levar nenhum dos nossos animais. Mas eu acho o máximo as fotos dos gatos viajando e pegando sol no banco do co-piloto! :)

– a seguir: aprendendo a digir o motorhome e Walla Walla –

 

Eu já gosto de colocar o pé na estrada. Viajei muito de carro no Brasil (até indo a Argentina e Paraguai) quando criança até meus vinte e poucos, e até hoje são as melhores memórias que eu tenho do Brasil. Eu já era maiorzinha quando fomos até a Bahia e Abrolhos nadar com tartarugas, fui e voltei de Florianópolis (onde morei por um tempo) trazendo uma prancha de sandboard na mala. Tudo de carro.

Acho que na época não tinha muita opção,  além do preço dos vôos serem bem mais caros e o destino – ou falta dele – pra gente era só parte da aventura. Como disse Clark Griswold em Férias Frustradas: “Chegar lá é a metade da diversão. Você sabe disso!”.

E que diversão. Como já se sabe, viajar de carro no Brasil exige uma certa dose de coragem. A rodovia da morte, entre Curitiba e São Paulo, costumava ser chamada assim por motivos óbvios e tinha (será que ainda tem?) uma quantidade tão absurda de buracos, pedaços enormes sem asfalto, que acabava com o carro e com a nossa paciência. Atravessamos – assim, no meio mesmo – de uma manada enorme de bois e vacas, e alguns touros não tão amistosos, com chifres pontudos. Vimos um carro capotar no meio do nada na Bahia e uma família inteira sair voando pelas portas e janelas. Várias crianças, bebê, um horror. Nós paramos pra ajudar com uma caminhonete de lavradores. A avó da família morreu enquanto minha mãe com o bebê deles no colo a levava – na caminhonete dos lavradores – pro hospital. Atravessamos um rio. Nós crianças entramos em pânico no banco de trás, mas você acredita que existe uma estrada em algum lugar no sul do Brasil que só passando no meio de um rio pra continuar? E ainda tinha uns carinhas faturando uma graninha pra ajudar a passar – uma espécie de flanelinha.

Você está aí de olhos arregalados achando que somos masoquistas? Nem perto. Acho que essas estórias fazem parte do que eu e minha família somos hoje. Da parte de resolver problemas quando eles acontecem, da coragem, da falta de frescura. Mas as viagens também tiveram momentos, a maior parte deles, lindos. Nadar em Abrolhos e em Recife de Fora, foi incrível. Nadar com tartarugas, muitos, muitos peixes coloridos, dar comida pra eles na boca no meio do alto mar, pisar em ouriço, ficar cara a cara com uma moréia. Tudo isso faz parte. Parar em cidades que não estavam programadas, ou outras que estavam e que surpreenderam demais – ver um festival tradicional acontecendo assim, inesperado, enquanto tomávamos um suco de pitanga estalando de fresca. Dormimos em lugares nem sempre planejados, um deles tinha um grilo cantando a noite inteira. Descemos nas crateras conhecidas como “Caldeirões do Inferno” em Furnas, com elevadores panorâmicos e gritinhos apavorados. Conhecemos uma pista de esqui perto de Joinville, e tomamos um super farto café colonial com um moleque da cidade que disse que sabia de tudo na região. Abraçamos uma árvore de tronco enorme no meio de uma floresta, e passeamos em um trem daqueles antigões em Paranaguá. Fomos até Foz, onde vimos ninhos de pássaros diferentões e fizemos pedidos com moedinhas. Conhecemos a hidrelétrica de Itaipu quando ainda parecia que nem estava terminada, mas lembro que era tudo muito grande. Tocamos nas incríveis formações rochosas de Vila Velha. Vimos plantações de café e cacau e os caras subindo nos dendezeiros pra catar o fruto do dendê e tomamos picolé artesanal de umas frutas que não conhecíamos. Andamos em ruas e praças de cidades que pareciam saídas da novela Tieta, e fomos muito bem recebidos em todos os lugares que fomos.

Ao meu ver, viajar de carro tem mais vantagens que desvantagens. Claro que dá pra fazer tudo isso indo de avião, mas alugar carro no Brasil pode ser complicado, então você acaba ficando muito restrito às cidades principais, e tem tanta maravilha nos lugares mais distantes! Mas pra tudo isso é necessário muito planejamento e muito tempo, nossas viagens eram de 1 mês. Viajar de carro te dá muita liberdade, e hoje em dia planejar é fácil. Imagine que muitas dessas viagens foram feitas há 20-25 anos atrás e tudo o que tínhamos era um mapa, uma lista de hotéis de trânsito o guia Quatro Rodas, e muita coisa ainda nos pegou de surpresa, vide o rio no meio do caminho.

Então é óbvio que depois que me mudei pros EUA, que eu ía ter planos de fazer umas coisas dessas. Nunca fomos pra muito longe, só viajamos de carro no nosso estado, e estados mais perto como Idaho, Oregon, Montana e Columbia Britanica no Canadá. Mas desde muito tempo que tínhamos uns planos mais audaciosos. Eu tenho que dizer que fiquei muito surpresa quando ouvi gente dizendo “que disposição!” quando contei dos meus planos. Eu realmente não entendo que disposição extra eu tenho que ter pra fazer uma viagem de carro sair, além do planejamento extra. Hoje em dia tudo parece tão mais fácil. O Rob também foi desses que viajou bastante de carro, mas mais na parte leste do Canadá, mas pelo menos ele também não tem medo de estrada, pelo contrário. Sabíamos que isso era uma coisa que tínhamos em comum.

Então qual não foi minha surpresa quando ele chegou do trabalho um dia e contou que tinha almoçado com um antigo chefe/amigo da Microsoft que ofereceu de alugar o Motorhome dele, enorme, pra gente fazer umas viagens. Mas isso fica pro próximo post. :)

 

*atenção, todas as fotos e vídeos foram feitos com o iPhone, então não reparem a falta de qualidade!

O Robert tinha que passar quase uma semana em Portland trabalhando e eu reparei que faltava muito pouco pro Thomas voltar a estudar e eu finalmente tinha entrado de férias. Reparei também que o aniversário do Lucas tinha passado em branco e eu queria comemorar isso e fazer algo legal pro Thomas antes das aulas começarem – eu coloquei o fator “ei, eu também acabei de me formar e quero comemorar – para fins de negociação com o marido. Smile

Pensei em ir pra Miami aproveitar uma prainha e nadar com os golfinhos, mas acabou que achei tickets pra Los Angeles (de Portland) super baratinhos e ai a coceira da Disney começou e não consegui mais abandonar a idéia. Depois que mostrei uns vídeos no Youtube pro Lucas e pro Thomas, então, o destino estava selado! O Thomas foi em 2008 mas obviamente não lembrava de nada, então foi como se fosse a primeira vez de novo, melhor ainda!

Fazia muito tempo que a gente não viajava, então a animação começou com a idéia de viajar de avião. O Lucas simplesmente ficou obcecado com a idéia, olhando pro céu e imaginando estar lá em cima. Eu aproveitei pra ir na Target pra comprar umas coisinhas pra viagem. Uma mochila de viagem não poderia faltar! Ele carrega até hoje essa mochila pra cima e pra baixo.

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A nossa viagem começou de noite, a gente tinha que dirigir até Portland, que fica a 3 horas de carro daqui. As crianças dormiram, paramos em Olympia rapidinho pra eu resolver um negócio do voluntariado e chegamos no hotel de Portland um pouco antes da meia-noite.

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O hotel que ficamos foi resolvido pelo trabalho do Robert, eles íam fazer reuniões nesse hotel pertinho do aeroporto. Fiquei preocupada com o barulho, e vimos muitos aviões passando na nossa janela, mas no final o barulho foi mínimo. O Lucas me mostrou ca-da avião que passava: “Olha mamãe, um avião!”, agora imagina isso a cada 5 minutos. O hotel Aloft foi muito legal, bem moderninho e ótimo serviço, mas não tinha restaurante e era completamente não baby-friendly. Mas enfim, foi todo pago pela empresa, então fui na onda…

Esses aviões militares faziam bastante barulho, mas felizmente só vi uns 5 deles. Lucas curtiu.

Em Portland, o que a gente gostou muito foi ter ído no OMSI – Oregon Museum of Science and Industry. Eu achei melhor e maior do que o de Seattle,  com muita coisa interessante pras crianças pequenas. Eu passei o dia lá com os três enquanto o Robert trabalhava e nem consegui ver tudo.

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Ainda bem que levei uma troca de roupa pra todo mundo na bolsa – o plano era ter ido numa prainha em vez do museu naquele dia, então não foi desesperador ter eles completamente encharcados.


Ele nunca mais vai conseguir fazer isso…

Ficaram hooooooras nessa parte de tacar bolinhas de esponja pra todos os lados.

 

Portland foi legal, passeamos bastante mas também passei muito tempo planejando a parte “boa” hahah, já que tudo foi resolvido super em cima da hora e não tive tempo de fazer nem a metade antes de sair de casa. Como ficamos muito tempo em Portland, aproveitamos pra levar todas as roupas sujas numa lavanderia antes de pegar o avião. . Algumas coisas, como fórmula e fraldas pro Noah e meus sapatos oficiais da Disney (Crocs, pode rir!) eu comprei na Amazon e mandei entregar no hotel de Anaheim. Muita coisa que eu levei no carro pensando em legar pra California, eu acabei deixando no carro mesmo. O plano era deixar o carro no estacionamento do aeroporto (eles tem 3 opções de preço, começando com o mais baratinho que era $10 por dia) pelos 6 dias que íamos estar fora.

No último dia ainda precisei fazer umas compras:  notei antes de sair de Seattle que o Lucas estava precisando trocar do tamanho 4 pra 5 mas eu não tive tempo de comprar nada. Também queria parar numa loja de brinquedo pra comprar algo pra evitar algum chilique. Eu fiquei marcada pelo o que o Thomas deu uma vez, e eu confesso que estava muito ansiosa com a idéia de viajar pela primeira vez com os dois pequenos, mesmo com o Robert junto e mesmo o vôo de apenas 2 horas. Felizmente o Lucas, que tinha acabado de fazer 3 anos, já estava mostrando sinais de mais entendimento e colaboração. Depois de muito procurar dentro da Toys r us, achei um tablet de brinquedo que tem até câmera, só que pensei em não mostrar  pra ele até o momento emergência (que nunca aconteceu!). Eu já estava levando o Kindle com vários desenhos que ele curte, uns 2 ou 3 livros e carrinhos que os dois adoram.

Eu comprei as passagens que saiam de Portland às 6:30 da manhã, e quem me conhece sabe que a essa hora eu tenho que ter um motivo muito bom pra estar de pé, mas era o que tinha disponível e funcionou muito bem porque o Noah dormiu a viagem toda de ída no colo do Robert.

Acordamos um pouco antes das 5 e pra isso foi ótimo estar perto do aeroporto. O Lucas, que estava há dias repetindo “eu quero ir pra disneyland, eu quero ir pra disneyland” ou “eu quero ir no avião, eu quero ir no avião” ad infinitum (nota pessoal: fazer surpresa da próxima vez), deu um pulo da cama sem nenhum problema, calçou os sapatos (e trouxe os meus sapatos pra eu calçar), pegou a sua mochila e ficou na porta esperando a gente.

Não importa o quanto eu tenha me planejado (obviamente preciso polir as minhas estratégias), a quantidade de malas e coisa de criança que levamos foi ridícula, eu nem olhava pra não ter um treco. O Robert me deixou na frente da porta do check-in e foi estacionar o carro porque já estávamos em cima da hora, e lá estava eu na calçada do aeroporto, às 5:30 da manhã, com:  3 crianças sonolentas, um carrinho de bebê duplo, duas cadeirinhas pro carro pesadíssimas, bolsas das respectivas cadeirinhas, mochila da câmera, mochila do Robert, mochila do Thomas, mochila do Lucas, 1 bolsa de mão de sapatos, uma bolsa de fraldas e duas malas grandes – imagina se eu não tivesse deixado coisa no carro! Aí o modo “keep calm and carry on” é acionado, eu não falo uma palavra além de pedir pro Thomas me ajudar em algumas coisas. Depois de todas as malas empilhadas feito torre de Pisa, ainda tivemos que entrar no aeroporto através de uma maldita porta giratória – naquela altura do campeonato eu não conseguia achar o botão pra fazer ela parar de rodar – e a porta normal que tinha do lado não era larga o suficiente pra passar com tudo. Então foi uma coisa meio “Os três patetas”, mas conseguimos entrar sem maiores problemas.

Quando já estávamos dentro do avião, o Lucas estava animadíssimo olhando pela janela, o Noah voltou a dormir,  o Thomas ficou esperando a hora de jogar seu nintendo ds, e a gente conseguiu respirar. Embora as crianças tivessem tomado leite antes de sair do hotel, o Rob e eu estávamos de estômago vazio, mas não sentimos nem fome.

Toda a viagem correu muito bem com o que tinhamos disponível. O Lucas ficou a maior parte do tempo entretido com a viagem em si e se comportou muito bem. Embora ele já não use mais fraldas, eu coloquei uma pull-up caso algo acontecesse. Não só durante o vôo, mas a viagem inteira, ele não teve nenhum acidente e até aprendeu a fazer xixi de pé enquanto estávamos na California.

 

Estive cheia de provas e fazendo coisinhas em família e tudo ficou meio parado nessas últimas semanas. Mas algumas das minhas últimas:

1- pintamos o teto da sala de jantar de branco, deu uma melhorada considerável no ambiente. Ignore as muitas marcas na parede, estamos testando cores. Antes eu achava escuro mesmo com as 9 lâmpadas do chandelier acesas, agora, felizmente a luz reflete e clareia bastate. Tanto que a minha idéia era de mudar a cor das paredes dessa sala e agora estou em dúvida. Rob e eu resolvemos deixar cinza por enquanto, terminar a decoração toda dessa sala antes de decidir se queremos mudar ou não. Vamos fazer várias coisas essa semana pra preparar a casa pro Natal, então logo terei fotos mais legais: meus planos são de fazer uma credenza (um hack da Ikea!), comprar capas brancas pras cadeiras, pintar os corredores (o Rob já está pintando alguns quartos e tetos) e talvez fazer a parede galeria, mas não sei se vou conseguir fazer isso tudo. E mais pra frente pretendo colocar um tapete, talvez fazer cortinas com um tecido que eu adoro. O lustre eu queria mudar, mas também não está na lista de prioridades.

Notaram também que eu mudei a orientação da mesa e do lustre? Embora não pareca na foto, tudo flui bem melhor dessa maneira. Depois que terminar a credenza vou poder determinar se vou tirar as extensões da mesa ou não, por enquanto está com as duas.

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2 – Pintamos, depois de uma odisséia sem tamanho, a mesa de jantar de preto. Eu comprei essa mesa há 7 anos atrás na Pottery Barn com a cor “Mogno”. Meu engano foi achar que eu poderia lixar ela todinha e usar uma outra tonalidade de madeira nela, menos avermelhada. Nem queira saber o que eu descobri depois de semanas lixando até a madeira.. Enfim, depois de muito suor e lágrimas perdidas retirando todas as camadas de polyuretano, acabamos pintando… mas eu gostei. Eu estava com medo de pintar logo de preto, mas depois que o teto ficou branco a coisa fluiu melhor. E de novo usamos a tinta Advance da Benjmanin Moore, que é ideal pra móveis: ela é auto-nivelante e o acabamento fica muito bom. Depois que pintei os móveis do Thomas eu me apaixonei de vez por essa tinta, que é à prova de burradas.

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Comprei uma cômoda vintage e pequenininha pra colocar na entrada da minha casa, por $20. Eu me encantei por ela mas a madeira está bem arranhadinha. Vou arrumar um tempo pra pintar ela antes do Natal e coloco o antes e depois aqui.

 

Semana retrasada o Robert acordou às 5h da manhã (eu levantei com ele pra arrumar o carro e fazer algo pra ele comer na viagem), dirigiu 3 horas e meia até uma cidadezinha perdida no meio do estado de Oregon pra se encontrar com um caminhão vindo do Texas com um carregamento precioso: 15 cães da raça Montanha dos Pirineus que não só foram abandonados mas foram pegos pela carrocinha e estavam marcados pra serem sacrificados no dia em que foram salvos.

Aqui nos EUA e em muitos outros países, muitos cachorros em diversos tipos de trabalho. No Brasil, a gente está mais acostumado a ter cachorros como animais de estimação ou como guarda da casa, salvo os que são cães de terapia. E no caso do Great Pyrenees, eles são usados de forma bem : cão de guarda de ovelhas nas fazendas, pra protegê-las de predadores, como lobos e ursos. Não são cães de pastoreio como o Border Collie. São branquinhos pra sumir no meio das ovelhas e fazem delas a sua matilha. Têm um instinto bastante protetor mas é delicadíssimo com coisas pequenas, como ovelhinhas ou no nosso caso, com crianças.

Aí, você me pergunta, como é que essas criaturas fofíssimas se encontram aos montes nos abrigos?O que acontece é que como esses cães (estou generalizando muito) são vistos como um bem da propriedade e se eles não fazem o trabalho deles direito, eles são “despedidos”. Assim como uma vaca que não dá leite, um cão de guarda que não guarda não tem lugar na fazenda. Claro que não são todos, nem a maioria dos fazendeiros que enxergam as coisas tão preto no branco assim, e todo fazendeiro que eu conheço tem amor por todas as criaturas e jamais faria uma coisa dessas. Mas sempre tem uma banda podre em qualquer palácio ou sarjeta do mundo.

Além disso, se você precisa vender ou doar um animal, existem maneiras de se fazer isso. Se você não pode mais arcar com as responsabilidades de ter um animal, os abrigos estão aí pra ajudar nessa transição. Só que mesmo ciente dessas opções muito optam por simplesmente largar na rua. Chame do que quiser, covardia, medo de ser crucificado, sei lá. Não tenho problemas com quem tem que doar, mas faça direito. Tem opção, sempre tem.

Quando a gente comprou a Gwen, o Pyr estava em segundo lugar na nossa lista porque estávamos atrás do que chamam de cachorro-babá, aqueles cães bem tolerante com certos abusos de crianças. Dizem que quando os Pyrs se juntam com crianças se sentem no “paraíso dos Pyrs”.

Pois bem, escolhemos uma cadelinha dessa raça no site Petfinder.com que disponibiliza todos os animais disponíveis pra adoção nos abrigos de todo os EUA e Canadá. Acabou que o abrigo nacional dessa raça disse que aquela cadelinha que gostamos já estava com outra família, mas que tinha uma outra cadelinha bem calma, de mais ou menos 2 anos, brincalhona mas não demais, o que seria ideal pra gente com criança pequena. Ficamos então esperando duas semanas pro tal caminhão vir de Houston pra Oregon pra adotar a Lily.

Pedi pro Rob ligar o skype no iphone dele assim que ele chegasse lá pra eu poder acompanhar como se eu estivesse também. A moça que manteve os cachorros na casa dela em Houston veio no caminhão junto e já tinha avisado que a Lily (ela se chamava Demi no abrigo) não gostou nada dessa idéia de ficar na caixa de transporte. Foram 4 dias de viagem de caminhão! A pobre estava super suja, estressada, apavorada, ofegante até dizer chega.

Depois de tentar levar ela pra um breve passeio (o que não funcionou muito bem, tamanha agitação dela), o Robert colocou ela dentro do carro (fiz uma cama com lençóis velhos mas com o nosso cheiro) e veio. Ela ficou um tempo acordada no carro, mas dormiu o resto da viagem.

É comum eles não comerem no transporte e dormirem direto por vários dias após esse stress todo e foi o que ela fez. Eu nem acho que ela está muito acostumada a comer ração, porque ela come só porque está com muita fome. Talvez por isso ela esteja tão magrinha!

Grave bem essas fotos dela, ano que vem ela vai ser outra. A pelagem de inverno vai crescer apropriadamente (em Houston é muito quente, então o pêlo deles não enche tanto), as manchas da pelagem dela vão desaparecer, ela vai voltar ao peso ideal e ela vai parecer um algodão doce (palavras da minha amiga Karol).

Assim que ela chegou, ja foi logo fazendo amizade com as crianças, o Lucas fica num agarramento com ela o dia inteiro! Ele chama ela de Niny hahahaha, até me confunde às vezes. Mas assim que ela pisou no nosso gramado pela primeira vez (nem sei quando foi a última vez que ela sentiu grama debaixo nas patas!) ela rolou, correu, deitou de barriga pra cima: como ela ficou feliz!

Nasceu de novo!

Como era de se esperar, ela é a descrição perfeita do touro na loja de louças, exceto quando está perto das crianças – aí é de uma delicadeza sem tamanho. Mas ela não está acostumada a ficar dentro de casa, se sente confortável só do lado de fora, parece uma girafa subindo escada e não sabe andar na guia… qualquer barulhinho a deixa apavorada e ela sai correndo pro jardim. Mas eu já ensinei o sit e  down e estamos trabalhando na guia!

Ela é muito meiga e mansinha, não dá trabalho nenhum, nenhum. Só precisamos agora descobrir como fazer pra ela parar de roubar as meias do Noah. Winking smile 

 

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E pra quem perguntou da Chloe, está a mesma coisa que era com a Gwen. Elas podem ficar num mesmo cômodo e até bem perto uma da outra, mas se evitam. Ontem a Lily passou o rabo na cara da Chloe e a Chloe ficou toda desconcertada sem saber de onde aquele rabo tinha vindo, se é que sequer viu que era um rabo.

 

Existe pouca coisa mais deliciosa que uma sopa bem feita, com ingredientes frescos, numa noite friazinha. O dia estava lindo ontem, tanto que fomos na fazenda de abóbora, e tirando algumas poças de lama (vide fotos do Lucas), tudo estava perfeito. Então, por que não terminar o dia fazendo uma sopa que já estava há alguns dias querendo (culpa da Fer!)? O problema é que eu não consegui me decidir exatamente o que fazer, então eu misturei tudo. Foi um pouco de receita da Fer, um pouco de caldo verde e um pouco de Cozido à portuguesa. Ficou uma delícia.

E no meu mundo não existe sopa sem baguette, sem vinho e sem pimenta. Aproveitei e fiz um molhinho vinagrete estalando de fresco, com umas pitadas de caiena.

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Receita:

Refoguei bacon com meia cebola, joguei metade de uma butternut squash (abóbora) em cubinhos pequenos. Uma colherzinha de alho amassado e uma de tempero completo. Só pra dar uma acordada na abóbora. Coloquei um litro de caldo de vegetais (o melhor que você conseguir comprar!), duas latinhas de feijão branco (você pode fazer o feijão separado, mas eu só tinha em lata, não me batam!). Eu usei a variedade Great Northern. Fechei a panela e deixei cozinhar ate a abóbora ficar bem molinha. Quando já estava pronta, amassei a sopa/abóbora com um amassador de purê de batatas, coloquei couve inteira cortadinha e sem o talo e fechei de novo ate a couve murchar. O Rob chegou aí com a kielbasa (linguíça defumada) que eu teria colocado no início junto com o bacon, mas acabei colocando no final e cozinhando mais um pouco. Piquei umas folhinhas de sálvia e umas folhinhas de alecrim por cima e pronto.

Servi com um molho vinagrete, vááááárias gotinhas de tabasco, uma baguete quentinha saída do forno e um Cabernet Sauvignon que amigos nos deram no nosso aniversário de casamento (fizemos 10 anos sábado passado!).

Almocei mais cedo porque toda vez que abria a geladeira estava lá aquela gostosura e ainda são 4:20 e estou aqui de um lado pro outro esperando ansiosamente a hora do jantar.

Faça!

 

Esse ano fomos numa fazenda de abóboras diferente. Qual foi a primeira coisa que o Lucas fez? Entrar numa poça de lama. Mas quando ele se viu livre, se sentiu como um homem com uma missão: não parou um segundo sequer, tentando achar sua abóbora favorita. Gritava de longe: PUMPKIN!!! Corria de um lado pro outro. Chorou quando saímos e dormiu no carro.

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