A primeira coisa que fizemos quando surgiu a oportunidade de alugar o Motorhome pela metade do preço do que alugam por aí, foi exclamar: “a viagem da costa da California!!”, que era uma coisa que já queríamos fazer há muito tempo. Depois explico porque essa decisão não foi a mais acertada. Por agora digo que passamos semanas, acho que desde fevereiro, sofrendo em decidir se íamos fazer isso ou não.
Os números não batiam. Mesmo pagando a metade do preço, sairia mais caro, e bem mais caro, ir de motorhome do que de carro ou de avião. Quando falo motorhome, estou falando daqueles que são de um tamanho de um ônibus, depois explico as diferenças. Mesmo colocando hotel e voo, o preco da gasolina (no nosso caso é Diesel que é mais carinho), o aluguel do motorhome e as diárias dos RV parks (espécie de hotel para motorhomes e trailers; RV é recreational vehicle, um termo geral pra motorhomes e trailers), ficaram bem acima. Ir de carro, claro, sairia bem mais barato do que voar e nao precisariamos alugar um carro, mas sempre tivemos vontade de viajar de motorhome e a oportunidade simplesmente caiu no nosso colo. Como recusar? Algumas semanas nós resolvemos que não valia a pena, só pra logo em seguida ficar morrendo de pena. Então resolvemos ter uma conversa séria e bater o martelo que sim, ía sair mais caro mesmo, mas dane-se. E viramos a página.
O Itinerário:
A decisão de fazer a viagem não quer dizer que a idéia de todo é razoável. A viagem que eu montei com certeza vai ser ótima, mas acabou que não vai ser totalmente pela costa como queríamos. O meu primeiro itinerário, aquele dos sonhos, era completamente impossível fazer com um ônibus, logo vi que precisava cortar muitas cidades (eu queria ir pela costa do Oregon também, por exemplo) e adicionar mais dias. E mudar rotas. Pelas minhas leituras e participações de foruns online especializados, a idéia de levar um motorhome de 39 pés (quase 12 metros) pela maior parte da costa seria possível, mas fortemente não aconselhável pela quantidade de curvas e rodovias estreitas. A resposta foi unânime: muito tenso e não aconselhável pra um motorista experiente, incrivelmente mais tenso pra um motorista não experiente. Não faça.
Com a decisão de cortar as cidades de Oregon e deixar só a California mesmo, ficou mais fácil focar a viagem num período de tempo adequado: 2 semanas. Isso seria o mínimo, mas acho que uns dias a mais ficaria ainda melhor. Percebi que quase todos os donos de motorhome, ou aqueles que viajam neles em tempo integral, usavam Microsoft Street & Trips pra planejar porque funciona com GPS, tem todas as paradas necessárias dentro dele, você pode calcular/planejar gasolina, paradas, tempo e também se tem algum viaduto que é mais baixo do que o tamanho do seu motorhome. Claro que dá pra fazer tudo isso sem esse programa, mas como eu posso pegar ele de graça, foi isso que fiz e não me arrependi. Também baixei, só pra garantir que o Streets não era vacilão, uma lista de Low Clearance (passagens com o teto mais baixo do que o padrão, que é 14 pés de altura) da Califórnia pra saber se tinha algum lugar que teríamos que evitar, já que o motorhome tem 13 pés de altura.
Pesquisei o que o pessoal considera aceitável dirigir por um dia. A primeira coisa que surgiu na minha cabeça foi que devia ser diferente a sensação: será que cansa mais? Menos? E o óbvio é que em algumas situações você vai estar dirigindo mais devagar que um carro, mas felizmente dá pra acomapnhar bem o fluxo na maior parte dos lugares. O consenso é que 4 a 6 horas por dia é provavelmente adequado – muito mais do que isso começa a ficar perigoso porque realmente o motorhome sente qualquer buraquinho na estrada, então a atenção é redobrada como quem viaja numa moto, por exemplo.
O dono do motorhome nos deu dicas ótimas de postos de gasolina, RV parks que ele gostou e disse: “Essa é a primeira vez que vou deixar alguém usar meu motorhome e é só porque é pra vocês, mas vocês precisam ir numa viagem menor antes dessa grande pra ver onde vocês estão se metendo. E vou dar aula de direção e mecânica pra vocês.” Feito. Conto pra vocês mais tarde sobre a viagem para Walla Walla, WA que acabamos de fazer.
Então com a ajuda do Street and Trips, eu fui marcando as cidades com as informações que eu já tinha. Fiquei algumas semanas olhando pro trajeto e pesquisando o que queríamos fazer, e não mudei quase nada desde a primeira vez que eu usei o programa. Exceto adicionar alguns dias em alguns lugares e mudar um específico RV park que tinha que fazer muita manobra pra estacionar, ficou tudo igual mesmo depois de me aprofundar mais no itinerário, o que foi bom.
O que quero dizer com me aprofundar no itinerário? Além do óbvio de ver onde queríamos ir, tínhamos que prestar a atenção em alguns detalhes. Uma prioridade pra mim é que o local do RV park fosse de fácil acesso. Por incrível que pareça (e agradeço aos foruns especializados e ao Google Maps) alguns tem umas entradas bem complicadinhas pra um RV desse tamanho, tipo, uma pista só, super estreita e com uma inclinação que me deixa desconfortável. Outros são em localização não desejáveis, ou muito barulhentos, ou sem muita segurança. Felizmente, existem muitos sites de reviews de RV park na internet e dá pra saber com certeza quais são os bons e quais são ruins. Existem RV parks que não tem nada e outros que são super luxuosos.
Onde ficar?
Você pode estacionar o seu RV em RV parks, que são propriedades privadas como um hotel. Muitas vezes o dono mora no próprio local e supervisiona tudo, e geralmente eles oferecem todos os hook-ups (conexões de eletricidade, água ou esgoto) e quando isso acontece eles tem full hook-ups. Às vezes alguns sites, ou vagas, tem todos os hook-ups e outros do mesmo park tem só alguns. Existem campgrounds, que são os famosos campings, que tem lugar pra barraca e trailers/motorhomes, que também pode variar bastante como os RV parks e também existem os parques nacionais que são disputadíssimos no verão mas muitas vezes não oferece eletricidade, agua ou esgoto, então você tem que resolver com o que o teu RV é capaz de fazer. Você também pode optar por fazer Boondocking, ou Dry Camping, que basicamente é ficar num lugar, geralmente público sem hook-up nenhum, como um estacionamento do Walmart (depois de pedir permissão!), ou rest area ou truck stop, ou onde a sua imaginação levar, mas certifique-se que pode antes de dormir num lugar desses. Normalmente quem só vai passar uma noite pra continuar viagem gosta dessa opção por economizar dinheiro e já que não vai precisar de nenhum hook-up mesmo.
Eletricidade: A maior parte dos RV parks oferece hook-ups de 30 ou 50 ampéres. Se você se lembra das suas aulas de física, amperagem é a contagem de força da corrente elétrica, então se você se conecta num lugar de 30 amp, você vai poder ligar menos aparelhos dentro do RV do que 50 amp. Como vamos viajar no final de agosto, temos que garantir vagas que oferecam 50 amp, porque já notamos pela viagem da semana passada que 30 amp só deu pra um ar condicionado (o motorhome tem dois) e não deu muita vazão com temperaturas acima de 90F e poucas árvores em volta. Lembre-se que a geladeira também suga eletricidade e fica ligada o tempo todo. Uma manhã, quando liguei a televisão, algumas luzes, o microondas e o fogão ao mesmo tempo, a geladeira começou a apitar avisando que ela tinha desarmado e estava usando as baterias e propano que existem no porão do motorhome e funcionam sempre que ele não está conectado.
O esgoto: Há! Essa é a parte mais divertida. Pode ser uma coisa muito nojenta, mas felizmente o dono do motorhome já foi dizendo que eles não fazem o número 2 no motorhome e que seria melhor se não fizéssemos também. Claro que se precisasse era diferente. Ele era piloto militar e bem metódico nos costumes deles e obviamente o motorhome dele é muito limpo. Os motorhomes tem dois compartimentos de sujeiras: Black Water – água que vem das privadas, e Grey Water, que vem do chuveiro e das pias. No RV park que nós ficamos, o grey water fica conectado o tempo todo, e só quando você quer despejar a black water que você muda uma alavanca. As nossas intruções são para despejar sempre gray water depois da black e depois enxaguar a mangueira por dentro com água limpa pra manter tudo sempre limpo antes de guardar. Existem outros detalhes e aditivos que temos que adicionar, mas isso não interessa muito agora. O Robert fez tudo sozinho e rapidamente, não se sujou e foi tudo ótimo, mas eu sei que existem dois problemas pra futuros motoristas por aí: nem todo RV park vai ter o hook-up de esgoto no seu próprio site, alguns tem um só no park inteiro e outros não tem nenhum e você tem que procurar um posto de gasolina ou rest area que tenha (internet tem listas). Não necessariamente a mangueira do seu RV alugado vai estar limpa, eu espero que sim, mas verifique antes. Tudo isso é fácilmente contornável, mas como existe de tudo nesse mundo, é bom saber pra evitar.
Como escolher um Site:
Dentro de um RV Park tem uma variedade de vagas, e dando uma olhada em sites de reviews e fotos do próprio park você pode ter uma idéia de onde você quer ficar. Sempre tem um mapa no website deles também. Existem tipos de vagas diferentes: Pull-thru é uma vaga que você pode estacionar de frente, Back-in é uma vaga que você tem que estacionar de costas. No nosso caso, optamos por sempre estacionar de frente. Estacionar de costas requer que eu saia do motorhome e dê indicações pro Robert, é muito complicadinho mesmo e o próprio dono do motorhome teve que fazer vários reparos de batidas que ele deu fazendo manobra. Algumas vagas são enormes a ponto de você pode estacionar qualquer carro que você esteja rebocando, e outras vagas são bem curtinhas. Na hora de fazer a reserva, é só você informar alguns detalhes no próprio site deles ou ligando pra fazer a reserva, como o tamanho do RV, se tem Slide-outs (expansões da carcaça do RV que deixa o espaço interno bem maior quando estacionado), se tem carro rebocando, etc.
Muitos RV parks funcionam mesmo como um hotel, você consegue informações turísticas na recepção, eles tem banheiros públicos e na maior parte das vezes muito limpo, e também lavanderia daquelas de moedas. Muitos tem amenidades como piscina, sala de jogos, lanches, café etc. Pra você ter uma idéia, um dos que a gente vai ficar tem karaoke toda sexta, outro tem ice cream social pras crianças, pula-pula gigante e passeio turístico organizado por eles.
A vasta maioria dos parks aceita animais de estimação, mas alguns tem limites do tamanho de cachorro, ou a quantidade ou raça. Uns são tão bons nesse quesito que até oferecem pet sitting! Teoricamente você pode deixar seu animal dentro do RV com o ar condicionado ligado se você for sair – o ar pode ficar ligado o dia inteiro – mas ouvi muita gente dizer que é comum o ar desarmar e que é perigoso pois a temperatura pode ficar altíssima em pouquíssimos minutos. No inverno pode ser uma boa, ou de noite, mas no nosso caso não vamos levar nenhum dos nossos animais. Mas eu acho o máximo as fotos dos gatos viajando e pegando sol no banco do co-piloto!
– a seguir: aprendendo a digir o motorhome e Walla Walla –
Eu já gosto de colocar o pé na estrada. Viajei muito de carro no Brasil (até indo a Argentina e Paraguai) quando criança até meus vinte e poucos, e até hoje são as melhores memórias que eu tenho do Brasil. Eu já era maiorzinha quando fomos até a Bahia e Abrolhos nadar com tartarugas, fui e voltei de Florianópolis (onde morei por um tempo) trazendo uma prancha de sandboard na mala. Tudo de carro.
Acho que na época não tinha muita opção, além do preço dos vôos serem bem mais caros e o destino – ou falta dele – pra gente era só parte da aventura. Como disse Clark Griswold em Férias Frustradas: “Chegar lá é a metade da diversão. Você sabe disso!”.
E que diversão. Como já se sabe, viajar de carro no Brasil exige uma certa dose de coragem. A rodovia da morte, entre Curitiba e São Paulo, costumava ser chamada assim por motivos óbvios e tinha (será que ainda tem?) uma quantidade tão absurda de buracos, pedaços enormes sem asfalto, que acabava com o carro e com a nossa paciência. Atravessamos – assim, no meio mesmo – de uma manada enorme de bois e vacas, e alguns touros não tão amistosos, com chifres pontudos. Vimos um carro capotar no meio do nada na Bahia e uma família inteira sair voando pelas portas e janelas. Várias crianças, bebê, um horror. Nós paramos pra ajudar com uma caminhonete de lavradores. A avó da família morreu enquanto minha mãe com o bebê deles no colo a levava – na caminhonete dos lavradores – pro hospital. Atravessamos um rio. Nós crianças entramos em pânico no banco de trás, mas você acredita que existe uma estrada em algum lugar no sul do Brasil que só passando no meio de um rio pra continuar? E ainda tinha uns carinhas faturando uma graninha pra ajudar a passar – uma espécie de flanelinha.
Você está aí de olhos arregalados achando que somos masoquistas? Nem perto. Acho que essas estórias fazem parte do que eu e minha família somos hoje. Da parte de resolver problemas quando eles acontecem, da coragem, da falta de frescura. Mas as viagens também tiveram momentos, a maior parte deles, lindos. Nadar em Abrolhos e em Recife de Fora, foi incrível. Nadar com tartarugas, muitos, muitos peixes coloridos, dar comida pra eles na boca no meio do alto mar, pisar em ouriço, ficar cara a cara com uma moréia. Tudo isso faz parte. Parar em cidades que não estavam programadas, ou outras que estavam e que surpreenderam demais – ver um festival tradicional acontecendo assim, inesperado, enquanto tomávamos um suco de pitanga estalando de fresca. Dormimos em lugares nem sempre planejados, um deles tinha um grilo cantando a noite inteira. Descemos nas crateras conhecidas como “Caldeirões do Inferno” em Furnas, com elevadores panorâmicos e gritinhos apavorados. Conhecemos uma pista de esqui perto de Joinville, e tomamos um super farto café colonial com um moleque da cidade que disse que sabia de tudo na região. Abraçamos uma árvore de tronco enorme no meio de uma floresta, e passeamos em um trem daqueles antigões em Paranaguá. Fomos até Foz, onde vimos ninhos de pássaros diferentões e fizemos pedidos com moedinhas. Conhecemos a hidrelétrica de Itaipu quando ainda parecia que nem estava terminada, mas lembro que era tudo muito grande. Tocamos nas incríveis formações rochosas de Vila Velha. Vimos plantações de café e cacau e os caras subindo nos dendezeiros pra catar o fruto do dendê e tomamos picolé artesanal de umas frutas que não conhecíamos. Andamos em ruas e praças de cidades que pareciam saídas da novela Tieta, e fomos muito bem recebidos em todos os lugares que fomos.
Ao meu ver, viajar de carro tem mais vantagens que desvantagens. Claro que dá pra fazer tudo isso indo de avião, mas alugar carro no Brasil pode ser complicado, então você acaba ficando muito restrito às cidades principais, e tem tanta maravilha nos lugares mais distantes! Mas pra tudo isso é necessário muito planejamento e muito tempo, nossas viagens eram de 1 mês. Viajar de carro te dá muita liberdade, e hoje em dia planejar é fácil. Imagine que muitas dessas viagens foram feitas há 20-25 anos atrás e tudo o que tínhamos era um mapa, uma lista de hotéis de trânsito o guia Quatro Rodas, e muita coisa ainda nos pegou de surpresa, vide o rio no meio do caminho.
Então é óbvio que depois que me mudei pros EUA, que eu ía ter planos de fazer umas coisas dessas. Nunca fomos pra muito longe, só viajamos de carro no nosso estado, e estados mais perto como Idaho, Oregon, Montana e Columbia Britanica no Canadá. Mas desde muito tempo que tínhamos uns planos mais audaciosos. Eu tenho que dizer que fiquei muito surpresa quando ouvi gente dizendo “que disposição!” quando contei dos meus planos. Eu realmente não entendo que disposição extra eu tenho que ter pra fazer uma viagem de carro sair, além do planejamento extra. Hoje em dia tudo parece tão mais fácil. O Rob também foi desses que viajou bastante de carro, mas mais na parte leste do Canadá, mas pelo menos ele também não tem medo de estrada, pelo contrário. Sabíamos que isso era uma coisa que tínhamos em comum.
Então qual não foi minha surpresa quando ele chegou do trabalho um dia e contou que tinha almoçado com um antigo chefe/amigo da Microsoft que ofereceu de alugar o Motorhome dele, enorme, pra gente fazer umas viagens. Mas isso fica pro próximo post.
*atenção, todas as fotos e vídeos foram feitos com o iPhone, então não reparem a falta de qualidade!
O Robert tinha que passar quase uma semana em Portland trabalhando e eu reparei que faltava muito pouco pro Thomas voltar a estudar e eu finalmente tinha entrado de férias. Reparei também que o aniversário do Lucas tinha passado em branco e eu queria comemorar isso e fazer algo legal pro Thomas antes das aulas começarem – eu coloquei o fator “ei, eu também acabei de me formar e quero comemorar – para fins de negociação com o marido. ![]()
Pensei em ir pra Miami aproveitar uma prainha e nadar com os golfinhos, mas acabou que achei tickets pra Los Angeles (de Portland) super baratinhos e ai a coceira da Disney começou e não consegui mais abandonar a idéia. Depois que mostrei uns vídeos no Youtube pro Lucas e pro Thomas, então, o destino estava selado! O Thomas foi em 2008 mas obviamente não lembrava de nada, então foi como se fosse a primeira vez de novo, melhor ainda!
Fazia muito tempo que a gente não viajava, então a animação começou com a idéia de viajar de avião. O Lucas simplesmente ficou obcecado com a idéia, olhando pro céu e imaginando estar lá em cima. Eu aproveitei pra ir na Target pra comprar umas coisinhas pra viagem. Uma mochila de viagem não poderia faltar! Ele carrega até hoje essa mochila pra cima e pra baixo.
A nossa viagem começou de noite, a gente tinha que dirigir até Portland, que fica a 3 horas de carro daqui. As crianças dormiram, paramos em Olympia rapidinho pra eu resolver um negócio do voluntariado e chegamos no hotel de Portland um pouco antes da meia-noite.
O hotel que ficamos foi resolvido pelo trabalho do Robert, eles íam fazer reuniões nesse hotel pertinho do aeroporto. Fiquei preocupada com o barulho, e vimos muitos aviões passando na nossa janela, mas no final o barulho foi mínimo. O Lucas me mostrou ca-da avião que passava: “Olha mamãe, um avião!”, agora imagina isso a cada 5 minutos. O hotel Aloft foi muito legal, bem moderninho e ótimo serviço, mas não tinha restaurante e era completamente não baby-friendly. Mas enfim, foi todo pago pela empresa, então fui na onda…
Esses aviões militares faziam bastante barulho, mas felizmente só vi uns 5 deles. Lucas curtiu.
Em Portland, o que a gente gostou muito foi ter ído no OMSI – Oregon Museum of Science and Industry. Eu achei melhor e maior do que o de Seattle, com muita coisa interessante pras crianças pequenas. Eu passei o dia lá com os três enquanto o Robert trabalhava e nem consegui ver tudo.
Ainda bem que levei uma troca de roupa pra todo mundo na bolsa – o plano era ter ido numa prainha em vez do museu naquele dia, então não foi desesperador ter eles completamente encharcados.
Ele nunca mais vai conseguir fazer isso…
Ficaram hooooooras nessa parte de tacar bolinhas de esponja pra todos os lados.
Portland foi legal, passeamos bastante mas também passei muito tempo planejando a parte “boa” hahah, já que tudo foi resolvido super em cima da hora e não tive tempo de fazer nem a metade antes de sair de casa. Como ficamos muito tempo em Portland, aproveitamos pra levar todas as roupas sujas numa lavanderia antes de pegar o avião. . Algumas coisas, como fórmula e fraldas pro Noah e meus sapatos oficiais da Disney (Crocs, pode rir!) eu comprei na Amazon e mandei entregar no hotel de Anaheim. Muita coisa que eu levei no carro pensando em legar pra California, eu acabei deixando no carro mesmo. O plano era deixar o carro no estacionamento do aeroporto (eles tem 3 opções de preço, começando com o mais baratinho que era $10 por dia) pelos 6 dias que íamos estar fora.
No último dia ainda precisei fazer umas compras: notei antes de sair de Seattle que o Lucas estava precisando trocar do tamanho 4 pra 5 mas eu não tive tempo de comprar nada. Também queria parar numa loja de brinquedo pra comprar algo pra evitar algum chilique. Eu fiquei marcada pelo o que o Thomas deu uma vez, e eu confesso que estava muito ansiosa com a idéia de viajar pela primeira vez com os dois pequenos, mesmo com o Robert junto e mesmo o vôo de apenas 2 horas. Felizmente o Lucas, que tinha acabado de fazer 3 anos, já estava mostrando sinais de mais entendimento e colaboração. Depois de muito procurar dentro da Toys r us, achei um tablet de brinquedo que tem até câmera, só que pensei em não mostrar pra ele até o momento emergência (que nunca aconteceu!). Eu já estava levando o Kindle com vários desenhos que ele curte, uns 2 ou 3 livros e carrinhos que os dois adoram.
Eu comprei as passagens que saiam de Portland às 6:30 da manhã, e quem me conhece sabe que a essa hora eu tenho que ter um motivo muito bom pra estar de pé, mas era o que tinha disponível e funcionou muito bem porque o Noah dormiu a viagem toda de ída no colo do Robert.
Acordamos um pouco antes das 5 e pra isso foi ótimo estar perto do aeroporto. O Lucas, que estava há dias repetindo “eu quero ir pra disneyland, eu quero ir pra disneyland” ou “eu quero ir no avião, eu quero ir no avião” ad infinitum (nota pessoal: fazer surpresa da próxima vez), deu um pulo da cama sem nenhum problema, calçou os sapatos (e trouxe os meus sapatos pra eu calçar), pegou a sua mochila e ficou na porta esperando a gente.
Não importa o quanto eu tenha me planejado (obviamente preciso polir as minhas estratégias), a quantidade de malas e coisa de criança que levamos foi ridícula, eu nem olhava pra não ter um treco. O Robert me deixou na frente da porta do check-in e foi estacionar o carro porque já estávamos em cima da hora, e lá estava eu na calçada do aeroporto, às 5:30 da manhã, com: 3 crianças sonolentas, um carrinho de bebê duplo, duas cadeirinhas pro carro pesadíssimas, bolsas das respectivas cadeirinhas, mochila da câmera, mochila do Robert, mochila do Thomas, mochila do Lucas, 1 bolsa de mão de sapatos, uma bolsa de fraldas e duas malas grandes – imagina se eu não tivesse deixado coisa no carro! Aí o modo “keep calm and carry on” é acionado, eu não falo uma palavra além de pedir pro Thomas me ajudar em algumas coisas. Depois de todas as malas empilhadas feito torre de Pisa, ainda tivemos que entrar no aeroporto através de uma maldita porta giratória – naquela altura do campeonato eu não conseguia achar o botão pra fazer ela parar de rodar – e a porta normal que tinha do lado não era larga o suficiente pra passar com tudo. Então foi uma coisa meio “Os três patetas”, mas conseguimos entrar sem maiores problemas.
Quando já estávamos dentro do avião, o Lucas estava animadíssimo olhando pela janela, o Noah voltou a dormir, o Thomas ficou esperando a hora de jogar seu nintendo ds, e a gente conseguiu respirar. Embora as crianças tivessem tomado leite antes de sair do hotel, o Rob e eu estávamos de estômago vazio, mas não sentimos nem fome.
Toda a viagem correu muito bem com o que tinhamos disponível. O Lucas ficou a maior parte do tempo entretido com a viagem em si e se comportou muito bem. Embora ele já não use mais fraldas, eu coloquei uma pull-up caso algo acontecesse. Não só durante o vôo, mas a viagem inteira, ele não teve nenhum acidente e até aprendeu a fazer xixi de pé enquanto estávamos na California.
Eu não tinha reparado que estava há 8 meses sem pintar por aqui. Foi um ano corrido até agora, estudando muito. Mas agora só tenho mais 1 semaninha pra acabar e aí vou ter mais tempo. O único problema é que estou com vontade zero de escrever, muito menos vontade de falar sobre a gente. Mas esse blog aberto aqui quase que impõe que eu tenho que escrever e fazer isso como obrigação nunca funciona.
Então penso em transformar ele em algo mais direcionado a saúde da mulher, porque é o campo que estou me aventurando hoje em dia. No início do ano virei voluntária numa prisão de mulheres, e trabalho como Doula. Ano que vem, pretendo entrar num mestrado em Nurse-Midwifery, onde poderei prestar serviços ginecologicos e obstétricos (Exceto cirurgias, mas procedimentos pequenos eu estarei capacitata a fazer) na minha própria clínica e contar ainda com privilégios em hospitais. Escreverei mais sobre midwifery no futuro, mas achei interessante escrever agora sobre o que uma Doula de Prisão faz.
O que é uma Doula?
Doulas são amortecedores afetivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias, às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. (…) O nascimento humano provoca uma gama de sentimentos que normalmente não experimentamos no nosso dia-a-dia. É um momento muito mágico e muito poderoso. Por isso, as pessoas que estão presentes neste momento, são imanadas de uma energia muito especial, que impregna seus corpos e almas com uma luminosidade lilás e brilhante. As doulas, mulheres como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade, e recebem como prémio a gratidão eterna.
Dr. Ricardo Herbert Jones, obstetra brasileiro e coordenador da Rede para a Humanização do Nascimento (ReHuNa) no Brasil.
O que é uma Doula de Prisão? Isso é comum? É igual do lado de fora?
Existem pouquissimos grupos de doulas de prisão nos EUA. O que os grupos fazem em diferentes estados diferem muito, até porque a lei é diferente, os grupos começaram com ideologias diferentes e os contratos são diferentes. Não existe uma regulamentação em comum pra quem trabalha como doula (não é um papel clínico) e muito menos pra quem presta suporte emocional dentro de uma prisão: é mais ou menos oferecer qualquer ajuda pra quem está desprovido de muitos direitos como cidadão.
E por que eu escolhi justamente trabalhar numa prisão em vez de trabalhar com pessoas de fora, e ganhar dinheiro?
Meu interesse é trabalhar pra melhorar um sistema que hoje em dia não oferece na sua totalidade, o básico da existência humana. Um sistema cuja as pessoas saem piores do que entraram e um sistema que convenientemente esquece das regras que eles mesmo criaram. Um sistema que acha que quando um problema é muito grande pra resolver, é melhor então jogar lá no fundo, esquecido, pra que a gente não precise encarar o problema de frente. Um sistema, principalmente, que usa da mão forte pra subjugar quem já nasceu subjugado. Eu acredito que os cuidados médicos e emocionais não deveriam nunca ser opcionais!
Eu diria que hoje em dia eu sou uma reformista, enquanto que trabalho lado a lado com pessoas com ideologias bem mais radicais, e a parceria funciona muito bem. Na verdade, não sei como seria trabalhar sem ter essa união de novas ideias e sem estar debatendo sempre.
E o que você faz como Doula de Prisão?
Nós não trabalhamos no sentido mais tradicional de ser uma doula o tempo todo, até porque a porcentagem de mulheres grávidas na prisão é pequena. Nos fazemos consultas individuais com mulheres de todas as idades, grávidas ou não, na parte da manhã, na clínica da prisão. De tarde, fazemos uma discussão em grupo, no prédio de educação, também com quem quiser aparecer. Nosso grupo sempre tem de 15 a 20 pessoas comparecendo, e recentemente nossa lista de presença chegou nos 25, que é o máximo que a sala pode suportar por questões de segurança.
Nos nossos um-a-um, eu entro com uma cliente numa sala de consulta e normalmente não pergunto quase nada, mas faço anotações de coisas que ela esteja em dúvida no momento, pode ser coisa de saúde da mulher, pode ser coisa de reintegração na sociedade (como pesquisar empréstimos pra fazer faculdade), pode ser coisa que tenha a ver com a guarda dos filhos. Quando volto pra casa, pesquiso aquilo que elas querem que eu pesquise, e trago uma pilha de papeis na semana seguinte, números de telefones de interesse, livros, etc. Muitas mulheres adoram ter esse momento um-a-um com alguém de fora da prisão, pra poderem esvaziar o peito de todas as suas agruras, preocupações, medos… e certamente pra quem está grávida, é uma maneira de ter o tratamento personalizado e sem julgamentos que de outra forma elas não teriam.
As nossas sessões em grupo são sempre muito divertidas mas poderosas! No ínicio do mês fazemos o calendário dos assuntos que vamos discutir o mês inteiro, mas a conversa varia muito. Já até tivemos yoga prenatal – nenhuma das poucas grávidas quis participar, mas foi divertido!), mas normalmente falamos de direitos dentro da prisão, guarda dos filhos, controle de natalidade e muitas vezes a conversa acaba mudando dependendo de quem esteja lá. Nós sempre rimos muito, mas também ficamos tristes e sempre tem alguem que chora.
Quando alguém entra em trabalho de parto, a prisão liga pro nosso doula-phone secreto e nos avisa que a pessoa está indo pro hospital que fica em outra cidade. Nós somos as únicas voluntárias que então, podemos tocar na mulher incarcerada e somente no hospital. Além do suporte do parto e amamentação em si, nós garantimos que a mulher não seja algemada enquanto estiver lá (proibido por lei, mas nem sempre seguido) e que o bebê fique com a mãe por 24h inteiras – direito também assegurado por lei, e muitas vezes esquecido.
Por quanto tempo você vai fazer isso? O que vem pela frente?
Pra sempre, se me deixarem. Estou submetendo a minha aplicação pra entrar num mestrado de Enfermeira-obstetra (ou Nurse-Midwife, mas isso fica pra outro post!) no meio do ano que vem e poder assim efetivamente tentar melhorar o sistema. Nessa nova capacidade, vou tentar assegurar o melhor tratamento e parto pra mãe e bebê de acordo com seus desejos mais pessoas, levando em consideração seus traumas – coisa que não acontece hoje em dia. A maior parte das mulheres tem histórias horríveis pra contar de abuso sexual, de abuso na família, de vidas muito, muito difíceis, e o que eu realmente quero mudar é que elas continuem sendo ainda mais massacradas pelo sistema que não sabe lidar com isso, forçando procedimentos desnecessários e esquecendo outros muito necessarios. Hoje em dia, o sistema carcerário efetivamente acaba agredindo mais ainda essas mulheres que, na vasta maioria das vezes, nunca tiveram uma oportunidade na vida.
Estive cheia de provas e fazendo coisinhas em família e tudo ficou meio parado nessas últimas semanas. Mas algumas das minhas últimas:
1- pintamos o teto da sala de jantar de branco, deu uma melhorada considerável no ambiente. Ignore as muitas marcas na parede, estamos testando cores. Antes eu achava escuro mesmo com as 9 lâmpadas do chandelier acesas, agora, felizmente a luz reflete e clareia bastate. Tanto que a minha idéia era de mudar a cor das paredes dessa sala e agora estou em dúvida. Rob e eu resolvemos deixar cinza por enquanto, terminar a decoração toda dessa sala antes de decidir se queremos mudar ou não. Vamos fazer várias coisas essa semana pra preparar a casa pro Natal, então logo terei fotos mais legais: meus planos são de fazer uma credenza (um hack da Ikea!), comprar capas brancas pras cadeiras, pintar os corredores (o Rob já está pintando alguns quartos e tetos) e talvez fazer a parede galeria, mas não sei se vou conseguir fazer isso tudo. E mais pra frente pretendo colocar um tapete, talvez fazer cortinas com um tecido que eu adoro. O lustre eu queria mudar, mas também não está na lista de prioridades.
Notaram também que eu mudei a orientação da mesa e do lustre? Embora não pareca na foto, tudo flui bem melhor dessa maneira. Depois que terminar a credenza vou poder determinar se vou tirar as extensões da mesa ou não, por enquanto está com as duas.
2 – Pintamos, depois de uma odisséia sem tamanho, a mesa de jantar de preto. Eu comprei essa mesa há 7 anos atrás na Pottery Barn com a cor “Mogno”. Meu engano foi achar que eu poderia lixar ela todinha e usar uma outra tonalidade de madeira nela, menos avermelhada. Nem queira saber o que eu descobri depois de semanas lixando até a madeira.. Enfim, depois de muito suor e lágrimas perdidas retirando todas as camadas de polyuretano, acabamos pintando… mas eu gostei. Eu estava com medo de pintar logo de preto, mas depois que o teto ficou branco a coisa fluiu melhor. E de novo usamos a tinta Advance da Benjmanin Moore, que é ideal pra móveis: ela é auto-nivelante e o acabamento fica muito bom. Depois que pintei os móveis do Thomas eu me apaixonei de vez por essa tinta, que é à prova de burradas.
Comprei uma cômoda vintage e pequenininha pra colocar na entrada da minha casa, por $20. Eu me encantei por ela mas a madeira está bem arranhadinha. Vou arrumar um tempo pra pintar ela antes do Natal e coloco o antes e depois aqui.
Semana retrasada o Robert acordou às 5h da manhã (eu levantei com ele pra arrumar o carro e fazer algo pra ele comer na viagem), dirigiu 3 horas e meia até uma cidadezinha perdida no meio do estado de Oregon pra se encontrar com um caminhão vindo do Texas com um carregamento precioso: 15 cães da raça Montanha dos Pirineus que não só foram abandonados mas foram pegos pela carrocinha e estavam marcados pra serem sacrificados no dia em que foram salvos.
Aqui nos EUA e em muitos outros países, muitos cachorros em diversos tipos de trabalho. No Brasil, a gente está mais acostumado a ter cachorros como animais de estimação ou como guarda da casa, salvo os que são cães de terapia. E no caso do Great Pyrenees, eles são usados de forma bem : cão de guarda de ovelhas nas fazendas, pra protegê-las de predadores, como lobos e ursos. Não são cães de pastoreio como o Border Collie. São branquinhos pra sumir no meio das ovelhas e fazem delas a sua matilha. Têm um instinto bastante protetor mas é delicadíssimo com coisas pequenas, como ovelhinhas ou no nosso caso, com crianças.
Aí, você me pergunta, como é que essas criaturas fofíssimas se encontram aos montes nos abrigos?O que acontece é que como esses cães (estou generalizando muito) são vistos como um bem da propriedade e se eles não fazem o trabalho deles direito, eles são “despedidos”. Assim como uma vaca que não dá leite, um cão de guarda que não guarda não tem lugar na fazenda. Claro que não são todos, nem a maioria dos fazendeiros que enxergam as coisas tão preto no branco assim, e todo fazendeiro que eu conheço tem amor por todas as criaturas e jamais faria uma coisa dessas. Mas sempre tem uma banda podre em qualquer palácio ou sarjeta do mundo.
Além disso, se você precisa vender ou doar um animal, existem maneiras de se fazer isso. Se você não pode mais arcar com as responsabilidades de ter um animal, os abrigos estão aí pra ajudar nessa transição. Só que mesmo ciente dessas opções muito optam por simplesmente largar na rua. Chame do que quiser, covardia, medo de ser crucificado, sei lá. Não tenho problemas com quem tem que doar, mas faça direito. Tem opção, sempre tem.
Quando a gente comprou a Gwen, o Pyr estava em segundo lugar na nossa lista porque estávamos atrás do que chamam de cachorro-babá, aqueles cães bem tolerante com certos abusos de crianças. Dizem que quando os Pyrs se juntam com crianças se sentem no “paraíso dos Pyrs”.
Pois bem, escolhemos uma cadelinha dessa raça no site Petfinder.com que disponibiliza todos os animais disponíveis pra adoção nos abrigos de todo os EUA e Canadá. Acabou que o abrigo nacional dessa raça disse que aquela cadelinha que gostamos já estava com outra família, mas que tinha uma outra cadelinha bem calma, de mais ou menos 2 anos, brincalhona mas não demais, o que seria ideal pra gente com criança pequena. Ficamos então esperando duas semanas pro tal caminhão vir de Houston pra Oregon pra adotar a Lily.
Pedi pro Rob ligar o skype no iphone dele assim que ele chegasse lá pra eu poder acompanhar como se eu estivesse também. A moça que manteve os cachorros na casa dela em Houston veio no caminhão junto e já tinha avisado que a Lily (ela se chamava Demi no abrigo) não gostou nada dessa idéia de ficar na caixa de transporte. Foram 4 dias de viagem de caminhão! A pobre estava super suja, estressada, apavorada, ofegante até dizer chega.
Depois de tentar levar ela pra um breve passeio (o que não funcionou muito bem, tamanha agitação dela), o Robert colocou ela dentro do carro (fiz uma cama com lençóis velhos mas com o nosso cheiro) e veio. Ela ficou um tempo acordada no carro, mas dormiu o resto da viagem.
É comum eles não comerem no transporte e dormirem direto por vários dias após esse stress todo e foi o que ela fez. Eu nem acho que ela está muito acostumada a comer ração, porque ela come só porque está com muita fome. Talvez por isso ela esteja tão magrinha!
Grave bem essas fotos dela, ano que vem ela vai ser outra. A pelagem de inverno vai crescer apropriadamente (em Houston é muito quente, então o pêlo deles não enche tanto), as manchas da pelagem dela vão desaparecer, ela vai voltar ao peso ideal e ela vai parecer um algodão doce (palavras da minha amiga Karol).
Assim que ela chegou, ja foi logo fazendo amizade com as crianças, o Lucas fica num agarramento com ela o dia inteiro! Ele chama ela de Niny hahahaha, até me confunde às vezes. Mas assim que ela pisou no nosso gramado pela primeira vez (nem sei quando foi a última vez que ela sentiu grama debaixo nas patas!) ela rolou, correu, deitou de barriga pra cima: como ela ficou feliz!
Nasceu de novo!
Como era de se esperar, ela é a descrição perfeita do touro na loja de louças, exceto quando está perto das crianças – aí é de uma delicadeza sem tamanho. Mas ela não está acostumada a ficar dentro de casa, se sente confortável só do lado de fora, parece uma girafa subindo escada e não sabe andar na guia… qualquer barulhinho a deixa apavorada e ela sai correndo pro jardim. Mas eu já ensinei o sit e down e estamos trabalhando na guia!
Ela é muito meiga e mansinha, não dá trabalho nenhum, nenhum. Só precisamos agora descobrir como fazer pra ela parar de roubar as meias do Noah.
E pra quem perguntou da Chloe, está a mesma coisa que era com a Gwen. Elas podem ficar num mesmo cômodo e até bem perto uma da outra, mas se evitam. Ontem a Lily passou o rabo na cara da Chloe e a Chloe ficou toda desconcertada sem saber de onde aquele rabo tinha vindo, se é que sequer viu que era um rabo.
Meus planos deram errado. Terminei de pintar minha cômoda e ficou bem legal, mas vou trocar os puxadores, não gosto dos atuais. Ou vou vender a porcaria toda hahaha.
Pintei a parede atrás de branco, pra dar uma idéia. Na verdade, é uma tinta mais escura, uma base, pra poder passar uma outra cor mais clara que o cinza atual. Só que entre uma passada de rolo e outro eu catava na internet sugestões de cores que combinasse com tudo, o chão, o tipo de luz da sala de jantar, o restante das cores das áreas próximas.. e me decepcionei…
Me decepcionei porque cheguei a conclusão de que uma cor clara naquele cômodo não vai funcionar. Pode até fazer a sala parecer maior, mas não vai clarear. O fato é que a sala é escura, porque a porta dupla e única fonte de luz, é coberta pela varanda. A luminária produz bastante luz, mas não é sufiente. E pintar aquela parece me fez reparar o que eu li em website após website: cor clara só funciona quando o ambiente já tem bastante luz. Senão parece sujo e você nem consegue determinar a cor com precisão.
Eu já devia saber. Lembro bem das minhas aulas de física, pra ver cor nós precisamos de luz. O ideal no caso de um ambiente escuro é uma cor com mais saturação e num lugar como Seattle, ter cores saturadas até aquece muito mais, faz tudo ficar mais aconchegante.
Então resolvi repintar aquela parede da cor original e vou tentar fazer funcionar do jeito que está agora sem mudar nenhuma cor. Vou colocar a minha cômoda azul no meu quarto, acho que vai ficar legal. E quanto a sala de jantar, não faço idéia do que vou fazer em termos do nicho que tem do lado da mesa. Eu ja pensei em alguns buffets coloridos, e eu gosto deles mas não sei se é o caminho que eu quero ir, quero algo mais sofisticado, clean. E as cores que íam funcionar alí seriam muito brincalhonas, como coral ou laranja.
De volta a estaca zero.
Existe pouca coisa mais deliciosa que uma sopa bem feita, com ingredientes frescos, numa noite friazinha. O dia estava lindo ontem, tanto que fomos na fazenda de abóbora, e tirando algumas poças de lama (vide fotos do Lucas), tudo estava perfeito. Então, por que não terminar o dia fazendo uma sopa que já estava há alguns dias querendo (culpa da Fer!)? O problema é que eu não consegui me decidir exatamente o que fazer, então eu misturei tudo. Foi um pouco de receita da Fer, um pouco de caldo verde e um pouco de Cozido à portuguesa. Ficou uma delícia.
E no meu mundo não existe sopa sem baguette, sem vinho e sem pimenta. Aproveitei e fiz um molhinho vinagrete estalando de fresco, com umas pitadas de caiena.
Receita:
Refoguei bacon com meia cebola, joguei metade de uma butternut squash (abóbora) em cubinhos pequenos. Uma colherzinha de alho amassado e uma de tempero completo. Só pra dar uma acordada na abóbora. Coloquei um litro de caldo de vegetais (o melhor que você conseguir comprar!), duas latinhas de feijão branco (você pode fazer o feijão separado, mas eu só tinha em lata, não me batam!). Eu usei a variedade Great Northern. Fechei a panela e deixei cozinhar ate a abóbora ficar bem molinha. Quando já estava pronta, amassei a sopa/abóbora com um amassador de purê de batatas, coloquei couve inteira cortadinha e sem o talo e fechei de novo ate a couve murchar. O Rob chegou aí com a kielbasa (linguíça defumada) que eu teria colocado no início junto com o bacon, mas acabei colocando no final e cozinhando mais um pouco. Piquei umas folhinhas de sálvia e umas folhinhas de alecrim por cima e pronto.
Servi com um molho vinagrete, vááááárias gotinhas de tabasco, uma baguete quentinha saída do forno e um Cabernet Sauvignon que amigos nos deram no nosso aniversário de casamento (fizemos 10 anos sábado passado!).
Almocei mais cedo porque toda vez que abria a geladeira estava lá aquela gostosura e ainda são 4:20 e estou aqui de um lado pro outro esperando ansiosamente a hora do jantar.
Faça!
Esse ano fomos numa fazenda de abóboras diferente. Qual foi a primeira coisa que o Lucas fez? Entrar numa poça de lama. Mas quando ele se viu livre, se sentiu como um homem com uma missão: não parou um segundo sequer, tentando achar sua abóbora favorita. Gritava de longe: PUMPKIN!!! Corria de um lado pro outro. Chorou quando saímos e dormiu no carro.
Eu to com tanta receita e tantas fotos que não dá nem pra colocar tudo em um posto só, senão vai ficar muito bagunçado. Essa receita eu copiei do Pioneer Woman (link aí do lado) e adorei. Já fiz muitas vezes e as crianças adoram. Não ache que um hamburguer desses não vai agradar crianças pequenas. Claro que cada um tem seu gosto, mas tanto o Lucas como o Thomas se fartam, mas eu não coloco tanto queijo quanto eu coloco pra mim e pro Rob. Outra dica, é procurar o queijo Stilton em vez do gorgonzola propriamente dito, que é bem mais suave que as outras variedades de blue cheese, mas ainda adiciona certa pungência (isso é uma palavra, né?).
A receita é facinha e auto-explicativa. No site da PW tem explicando como faz o hamburguer, mas o que eles vendem na deli do mercadinho do meu condomínio (que aliás, é ótimo!) não só é orgânico, gordão e super delicioso e molhadinho.
A única coisa pra se lembrar é que a receita pede duas colheres de açúcar marrom pra uma cebola. Eu coloco um pouco de manteiga e umas três jorradas de molho de soja e deixo as cebolitas cozinhando até ficarem moreninhas, no fogo bem baixinho. Eu deixo a panela tampada e destampo depois que elas ficam transparentes, principalmente pra sumir com o excesso de líquido.
Olha a mãozinha do Lucas já tentando pegar… e pra quem está fazendo dieta de baixo carboidrato, é só tirar a fatia de cima e omitir o açúcar. Aí, fica uma refeição de cerca de 30g de carbs.
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