Vez ou outra me deparo com alguém que fica super ofendido quando eu falo alguma temperatura em Farenheit, como se fosse alguma traíção pública ou anti-patriotismo não usar as medidas em Celsius.
Agora tente me entender: no Brasil, pelo menos no Rio, eu nunca dei nenhuma importância às sutilezas da temperatura. No Rio só existem duas temperaturas, frio ou quente. Quando você vai sair de casa você pergunta se está frio ou quente lá fora e joga um casaco por cima se for necessário. No Rio eu só sabia que acima de 30 é quente e abaixo de 20 é frio. Abaixo de 15 é frio ártico.
Aí eu vim morar num país, que por acaso usa as medidas em Farenheit. E por acaso onde eu moro numa região onde se presta muito a atenção no tempo. (Sabia que existem muito mais nomes em inglês pra chuva e pra vento do que em português? Sabia que os esquimós (desculpe, Inuit) têm dezenas de nomes pra designar a neve? Como a necessidade se reflete na linguística, não?) Acredito que a pouca variação de temperatura do Brasil contribui pra esse tópico não ser de muito interesse, mas aqui é essencial estar em sintonia com a previsão do tempo.
Hoje em dia, se me disserem que a temperatura lá fora é de 55F eu sei exatamente o que isso significa em termos de roupa. No Brasil, 13C nunca quis me dizer muita coisa até porque eu raramente peguei essas temperaturas lá.
Pra quem está vindo pra essas bandas e quiser ter uma idéia – pelo menos pela minha percepção – aqui vai uma dica:
Acima de 90F – quente pra caramba
Acima de 80F – quente, mas agradável se não estiver abafado.
Acima de 70F – morno, quentinho sob o sol, possível estar friozinho na sombra.
Acima de 60F – morno pra frio, use manga comprida, mas nao precisa de casaco.
Acima de 50F – friozinho, use jaqueta, casaco leve ou suéter grossinho.
Acima de 40F – frio, use sobretudo de lã ou casaco impermeável.
Acima de 30F – bem frio, use casaco de pluma de ganso.
Abaixo de 30F – boa sorte.
Até hoje eu não entendo como tem gente que se incomoda tanto quando o assunto é F contra C. Como se falar em F fosse algo elitista ou como se fosse pecado capital os EUA não usarem Celsius.
Lucas fez 5 meses e com isso provou mamão e banana, mas só gostou do mamão. Fez muitos passeios: pra estação de esqui e passeios turísticos da região junto com a família. Me acorda todos os dias com socos e pontapés. Continua ranzinza mas se derrete com todas as pessoas, conhecidas ou não. Tem o sorriso mais doce mundo.

1) Quando grávida, desista de se depilar, dói muito. Sua pele está super, mega, híper sensível. Fui fazer a sobrancelha e chorei com cada pelinho puxado. A gilete é sua maior aliada, mas isso nos passa pra número…
2) Desista de raspar a virilha depois que a barriga estiver muito grande. E JAMAIS cometa o erro de pedir pro marido raspar pra você. Se você raspar sem espelho você vai se cortar toda. Se colocar um espelho é capaz de você ter um colapso nervoso, ou pior, ataque do coração. Se seu marido tiver estômago fraco e tiver noção da situação lá embaixo, ele provavelmente não vai encostar em você por um bom tempo.
3) É nessa época que ter um casamento sólido e um marido que te ama faz toda a diferença. Se quiser vomitar, carregue um balde pela casa ou tente chegar em tempo record na privada. Vomitar no ralo do chuveiro, na banheira ou na pia não é nada prazeiroso de se limpar. A maior parte dos homens tem horror dessas coisas, mas na hora do vamos ver eles até enfiam a mão na pia cheia de comida mal digerida.
4) Com o enjôo vem a super abundante salivação. Você vai se sentir um boi babão – durma com uma toalhinha e leve-a pra todos os cantos. É um nojo, mas é melhor do que ficar cuspindo por aí.
5) Você vai soltar muito pum. Demais. Mais do que você gostaria que soubessem… e também vai arrotar horrores.
6) Você ou vai desistir de sexo, ou vai ter sonhos eróticos todos os dias. NÃO SE PREOCUPE. Os sonhos são muito loucos e vívidos quando você está grávida. Não, você não é lésbica ou depravada se você teve sonhos muito convincentes com mulheres ou com o time de futebol inteiro. É normal e bem comum em grávidas.
7) Você vai sentir muita sede (ou não), mas independente disso, beba MUITA água. Muita gente acaba no hospital com contrações antes do tempo porque não estavam bem hidratadas. Eu fui uma delas na minha primeira gravidez. Mesmo que não ache que vai acontecer com você, acredite, beber água vai te ajudar com a …
8 ) Constipação. Colace é bom pra isso. Fazer cocô grávida é uma merda.
9) Três palavras: calcinha de algodão. E mais uma: carefree.
10) Você pode ou não pingar ou esguichar leite durante a gravidez, existem protetores de algodão que vão te ajudar bastante a não passar vergonha na rua.
11) A mais importante de todas no entanto é a seguinte: jamais saia de casa sem fazer pipi depois que a barriga estiver grandinha. E se sair, jamais ria, gargalhe, espirre ou tussa em público. Se ignorar meus conselhos é melhor que tenha uma calcinha fresca dentro da bolsa.. Essa não tem como escapar, todas nós mijamos nas calças mais cedo ou mais tarde. O melhor que faz é rir da situação e rezar pra não ser muito e ninguém ver.
As minhas gravidezes não foram boas não e eu tive que ter muito bom humor pra aguentar. Foi muito difícil tentar abstrair tudo o que eu senti esperando pelo Thomas e pelo Lucas e focar somente no produto final. A minha sorte é que eu Robert foi nota mil, cozinhou todos os dias, fazia todo o trabalho doméstico (além da faxineira semana sim, semana não) e tomou a frente em tudo o que era possível, porque eu fiquei completamente inútil.
Com o Thomas a coisa foi mais típica. O primeiro trimestre com muitos enjôos (e vomitei bile todos os dias da gravidez até o dia dele nascer), o segundo foi ótimo e o último eu senti dores normais, azia, dificuldade pra dormir, etc. Mas eu lembro de ter andado de saltinho no shopping até bem pouco antes de entrar em trabalho de parto.
Já com o Lucas tudo foi igual ao Thomas multiplicado por 100. Não sei se foi por conta da cesárea anterior de emergência, já que meu médico disse que eu estava com muito tecido fibroso das cicatrizes. O meu primeiro trimestre emendou com o terceiro sem lembrar de me dar um descanso no segundo.
No primeiro trimestre eu estava tendo duas matérias de laboratório e tinha que ficar em pé muito tempo. Até aí tudo bem, e o fato de eu estar morrendo de enjôo (mesmo tomando zofran, um remédio para enjôos pra quem está fazendo quimioterapia) já era esperado e eu levei na esportiva. Mas o que me derrubou mesmo foi que meu estômago resolveu digerir os alimentos muito mal e porcamente. Então eu ía pra universidade e passava HORAS no banheiro vomitando o jantar da noite anterior. O pior dia de todos foi quando eu tinha uma prova às 7:30 da manhã e eu estava no chuveiro de casa vomitando comida tailandesa (não aconselho) e sabia que ía chegar atrasada ou perder a prova. Fui pra prova com uma comida não identificada entalada na garganta.
Com quatro ou cinco meses eu já estava me arrastando pelos corredores da universidade. Pedia todos os dias pra parar em vagas de deficiente (ainda bem que eles deixavam) porque minha barriga já estava enorme, minhas pernas e quadril doíam MUITO. Com 20 semanas eu comecei a ter refluxo. Eu sentia o ácido na boca umas 3 vezes por MINUTO. Eu achei que tinha que aguentar isso sem remédio e uma eternidade se passou até que eu pudesse falar com a médica e ela me receitasse omeprazol – que eu tomei religiosamente até o final. Meu esôfago agradece.
Depois disso as coisas só foram de mal a pior. Passei a ficar em casa de pernas levantadas com aqueles pacotes de gelo azul em cima da “zona de lazer”. Sem o gelo nas partes pudendas, era como se meu corpo fosse se partir em dois (sorry for the mental picture). Eu andava muito devagar e entrar no meu carro, cujos assentos são altos, era muito difícil. Ficar sentada também era ruim, porque eu não conseguia me mexer e na hora de levantar eu parecia uma velhinha. Tive que parar de trabalhar no laboratório no início de junho, porque eu não conseguia ficar no microscópio por mais de alguns minutos.
Mas por que eu estou escrevendo isso tudo? Com certeza não é pra ninguém sentir pena de mim, até porque tem muita gente que sofre BEM mais do que isso, ou gente que daria qualquer coisa pra poder engravidar. Mas escrevo isso talvez como uma nota pra mim mesmo, para que eu possa vir aqui e saber exatamente o que me espera (ou não!) antes de embarcar nisso novamente. Existe uma certa pressão para que isso aconteça razoavelmente logo, por conta das idades minha e do Robert, mas no momento eu só quero aproveitar bastante pelo menos o primeiro ano do Lucas, antes de pensar nisso novamente. Só não poderia deixar muito tempo passar pra escrever, antes de cair no esquecimento, o quão difícil foi pra mim essa gravidez. A natureza é muito esperta, né? A gente esquece bem rápido todas as agruras..
No momento que eu ouvi o primeiro chorinho, já tinha esquecido dos detalhes de tudo isso e de lá pra cá foi só felicidade. Lucas saiu da minha barriga chorando forte e alto. Eu tive que consolar o Robert (haha!), que começou a chorar também, enquanto ouvia do médico enquanto me costurava: “o seu útero está muito jovem e saudável, ainda dá pra sair umas duas ou três crianças daqui”. Eu ri e respondï “não, obrigada!”. Mas naquele momento eu soube que aquela não podia ser a minha última vez tendo aquela alegria. Não existe nada na minha vida que me deixe mais feliz que meus filhos e faço qualquer coisa por eles e pelo que ainda nem sabe que vai nascer. Inclusive dormir com gelinho entre as pernas.
Não tenho escrito não por falta de tempo, mas por falta de assunto mesmo. Os dias preguiçosos de inverno estão contagiantes pra mim, estou adorando ficar em casa sem ter me preocupar em sequência de mutações virais, ou qualquer coisa do tipo. Só quero neném, neném e mais neném.
Eu peguei um resfriado não sei onde – eu sou a única dessa família a ficar resfriada o tempo todo! – e vamos combinar que sair ontem pra limpar as folhas do jardim num frio abaixo de zero não colaborou nadinha pra minha melhora.
Terminamos nossa árvore de Natal semana passada. Por um pequeno erro de cálculo matemático, a árvore teve que ser cortada no topo pra poder caber na sala. Ela nem é tão alta assim, mas é gorda, rechonchuda. A sala fica até escura com ela na frente da janela.
Nós estamos programando nos mudar para uma casa maior melhor nos primeiros seis meses de 2010 por vários motivos. O primeiro deles é que eu não gosto dessa casa: o jardim é pequeno, alguns quartos são no andar de baixo, tem muita árvore na parte de trás deixando a casa mais escura no inverno… eu não ía parar com a lista se eu fosse descrever tudo o que me incomoda. Outro motivo é porque não me adaptei muito nesse local, não tem quase criança pequena (mas tem muito adolescente!) e eu quase nunca vejo ninguém do lado de fora das casas. Na minha casa antiga era completamente diferente! Mas eu gosto que aqui tem muito comércio perto.
Por conta da mudança, articulei uns argumentos bons para o desmantelamento da saleta de música do Robert. Como ele não pretende gravar nada nos próximos seis meses, não tem motivo pra ele ficar com trezentos aparelhos de música montadinhos. A saleta agora está arrumada para as crianças, nossas e das visitas. A estante de livros infantis foi colocada lá, uma televisão antiga, jogos de tabuleiro, pincéis, papéis, lápis-de-cor, brinquedos em geral..
Também tirei o final de semana para arrumar o quarto de visitas, um tapetinho, umas mesinhas, novos lencóis.. se eu achar, umas flores na janela…
Daqui a uma semana, minha família em peso chega por aqui para passar o Natal e o Ano Novo, vai ser muito divertido ter a casa cheia de novo! E dessa vez o priminho do Thomas de 11 anos vem também, então vai ser ótimo.
Lucas faz 4 meses amanhã, e ele já está vestindo e calçando roupas 6-9 meses há algum tempo. Já passou das 18 libras (mais de 8kg) e está muito muito bonitinho. Conversa bastante, ri e gargalha das nossas bobeiras e dorme a noite toda do nosso ladinho. Quando acorda é só pra dar uma mamada rápida no meu peito e depois volta a dormir de novo. Já está segurando os pés e agarrando os brinquedinhos – que invariavelmente terminam dentro da boquinha linda.
Eu fiquei falando pro Robert que eu queria ter 4 filhos só de brincadeira. Agora ele acha que 3 não é muito. É tudo questão de perspectiva e comparação.
A maior parte das amigas grávidas desse ano teve seus filhos. Por enquanto os playdates são mais para as mães, mas é bom, muito bom! Todos os bebês estão umas gostosuras sem tamanho!
Ainda não nevou aqui, quer dizer, hoje caiu uns floquinhos sem vergonha. Mas acho que de amanhã não passa, embora não deva ter acumulação nenhuma. Esse ano tivemos muito muito sol. Isso quer dizer que ano que vem vai uma droga, quer apostar?
O fofinho está acordando, time to go.
Thomas e Lucas brincando ontem, tive que tirar fotinho.
Hoje é o aniversário do meu gatão, 7 aninhos bem vividos. Pequena comemoração com alguns amigos hoje no boliche, mas o que ele pediu mesmo foi pra fazer uma pequena viagem a um parque aquático indoors que tem por aqui, vamos pra lá final de semana que vem com alguns amigos.

Nossa filhota de quatro patas se foi há pouco mais de uma semana atrás por causa de um câncer chamado hemangiosarcoma. Esse tipo de câncer cresce nos vasos sanguíneos de órgaos ricos em sangue: baço, coração e fígado. É super agressivo e cresce muito rapidamente pela abundância de sangue, seu “alimento” principal. Não existe nenhum tipo de sintoma até que um ou mais tumores se rompam, fazendo o animal sangrar até morrer.
Naquela manhã ela estava normal, correndo e latindo pros cachorros na rua. Mas de tarde, ironicamente (por falta de palavra melhor), eu e Thomas estávamos assistindo a um programa infantil que tinha um cachorro igual a ela. Eu cheguei a falar “olha lá, quando a gente se mudar pra uma casa maior vamos comprar outra cadelinha pra fazer compania pra ela?”, e aí chamei ela pra fazer um carinho.
Ela olhou pra mim mas não levantou nem a cabeça. Só balançou o rabinho muito fraquinho. Ela conseguia dar uns passos e se jogava no chão. Vi que suas gengivas estavam brancas. Nem pensei em mais nada, peguei o Lucas e o Thomas e enfiei no carro. Peguei ela e não sei como consegui sozinha colocar ela dentro do carro, porque ela não tinha forças pra andar. Passamos o resto da tarde no veterinário de emergência, fazendo testes, até entendermos que mesmo fazendo cirurgia pra estancar o sangue, que ela não viveria muito tempo. A média de vida nesse caso seria de apenas uns 20 dias, visto que todos os órgãos dela já estavam rodeados de tanto sangue que ela perdeu tão rapidamente.
Foi com muito pesar e depois de muito chorar que vimos que não queriamos que ela passasse pelo o que ela já estava passando, por uma segunda vez, talvez até pior. O coraçãozinho dela trabalhando tão pesado, todos os órgãos sobrecarregados, a barriga distendida de sangue solto…
O Robert chegou pra nos encontrar e eles nos levaram para uma salinha à meia luz, onde sentamos no chão com ela. E ficamos lá por uma boa meia hora fazendo carinho nela. Ela tinha acabado de tomar soro e tinha um pouco mais de forças, mas não demorou muito pra ela começar a ficar fraca de novo e voltar a ficar sem levantar a cabeça do chão.. o rabinho ficando cada vez mais fraco.
O Robert e as crianças saíram da sala quando a hora chegou. Ela chegou a se levantar quando eles saíram da sala, mas desabou de novo. A veterinária chegou, me explicou o procedimento e o que poderia acontecer. Pra falar a verdade, eu pouco escutei o que ela falou. Nós, sentadas no chão da sala escurinha, fizemos muito carinho e eu só dizia pra ela “Good girl, you’re a good girl, Gwen“, porque era o que ela mais gostava de escutar, o que a deixava mais feliz.
Naquele momento eu só queria deixar a lembrança dela pra mais uma pessoa, e fiz questão de dizer à veterinária que a Gwen era uma cadela maravilhosa. Se a Gwen tocou tantas vidas pela docilidade, eu queria que mais uma pessoa soubesse naqueles últimos minutos.
A veterinária deu a injeção e antes mesmo da dose acabar a nossa filhota já tinha ído, estava tão fraquinha. Eu fiz carinho nela por mais alguns minutos e fui encontrar o resto da família na sala de espera.
Foi, disparado, a coisa mais difícil que eu já tive que fazer e nunca vamos nos esquecer da melhor cadelinha que já tivemos o prazer de dividir a vida.
Ufa. Lucas, você fez um mês segunda passada e só agora eu tive um tempinho maior (mais importante ainda, um tempinho com duas mãos livres) pra poder contar como esse mês foi.
Vou começar contando o quão deliciosamente gostoso você é. Já tinha me esquecido como cheiro de bebê é intoxicante, a gente fica te enchendo de cafunés o dia (e noite) inteiro. Mesmo quando meus olhos mal conseguem ficar abertos às 4h da manhã, eu ainda te cheiro muito, e isso me dá uma injeção de ânimo – aposto que é a natureza se incubiu de colocar esse cheirinho nas crianças justamente pra que a gente acorde de bom humor de madrugada. Perpetuação da espécie, claro. Seu pai me olha com os olhos mais esbugalhados quando eu digo que eu quero ter mais um, como tínhamos combinado antes de casar. Ele agora só me responde assim: “podemos combinar isso quando esse aqui estiver dormindo a noite inteira?”. Fair enough.
Agora, você tem refluxo, uma pena. Eu também tinha quando nasci, e sua avó me conta até hoje as estórias de horror que a deixou traumatizada pra vida inteira (oi, mãe!). Mas não liga não, você está em boa compania – a metade da nossa família tem refluxo daqueles pra vida inteira, mas você é capaz de sair como eu e ter isso somente na infância. Felizmente o nosso problema é mais de lavanderia do que médico e isso não o tem incomodado muito - você tem engordado maravilhosamente bem. Depois conto com mais detalhes sobre a sua alimentação, que é muito complexa, exige um PhD. Mas por agora você está aproveitando bem ficar nos nossos colos mais do que os nossos braços podem aguentar.
Uma coisa que não sei se é peculiar: quando você está com dificuldades de dormir, você aprecia uma massagem na sola do pé e dorme rapidamente. Eu morro de rir, porque você passa de irritadiço e resmungão para o sono mais tranquilo do mundo em um piscar de olhos, assim que eu começo a massagear o seu pezinho.
Seu irmão não acha muito excitante essa sua idade ainda tão pequena. Você ainda leva uma vida deliciosamente chata para uma criança de 6 anos, mas isso não impede que ele te admire e te ame demais. Ele está aprendendo a conversar com você sem esperar resposta – o que é impressionante, já que ele não fecha a boca por um segundo sequer em qualquer outra ocasião, mas fica sem saber o que falar quando está com você.
Agora que os vovós voltaram pro Brasil e seu pai voltou a trabalhar, somos só você e eu na maior parte do tempo. Não vejo a hora de você começar a demostrar que nos conhece, embora você já prefira o meu colinho mais do que o do papai (ha ha!). Também já se acalma quando eu digo “já vai”, porque sabe que vai ser alimentado logo, logo. Pensando bem, não vou correr o tempo não, deixa assim como está. Você cabe certinho nos meus braços e eu não sei como vou fazer pra eternizar esse cheirinho tão bom e essas noites que passo acordada trocando várias vezes as suas roupas (e as minhas roupas) e lencóis que invariavelmente ficam todos sujinhos de leite, xixi e às vezes também, um cocozinho. Ah, que essas noites não acabem nem um minuto cedo demais.

Mais fotos no Flickr ou Orkut.
Nosso fofinho chegou ontem, dia 14 de agosto de 2009, à 1h e 8 min da tarde (horário do Pacífico), pesando 7lbs 12oz (3.504kg) e medindo 21 polegadas (53,34 cm) – praticamente as mesmas medidas do Thomas. Tudo correu muito bem, o hospital está sendo ótimo e devo estar indo pra casa amanhã.
Estamos muito felizes e apaixonados, apesar do pouquíssimo sono, mas eu pessoalmente estou radiante de ter tido a experiência de parto que eu planejei e melhor ainda do que eu esperava, minha recuperação está sendo ótima e os médicos e enfermeiras têm sido excepcionais. Lucas se parece com Thomas, mas não exatamente um clone; seus olhos são diferentes, tanto a cor, quanto o formato e os cílios. O nariz é um pouquinho mais larguinho, mas a boquinha é exatamente igual ao do Thomas, assim como o queixo.
Thomas está completamente encantando com o irmãozinho e ficou surpreso, por exemplo, ao ver que ele não tinha dentes. Verificou todo o corpinho dele assim que chegamos no quarto e fez mil perguntas pra gente e pras enfermeiras. Ficou fascinado no Lucas e pouco piscou, não queria perder nem um momento. Depois chegou pra mim e disse “mamãe, obrigado por nos dar um bebê”. Tem coisa mais preciosa?
É só clicar na foto pra ver o restante das primeiras fotos que o Rob tirou nas primeiras horas de vida do mais novo Svilpa.
No final de semana do dia 20 de junho, a minha amiga Luciana veio do Texas com a sua família pra organizar o meu chá de bebê. O restante das fotos está aqui. Foi uma tarde muito especial, uma pena que algumas meninas não puderam vir! Muito obrigada, Lu, estava tudo muito lindo!! O tema da festa foi “Menino do Rio”, então tudo na decoração remetia à praia. A Luciana até comprou água de coco pra completar o clima de verão praiano e tivemos peixinhos dourados de verdade decorando a mesa.
Foi tudo feito com muito carinho e capricho, as comidinhas estavam deliciosas e o jogos também. O calor que estava nos matando deu uma trégua naquele final de semana e foi ótimo reunir o mulherio aqui em casa pra muitas gargalhadas, contar “causos” e claro, falar muito de bebê, gravidez, essas coisas. Foi muito gostoso!
Depois de vários meses cansativos demais, evitando sair de casa e furando sempre com as amigas, pude finalmente dar uma trégua nisso tudo, botar as dores, os inchaços e mal-estar de lado e ficar rodeada daquelas que tem tudo a ver comigo – meninas, sem vocês a vida aqui seria muito menos feliz!
Enquanto a nossa turminha de Seattle (e desgarradas como a Luciana hehehe) toda entra na década dos 30, podemos olhar pra trás e ver como é bom ter certeza que tomamos decisões certas e erradas, mas que independente disso, todas as decisões foram válidas. Nada como sentar no banco do carona da vida pela primeira vez em muito tempo e saber que somos bem resolvidas, bem amadas, completas, com famílias lindas e saudáveis e melhor ainda, saber que o futuro só vai ficar mais brilhante. A nossa década de 30 é mais calma, menos apressada, menos falante e mais ouvinte, nunca diz nunca e tem muito menos certeza das coisas, como costumávamos ter. Deixamos de tentar ganhar as coisas no grito e de “ter aquela opinião formada sobre tudo".
A nossa felicidade está nas coisas mais simples, como um beijinho do filho dizendo “mamãe, você é maravilhosa!” assim que você abre os olhos de manhã ou no maridão que massageia suas pernas todas as noites antes de dormir pra evitar as temidas cãimbras de gravidez e que diz que você é linda mesmo estando enorme e cheia de espinhas.
Só posso dizer que depois dessa tarde festiva, não tenho nada do que reclamar ou pedir da vida, nada mesmo. Só posso agradecer por ter amigas tão queridas que me acompanham ao longo dos anos desde 2001 e que me deram o privilégio de dividir a vida delas comigo formando a família que a gente pôde escolher aqui no Norte.
Pensando bem, gostaria de pedir menos dores durante a noite, pra que eu não precise acordar todas as vezes que eu me virar na cama. Obrigada desde já!