Feliz dia do amigo atrasado (porque eu não sou uma boa amiga!)

Fiquei sabendo que no Brasil se “comemorou” o dia do amigo nesse final de semana passado. Eu, que nunca me lembro dessas coisas e que tenho os meus pecados como amiga, resolvi escrever um agradecimento para meus amigos de hoje e sempre, porque eu tenho muito poucos amigos mas foram todos escolhidos a dedo.

Obrigada por fazerem parte da minha vida!

Para Barbara Rocha, por me ensinar o valor da educação.

Para Paula Fonseca, por me ensinar a ser organizada.

Para Valeska Pivetta, por me ensinar a não desviar do caminho certo.

Para Mariana Mattos, por me ensinar o valor da cultura e por me ensinar a ser mais certinha.

Para Laysa Lima, por me ensinar a gostar de mim mesmo.

Para Karla Rodrigues, por me ensinar a rir da minha própria desgraça.

Para Alex Mendes, por me ensinar a rir.

Para Marcus Pereira, por me ensinar que é possível amar um amigo como um irmão.

Para Luciana Misura, por me ensinar a não ter medo.

Para Aline Orr, por me ensinar o valor da calma e paciência.

Para Gabriela Fonseca, por ser uma versão melhorada minha (e assim me fazer querer melhorar como pessoa)

Para Christine Valbuena, por me ensinar a não me contentar com pouco.

Para Robert Svilpa, por me conhecer tão bem e por saber as respostas de todas as minhas perguntas.

Para Thomas, por existir e por me ensinar o que é o amor.



Segunda festa anual do laboratório

Thomas, Tânia, Connor Tammi (esposa do chefão) e crianças enchendo balões d'água Thomas e o super soaker Comeram muito Fofos Bill (professor de patologia) e esposa, e Lara (post-doc) sentada na grama Todo mundo comendo Eu, Anna, Erica, Jenny, não sei, Kevin, Devon, Lori, Joe, Ranjana, Lara, Chris, Bill, George?, Erika, Chefão. (Não lembro do nome do rapaz na piscina) 

Sábado passado fomos na casa do chefão em North Bend, comer churrasco e muitas coisas gostosas que cada um trouxe. Fui com a Ranjana e a filha dela Tânia (não deve ser assim que se escreve, pois elas são indianas), que virou amiga do Thomas na hora (os dois estão até hoje perguntando pelo outro) e fomos as primeiras e as últimas a sair. As crianças se divertiram ao montes - o chefão também tem dois meninos da idade do Thomas. O Thomas também se divertiou na piscina grande (ele ama água como eu) de colete salva-vidas. Eu levei um tiramisu (era pra ter sido um pudim de leite, mas abafa) e a Ranjana levou um prato indiano de grão-de-bico com molho picante (que eu repeti e estou esperando ansiosamente pela receita). Todo mundo jogou kickball no parque enorme que tem em frente da casa e ganhamos uns bastonetes de lavanda lindos e cheirosíssimos que a esposa do Bill estava fazendo para o festival da lavanda que tem aqui perto no final de semana que vem. Foi muito legal e deu pra conhecer melhor todo mundo. O dia também estava lindo. Ontem o Bill levou pro laboratório o que sobrou dos doces de chocolate que ele e a esposa fizeram e que estavam maravilhosos (eu fui direto no fudge); pelo jeito todo mundo lá cozinha bem.



Cartas de Referência

Uma das coisas mais complicadas - pra mim - é conseguir cartas de referência para dar entrada na minha papelada do doutorado. Todas as universidades pedem 3 cartas de referência e sem elas você simplesmente nem é considerada.

Os professores que eu conheço bem, ou são dos dois primeiros anos de faculdade e não têm muito peso, ou são de matérias que eu tirei uma nota menos do que estelar. Meu GPA de 3.5 (que no Brasil é o CR de mais ou menos 90%) é adequado, mas está na média dos aplicantes para doutorado, só que eu ainda não consegui combinar turma pequena com professor cascudo. Os professores cascudos dão aulas pra turmas de 300 a 600 alunos, e existem muitas matérias que cada dia é um professor diferente - um saco! Ou ainda, existem matérias de laboratório (boas porque são pequenas e você conhece bem o professor) que são dadas por TA’s, ou seja, estudantes de doutorado e essas cartas também não valem muito.

Eu estou tendo muuuuuuuuita sorte nesse laboratório que eu estou trabalhando agora. Além de ser um ambiente descontraído e das pessoas serem ótimas, eu cheguei lá já fazendo pesquisa como undergraduate researcher, em vez de ser assistente que era o que eu pensava que ía fazer. Acabou que eu estou ficando tanto tempo lá que eu já aprendi muita coisa que eu nem precisaria fazer, mas também foi como um curso intensivo de tudo o que eu preciso fazer para escrever a minha monografia, e o tempo é curto, curtíssimo. A parte boa é que eu trabalho diretamente com dois professores da universidade e três pós-doutorandas que estão me ajudando muito na minha pesquisa - que vai ser publicada eventualmente, só espero que seja antes das minha entrevistas com as universidades! No entanto, não seria meio que uma trapaça pedir cartas de referência pra mais de uma pessoa de lá? Trapaça pode não ser, mas cartas de referências de lugares diferentes com certeza teriam mais peso, ou pelo menos demostrariam toda a minha well-roundedness, que quer dizer um interesse, ou um balanço em todas as áreas (até na vida pessoal) em vez de ser uma pessoa focada em apenas um aspecto científico.

Assim, fico meio sem opção: tem muita gente que pode e quer me dar cartas de referência, mas não tem muita gente que vai me dar uma carta de peso, pelas qualificações delas (ou seja, pelo menos que sejam professores publicados) E eu tenho muito pouco tempo, pois pretendo aplicar em novembro ou início de dezembro, e só tenho mais duas matérias de ciências para cursar antes disso…

… e pra me deixar mais nervosa (a preocupação com as cartas de repente se tornou tão mínima…): acabei de receber um email do nosso chefão dizendo que vamos ter dois novos professores de anestesiologia na nossa reunião semanal e eles estão pesquisando os mesmos vermezinhos que eu, então ele quer que eu faça uma apresentação pra todos sobre a minha pesquisa…

 

 

 

 

… fodeu, já estou tremendo.



Tofino, BC

IMG_9024Sabe cidade padrão americana? Ruas iguais, mesmas lojas, até os interiores (principalmente carpetes) parecem ser padrão?

Agora tira tudo isso e se lembra de Búzios.

Ahhhhhhhhhhh…

Acabamos de voltar de três dias gostosíssimos acampando em Tofino, Columbia Britânica, Canadá.

Foi minha primeira vez lá, segunda do Robert. Primeira vez que acampamos todos juntos e então levamos a Gwen, que adorou a liberdade. Todo verão a gente fala que vai acampar e nunca vai… mas dessa vez deu certo. Fomos com um casal amigo que tem duas crianças da idade do Thomas e que também são entusiastas do acampamento. Até hoje não encontrei um brasileiro que gostasse de acampar, alguém conhece? Ou só eu tive a oportunidade de acampar quando era criança? Acampei muito em Friburgo e Cabo Frio, então estava com muitas saudades de aproveitar a liberdade e a simplicidade que isso proporciona. E o bom de acampar por aqui é que não se vê quase inseto - eu só vi uma mosquinha que entrou na barraca e só.

Tofino é uma cidade que eu nunca vi igual aqui na América do Norte. O Canadá sempre me pareceu menos "padrão" do que o EUA e muito mais diversificado, mais parecido com o Brasil (ou com o resto do mundo hahah), mas essa cidadezinha (com ênfase no "-zinha") pra mim é uma mistura de Búzios com Friburgo. A paisagem é de tirar o fôlego e as praias são imensas e cheias de surfistas. É considerada a capital do surfe do Canadá, mas também tem muitas lojinhas de passeios turísticos para ver ursos (muitos por lá), orcas e mergulhar em águas termais. O que mais se vê pelas ruas são caiaques e pranchas de surfe. Essa cidade fica numa península (se é que península é a palavra correta) entre o oceano pacífico e uma baía Clayoquot e é bem pequena mesmo. Adorei que não tem McDonnald’s e aquela poluição visual de típica cidade americana, mas todos os restaurantes são únicos e maravilhosos (comemos no Shelter, eu comi um halibut passado na farinha de macadâmia, regado a um Viognier), nada de rede por lá. Muitas lojinhas de artesanato, artigos orgânicos, e muita gente de chinelo com cabelos depenteados ao vento (e estava ventando bastante).

Pra chegar lá levamos 10 horas de viagem de carro (2 horas perdidas na estação de ferry boat, porque chegamos atrasados pro ferry que queríamos), mas a volta durou "apenas" 8 horas e foi muito mais tranquila. Mas vale MUITA a pena. Que pérola! Apesar de ser muito tempo viajando, duas horas são passadas dentro do Ferry Canadense que é um milhão de vezes melhor do que o de Seattle. Tem até loja de roupa lá dentro, sala pras crianças brincarem, uma variedade enorme de comida, inclusive com comida de verdade feita na hora. Super novinho e moderno, dá pra relaxar bastante.. então a viagem fica assim: 2 ou 3 horas pra Vancouver (dependendo de qual porto você escolhe), 1:30 ou 2h dentro do ferry de Vancouver para Nanaimo e outras 2 ou 3 horas de Nanaimo para Tofino. Não achei ruim.

Tomamos muita chuva quando chegamos lá na sexta-feira, mas não uma chuva comum, um dilúvio!!!!! Foi muito engraçado porque a gente sabia que ía estar chovendo (só não sabia da intensidade) então a gente ficou rindo no carro que ía ser como no comercial da Pemco insurance (o que passa aqui na região) que diz "Blue tarp camper: you are one of us". Hahahaha rimos muito quando esse realmente foi o caso. Nós tivemos que sair pra comprar mais lonas pra cobrir a nossa barraca, porque as duas que a gente levou não foram suficientes. O Robert ficou maníaco tentando resolver o problema das lonas que se enchiam de água e ficou boa parte do dia modificando a sua arquitetura, mas ca-ra-ca, nunca ví tanta água! Passamos a noite inteira ouvindo a lona que cobria a barraca se enchendo de água e se esvaziando parecendo uma cachoeira. Foi meio tenso armar a barraca e arrumar tudo nessas condições, mas eu também nunca ri tanto com o Robert. Nossos vizinhos de acampamento nos ajudaram bastante a terminar logo.

O sábado foi um dia lindo e o domingo também - por isso só saímos de lá lá pras 4h da tarde, tentamos aproveitar o máximo. O camping que ficamos, Bella Pacifica é muito bem organizado, com máquinas de lavar roupa (muito úteis quando nossas roupas ficaram ensopadas na sexta), banheiros com água quente e algúns espaços para barracas até tinham água e eletricidade (não o nosso). Pra você ter uma idéia de como é popular, fomos tentar marcar 5 dias em agosto e não conseguimos os melhores espaços de frente pra praia.

O Thomas brincou muito com o Niko e o Luca (filhos do casal amigo) e aproveitou MUITO a liberdade - íam ao banheiro sozinhos, brincavam de bola na rua, subiam nas ávores e se descobriram todas os tipos de conchinhas diferentes na piscininha natural que formou na praia pela ressaca causada pela tempestade do dia anterior. A Gwen ficou direitinha nos seguindo sem coleira (embora fosse regra do camping usar corrente o tempo todo - ela não está acostumada a ficar presa, então é sempre um desastre, ela se embola toda, não sei como nunca quebrou uma perna de tanto que se embola com a corrente) e dormindo no nosso pé quando nos reuníamos em volta da fogueira. Fizemos muitas comidinhas gostosas, e também fizemos banana na brasa com açúcar e canela - que eles não conheciam, mas até repetiram! A atração foi aquele "tostex" que a gente usa no Brasil pra fazer misto-quente - comprei na Amazon e todo mundo achou o máximo. Da próxima vez foi fazer uns camarões na brasa e um salmaozão. Também esqueci de levar um vinhozinho.

Voltei pra casa vermelha do sol, cheia de areia da praia e morrendo de vontade de voltar pra lá (ou de não sair de lá nunca)! Uma pena que seja um lugar longe e assim, só mesmo em feriadão ou férias. Agosto voltamos com certeza!

Perdão pelo fio de cabelo bem na frente da lente - depois eu apago.

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Quando as perguntas são mais importantes do que as respostas

Aceitei (obviamente) hoje a posição de estudante pesquisadora de um laboratório famoso de Patologia na Universidade de Washington. Esse "emprego" vai me ajudar muito a decidir se a vida de cientista é realmente pra mim e a identificar as áreas que eu quero pesquisar no futuro. Fiquei muito feliz com essa escolha, já que é muito difícil achar um laboratório que dê muitas oportunidades para estudantes que ainda não terminaram o bacharelado, e quando existem são poucos os que são o pacote completo.

Esse laboratório me soou ótimo desde o primeiro contato, quando respondi a um anúncio para um projeto (que é diferente do que eu vou realmente fazer) e gostei do jeito que o anúncio foi escrito. Fui conversar com o professor/investigador ("dono" do laboratório e chefe das pesquisas) e ele simplesmente deixou em aberto pra eu escolher um dos projetos, e ainda por cima, nos meus termos. Eu quase caí pra trás conversando com ele - lembram-se de Wayne’s World? "I’m not worthy, I’m not worthy!". Eu fiquei assim, completamente petrificada porque achava que tudo o que ía ter disponível pra mim, uma mera estudante, era limpar vidro e preparar soluções. Obviamente, o nervosismo era tanto que eu não absorvi nem metade das coisas que ele falou.

Mas adorei o laboratório. Ele me levou para um pequeno tour e sentei com pesquisadoras pós-doutorandas pra elas me dizerem em que estão trabalhando. Eu demostrei interesse em um dos projetos e foi o que eu consegui. O pessoal que trabalha lá é super atencioso e eles me deixaram bastante à vontade,  saí de lá querendo ficar pra sempre.

À propósito, vou usar esse projeto pra escrever a minha monografia, então vou estar bastante ocupada até dia 22 de agosto. :) Esse laboratório pesquisa os mecanismos de envelhecimento que são conversados genéticamente por meios evolucionários e assim desenvolver terapias para doenças que são ligadas à longevidade, como as doenças de Alzheimer ou de Parkinson. O foco principal é a relação entre restrição calórica e longevidade. O meu projeto vai ser parte do quebra-cabeças do que exatamente na restrição calórica aumenta a longevidade. Projetos com vários organismos, fungo, mosca, e vermes (que vivem no solo e têm 1mm), estão sempre sendo feitos, porque esses organismos tem o genôma bem pequeno e já inteiramente conhecido, e é possível que os genes que condificam para o envelhecimento sejam conservados, sejam os mesmos, no genôma humano. Eu escolhi trabalhar com os vermes, então vou tomar onde a última publicação parou - os vermes demostraram aumento significativo de longevidade com restrição calória após serem alimentados com a bacteria E. coli. No meu projeto, vou testar se o mesmo ocorre com outros tipos de bacteria, e assim ficará mais fácil investigar o que exatamente na alimentação, um amino ácido por exemplo, aumenta ou diminui consideravelmente o tempo de vida dos vermezinhos. Eu tinha a opção de trabalhar com fungo também, mas os vermes são bem mais simpáticos.

Depois conto mais!



Formatura de kindergarten do Thomas

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Ontem foi a formatura do Thomas, nem acredito que agora ele já vai pra primeira série! Como o tempo passa rápido!

Foi bem legal. Eram três turma de kindergaten e o Thomas estava todo feliz por estar validando todo o seu esforço para aprender a ler e escrever mas também festejando a tão esperada primeira série (que ele achava que começava hoje hehe). Ele também curtiu a gravata e a vestimenta de festa. Ficou mostrando pra todos os coleguinhas. Ele não ficou muito charmosinho? É muito mais fácil achar roupas bonitinhas pra meninas e diferentes, vestidinhos lindos de morrer pro dia-a-dia, já pra garotos a gente espera pra uma ocasião especial como essa pra suspirar! E que suspiro!

A cerimônia começou com um vídeo de momentos especiais ao decorrer do ano letivo, depois as crianças cantaram várias músicas (uma graça!), receberam o diploma e depois cortaram o bolo. Eu aproveitei pra tirar foto com as professoras e com os coleguinhas mais queridos - aqueles que a gente vê até nos finais de semana e com certeza farão parte da vida do Thomas mesmo que eles não estejam no futuro na mesma sala.

Antes de eu começar a estudar aqui (e do Thomas começar a estudar) eu compartilhava da opinião de muitos de que esse tipo de cerimônia e festa era bobeira. Mas hoje em dia eu acho importantíssimo instilar um sentimento de trabalho bem feito e de orgulho por ter terminado uma etapa importante. Afinal, todos nós precisamos de validação na vida. E nada melhor do que receber isso das pessoas que a gente mais ama.

A próxima sou eu. :)



Cheirinho de mar

Hoje eu estava lendo meus emails e tomando meu café com leite quando de repente eu senti, juro por deus, aquele cheiro de mar. Olhei pros lados e a única que poderia ter sido culpada de liberar qualquer tipo de aroma era a Gwen, mas dúvido muito que maresia-do-oceano-atlântico seja um dos ingredientes da sua ração.

Engraçado que o cheiro do mar daqui, ou o dos outros lugares do oceano pacífico que visitei, no Canadá, em Oregon e na Califórnia, não tem o mesmo cheiro que o mar do Brasil. Mas em Miami tinha. Talvez seja somente a minha impressão ou minha lealdade com o Atlântico. Sabe aquele cheiro de maresia mesmo, meio azedo até, que você vai chegando perto da praia e não tem como confundir? Aquele cheiro que fica entranhado na areia, que te acompanha no corpo até em casa? Pra mim, praia só tem dois cheiros, esse de maresia, e o dos biscoitos Globo. Nada como ficar com os dentes todos grudados com a maçaroca do biscoito e ainda por cima ouvir os crec-crec das areínhas que, não se sabe como, foram parar lá dentro da sua boca. Mas o cheirinho de mar, que nunca me fez a menor falta - talvez por ter crescido com tanta abundância de oceano - agora me faz lembrar que biscoitos de polvilho deviam fazer parte de qualquer infância assim como o cheiro de Coppertone, de picolés chinês pigando na perna, de camarão com casca, e de tatuís fazendo cosquinha na palma do pé.

Talvez seja difícil achar as mesmíssimas coisas aqui no hemisfério norte, talvez o picolé seja de outra marca, o biscoito seja “falsificado” e com certeza não vai ter camarão. Mas só o cheirinho de maresia vai me bastar um tantão. Ô, se vai.

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Tenham um bom dia dos pais (pra quem mora aqui em cima)!



Tudo ao mesmo tempo agora

Não existe nada pior do que uma gripe daquelas que faz a sua cabeça explodir, sinusite atacar e febre de 38.5 C, e saber que tem prova final de física amanhã. Às 8:30 de manhã.

Junta isso com a insônia que estou tendo há duas semanas, devo tirar um D amanhã, se tiver muita sorte.



Aprendendo a nadar

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Porque nerds também precisam ter sapatos fofos

Felicidade patrocinada pela zappos.com

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*detalhe pras patinhas da Gwen ao fundo.



Sequencing

Muita gente não entende muita coisa quando o assunto é genética (eu incluída), pois é um assunto complexo e que como qualquer ciência da vida, está em constante evolução e aprimoramento. Hoje em dia muita coisa é automatizada e a internet, vejam vocês, é uma grande amiga do cientista moderno. Mas nem sempre foi assim.

Hoje em dia, você pega um pedaço de DNA, enfia numa maquininha e ela imprime um papel com a sequência todinha. Maravilhas da modernidade. Se tiver uma letrinha faltando, a máquina coloca um X. Um bom sequenciamente (leitura de uma sequência de DNA) tem poucos X e muitas letrinhas A, T, C e G. Se o DNA não estiver muito bom, enfia numa outra maquinha e um monte dessas letrinhas separadas - um pouquinho de A, um pouquinho de T, um pouquinho de C e um pouquinho de G, adiciona umas enziminhas das nossas amigas bactérias, sacode um pouquinho, cozinha um pouquinho e voilá, temos um DNA novinho em folha.

Mas há não muito tempo atrás, como é que os cientistas faziam pra descobrir qual era a sequencia do DNA? Bem, primeiro de tudo, como eles sabiam como extrair o DNA?

No próximo post, vou contar como foi que eu extraí meu primeiro DNA de uma banana. Qualquer criança em casa pode fazer isso e é bem legar ver os resultados. Mas sangerhoje vou mostrar pra vocês o que fazer quando você vê isso aqui do lado. Caramba, o que fazer com esse monte de tracinhos sem fazer muito sentido? Mas veja mais perto. Cada 4 fileiras desses tracinhos corresponde a uma das 4 letras, ou 4 nucleotídeos. Cada tracinho é a frequência com que cada um deles aparece na cadeia e eles estão em ordem. Então, vamos supor, se nessas 4 fileiras do meio for GATC, então é só contar de baixo pra cima na ordem que elas aparecem. Você é capaz de dizer essa sequencia da tabela amarela agora?autoradiogram Lembre-se de começar de baixo pra cima. Agora, imagina  tivéssemos que contar sequencias de milhares de tracinhos um por um? Não só demoraria um tempão mas estaria cheia de erros. Nos anos 70 eles tinham que fazer assim!

Esse método, chamado de Sanger, ainda é ensinado nas universidades, porque é a base do entendimento do sequenciamento. Depois que você entender o que se passa, você pode se voltar às maquininhas e deixar ela fazer o trabalho pra você (ufa!). Agora pra mim, o mais interessante foi saber como o Sanger criou esse método.

Nós sabemos que a estrutura do DNA tem dupla cadeia, duas fileiras de DNA que são exatamente opostas (C com G e A com T). Muitos dos métodos de laboratório usam somente um lado da cadeira, ou simples cadeia, e esse método não é diferente. Sanger pegou uma cadeia simples, vamos supor ATGACCTTTAGA e enfiou uma cópia em quatro tubinhos de ensaio diferentes. Em casa um deles ele enfiou uma letrinha marcada com algo que brilhe, na maior parte das vezes um aditivo radioativo. Então o que acontece? No tubinho onde tinha essa sequência e o C foi adicionado, o C brilhante vai se juntar em todos os G da cadeia, e assim por diante nos outros tubinhos. E cada uma das fileiras com os tracinhos pretos que a gente vê na figura corresponde onde a letrinha brilhante se uniu. Desse modo, podemos ler a sequência.

Depois que você terminar de ler essa sequência no quadro amarelo, copie e coloque no BLAST (após copiar, aperte o botão Blast). O Sistema Blast procura essa sequência em todo o banco de dados de sequência de nucleotídeos que é mantido num esforço de colaboração de cientistas no mundo inteiro. Se você leu a sequência corretamente, vai saber onde ela aparece em todo o DNA conhecido até hoje no mundo. Alguns são “perfect matches” de 100% outras nem tanto. Essa estratégia também é usada pra saber a relação de parentesco de um de DNA ou outro, por exemplo, como saber que um organismo pertence ao mesmo Filo ou espécie taxonômica. Antigamente, bastava-se ver a aparência e fósseis do animal ou planta pra se organizar a ordem taxonômica, por isso hoje em dia, com o advanço da genética e ciências do genoma, é possivel modificar muitos erros que foram cometidos com os antigos métodos taxonômicos.



Pro dia nascer feliz!

Cara, se tem uma coisa que tem povoado a minha mente nos últimos meses é o que vou fazer após a minha graduação no dia 13 de junho de 2009. Parece muito tempo pra me preocupar, não? Você pode achar isso, mas eu tomei as rédeas da minha educação desde os dia 4  (ou seria 6?) de abril de 2006, quando pisei numa faculdade novamente depois de muito, muito tempo. Pra que tudo desse certo, eu tive que cronometrar e medir cada passo que eu dei, pois as escolhas de cada matéria foram todas minhas. Eu tive que escolher minhas matérias com um ano de antecedência, não porque sou neurótica, mas porque eu sabia que um erro nas minhas escolhas faria a diferença entre me graduar em 3 anos e meio (meu caso) e 5 anos (média de alunos da UW). Escolhi matérias que faziam papel duplo, preenchiam dois requerimentos, escolhi matérias que íam fortalecer meu currículo acadêmico pra caso eu quisesse expandir meus horizontes após o fim do bacharelado.

Rewind pra março de 2006. Eu conversava com o Robert e perguntava “devo escolher o caminho mais difícil ou o mais fácil?”. O mais fácil seria pegar um diploma técnico em alguma área de meu interesse, mas minha vida profissional ía ficar completamente limitada. Eu estaria trabalhando agora e ganhando muito bem. Eu teria finais de semana livre pra curtir com o meu marido e filho. Eu estaria indo ao Brasil duas vezes por ano e teria um carro novo (só quem já ficou na mão tantas vezes como eu com carro velho no passado, sabe a importância de se ter um carro novo). Se eu escolhesse o caminho mais difícil, eu teria vários anos pela frente de muito sacrifício, mas no final, teria a oportunidade de crescer indefinidamente. O limite seria imposto por mim e por mais ninguém. A educação é algo que ninguém nunca vai poder tirar de mim.

Como vocês sabem, escolhi o mais díficil, e acreditem, tem dias que eu quero voltar pra 2006 e mudar tudo. Felizmente, na maior parte do tempo eu só tento planejar o futuro incluindo o resto da minha família e não fico me lamentando (muito) que eu poderia estar tendo uma vida de adulto agora. É muito fácil estudar quando é só a sua vida que conta, mas ser uma boa estudante, dona de casa e mãe de família, ao mesmo tempo, não é mesmo pra qualquer um. Não quando as minhas ambições são maiores do que qualquer sonho que eu posso ter tido na minha vida.

Esse ano, vou aplicar pro meu doutorado. Em Genética e Ciências do Genoma.

O Ph.D. é a norma nessa área e dura cerca de 5 anos. Você pode pedir por um diploma de mestrado se no meio do caminho se você não aguentar ou precisar desistir. Algumas universidades dão, outros não. Eu preciso mandar minha aplicação pra muitas universidades espalhadas pelos EUA, porque a competição é ferrenha, como é de se esperar. Não sei nem se vou ser aprovada pra alguma delas, mas quanto mais eu escolher, mais chances terei. A notícia boa dessa manhã é que uma professora que adoro muito (lembram da minha professora iraniana?) se ofereceu pra escrever uma carta me recomendando pro meu Ph.D. Eu preciso de mais duas, mas essa notícia me fez MUITO feliz.

Então o que eu estava tentando dizer era isso: o que tem povoado a minha mente nos últimos meses é o que vou fazer depois que eu me graduar, igualzinho ao que eu senti em março de 2006. Eu me pego ME perguntando de novo “devo escolher o caminho mais difícil ou o mais fácil?” Mas se você me conhece, já sabe da resposta. Não tem nada melhor pra mim do que um bom desafio, ou uma boa aventura. Pode ter certeza, que de novo, vou escolher o caminho mais díficil.



Brasil em Seattle

Quando eu já estava saindo pra ir pro jogo, a Luciana me liga de Austin pra dizer “Olha, a Heliene está sem seu telefone e disse pra te avisar que não estão deixando MESMO entrar com câmera lá no estádio.” Isso só confirmou o que a gente já desconfiava - nós ligamos pro departamento de segurança do estádio e eles disseram que se a câmera se parecesse profissional, ou se a lente saísse, que não íam deixar entrar. Droga ao cubo, né? Mas tudo bem, só o Blackberry salva!

Meu coração começou a sair pela boca quando estávamos chegando lá. Eu gosto de ver jogo pela televisao (ou seja, jogo de Copa) mas eu fico MUITO nervosa assistindo, numa ansiedade danada. Só quem já me viu numa situação dessas sabe: fico balançando as pernas o tempo todo, mexendo os dedos, RANGENDO e TRINCANDO os dentes (tem mais essa, né? Descobri recentemente que eu tenho essa mania, estou tentanto parar), cara, o que tem de errado comigo? :)

Tentei disfarçar o nervosismo quando estávamos ainda no carro, explicando ao Thomas sobre o jogo, sobre o que íamos ver no estádio, cantando os hinos do Canadá e do Brasil e brincando de descobrir quem estava indo ao jogo. Essa última não foi difícil já que as ruas próximas ao estádio estavam tomadas de brasileiros, canadenses e americanos. Durante o jogo, declaram no auto-falante que 47 mil pessoas estavam lá naquela noite, mas como vocês podem ver pelas fotos muitas cadeiras ainda estavam vazias.

Chegamos lá e os times estavam no gramado se aquecendo. Faltavam 8 minutos pro jogo começar. Um grupo de brasileiros batucaram um samba bem perto da gente durante o jogo inteiro, fazendo a vez de uma trilha sonora “de estádio”. Cornetas urravam o tempo todo. Depois cantamos os hinos, dos EUA, do Canadá e por último o do Brasil, todos com a mão no peito (a pedido do Thomas): que maravilha fazer parte de três comunidades diferentes e nos orgulhamos muito de serem  a identidade do Thomas. Mas mais tarde eu disse pra ele que eu o admirava muito por saber adorar os três países por igual, que não é qualquer pessoa que conseguiria fazer isso. Mas o Thomas estava lá naquela noite pra torcer pro Brasil.

O jogo começa e eu digo pro Thomas “sabe aquele de chuteira vermelha, é o Robinho. Um dos melhores jogadores do mundo. Talvez ele faça um gol pro Brasil hoje” E pronto. Robinho virou ídolo número 1 do Thomas, que passou EM PÉ o primeiro tempo inteiro com os olhos grudados na bola e nos dribles e na mágica que o time brasileiro fazia a cada jogada. Quando se distraia um pouquinho, depois voltava com os olhos procurando e perguntando “Cadê o Robinho, mamãe, cadê o Robinho?” As chuteiras vermelhas ajudaram bastante.. :)

O jogo foi bem legal. Longe de mim fazer comentários contra um dos times, já que eu não entendo muita coisa de futebol. Mas eu estava lá pra ver os gols e saí satisfeita. O Thomas que o diga. Pulamos muito a cada gol, cantando “Olê, Olê, Olê, Olá, Brasil, Brasil!” e ele curtiu muito fazer o “ôla” (onda, wave) com o estádio inteiro. Ficou meio chateado com os gols do Canadá, abaixou a cabeça, mesmo explicando que ele era 50% canadense. Se foi difícil pro Robert conciliar a idéia dos dois países jogando um contra o outro, imagina pro Thomas. O Rob, coitado,  vestido com a camisa oficial da seleção que a minha mãe fez questão de mandar do Brasil justamente pra esse jogo, com uma cartola verde amarela (eu devia ter tirado foto, ele parecia o Tio Sam brasileiro), mas roendo as unhas pros dois times. Hilário.

Mas uma lição deve ter ficado pro Thomas, agora que ele tem participado de vários esportes: aquela velha estória de que não importa quem ganhe, o que importa é o espírito esportivo. E eu já notei que o esporte é o que vai me ajudar a moldar o caráter dele, pois já carrega um forte instinto de liderança e a última coisa que quero é que seja do tipo arrogante.

 

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Foto de celular - fotos decentes na semana que vem

Thomas todo feliz se preparando pra começar a aulinha de natação. Já demostra a habilidade de nadar da família!

 

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Tipo assim…

Eu adoraria estar estudando pra minha prova de física amanhã. Gostaria MUITO. Mas só de saber que no sábado nós vamos estar no jogo da seleção brasileira, eu não consigo me concentrar em nada. Aaaaaaa, que saco, droga de prova!

Aliás, o jogo passa na Globo às 23:15, horário de Brasília Nos procurem bem lá no meio-campo, a 5 fileiras do banco de reservas. O Thomas está empolgadíssimo.